Sexta-feira, Julho 10, 2026
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CAVALOS MORTOS A MARRETADAS: DUPLA É PRESA COM 165 KG DE CARNE EM ESQUEMA CLANDESTINO EM MINAS


Uma investigação da Polícia Civil revelou um cenário de crueldade, risco sanitário e suspeita de crime ambiental em uma propriedade rural de Campo Belo, no Sul de Minas. Dois homens, de 43 e 47 anos, foram presos em flagrante na noite de quarta-feira, 8 de julho, suspeitos de envolvimento em um esquema de abate clandestino de cavalos. Durante a operação, os policiais apreenderam 165,6 quilos de carne, ferramentas usadas no abate e na desossa dos animais, celulares, um caderno com anotações de vendas e uma caminhonete utilizada no transporte da carga.

O caso começou a ser apurado após a Polícia Civil receber informações sobre um incêndio em uma propriedade rural que já era alvo de investigação por suspeita de abate clandestino de equinos. Durante o deslocamento até o local, os policiais abordaram uma caminhonete ocupada pelos dois suspeitos. Na carroceria do veículo, foram encontrados sacos com grande quantidade de carne, que, segundo a corporação, apresentava características de abate recente.

A situação chamou a atenção dos investigadores pela quantidade de carne transportada e pelas condições em que o produto era levado. Conforme informações da ocorrência, a carne estava sem refrigeração adequada, sem licença sanitária e sem autorização para transporte. A investigação apura se o material seria comercializado de forma irregular e se poderia ser repassado como carne bovina, hipótese que aumenta a gravidade do caso por envolver possível fraude contra consumidores e risco à saúde pública.

Segundo a Polícia Civil, um dos homens informou que havia sido contratado para auxiliar nos abates e no preparo da carne. Ele também relatou que a atividade era recorrente e que a carne era retirada da propriedade logo após o abate dos animais. Ainda conforme a investigação, os cavalos eram mortos com golpes de marreta na cabeça e desossados no próprio local, sem estrutura adequada e sem as condições exigidas para o processamento de carne.

Na propriedade rural, os policiais encontraram restos de carcaças de equinos ainda em processo de carbonização, além de uma escavação no solo que, segundo a investigação, era utilizada para o descarte de restos orgânicos. A Polícia Civil informou que o local não possuía estrutura de contenção ou impermeabilização, o que pode ter provocado contaminação do solo.

Outro ponto investigado é o risco ambiental. O ponto de descarte dos restos dos animais ficava próximo a um recurso hídrico e a uma área de preservação permanente. Por isso, além do abate clandestino, as autoridades também deverão apurar possível poluição do solo e da água, bem como a extensão dos danos provocados pelo descarte irregular e pela queima das carcaças.

As condições da propriedade também reforçaram a gravidade da ocorrência. Segundo informações ligadas à apuração, o local apresentava estrutura improvisada, sem condições mínimas de higiene e sem métodos adequados de insensibilização dos animais antes do abate. O caso envolve suspeitas de maus-tratos, risco sanitário, crime ambiental e comércio clandestino de carne.

A carne apreendida foi encaminhada aos órgãos municipais responsáveis pela fiscalização sanitária, que deverão realizar avaliação técnica e providenciar o descarte adequado do material. A caminhonete usada no transporte também foi apreendida, assim como os celulares e o caderno com anotações de vendas, que podem ajudar a Polícia Civil a identificar a destinação da carne, possíveis compradores e outros envolvidos no esquema.

Os dois homens foram levados para a delegacia e autuados em flagrante. Após os procedimentos legais, ficaram à disposição da Justiça. As investigações continuam para esclarecer há quanto tempo o esquema funcionava, para onde a carne era enviada, se havia estabelecimentos ou intermediários envolvidos na compra do produto e se outras pessoas participavam da prática criminosa.

O caso também reacende o alerta sobre o abate clandestino de cavalos em Campo Belo. Em fevereiro deste ano, o município já havia registrado outra ocorrência envolvendo a apreensão de 800 quilos de carne de cavalo em condições consideradas impróprias para consumo. Não há confirmação oficial de ligação entre os dois casos, mas o histórico reforça a preocupação das autoridades com esse tipo de prática na região.

A Polícia Civil segue investigando a cadeia do esquema, desde o abate dos animais até a possível distribuição da carne. A apuração deverá apontar se o produto chegou a ser vendido, quem seriam os compradores, qual era o destino final da carga e quais danos ambientais podem ter sido causados pelo descarte e pela queima dos restos dos animais na propriedade rural.

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