MOTORISTA DA CARRETA QUE ARRASTOU CARRO DE IDOSA NA DUTRA SE ENTREGA À POLÍCIA E DIZ QUE NÃO VIU O VEÍCULO
O motorista da carreta que arrastou o carro de uma idosa de 83 anos na Rodovia Presidente Dutra, em São José dos Campos, se apresentou espontaneamente à Polícia Civil nesta segunda-feira (6). Ele compareceu ao 5º Distrito Policial acompanhado de um advogado, confirmou que dirigia o caminhão no momento da colisão e foi liberado após prestar depoimento, já que não estava em situação de flagrante.
O caso ganhou grande repercussão após imagens mostrarem o carro da aposentada Maria Auxiliadora de Carvalho sendo empurrado pela carreta na Dutra. O acidente aconteceu no dia 1º de julho, na altura do km 146, na pista sentido São Paulo. Apesar do susto e da gravidade das imagens, a idosa não sofreu ferimentos.
Em depoimento à Polícia Civil, o caminhoneiro, identificado pelas iniciais S.F.S., afirmou que não viu o carro da motorista porque o veículo estaria no chamado ponto cego do caminhão. Ele disse ainda que só percebeu o acidente após ser alertado por funcionários da concessionária RioSP, que realizavam obras no trecho da rodovia.
Segundo a versão apresentada pelo motorista, após ser avisado sobre a colisão, ele teria parado o caminhão. O investigado relatou que não havia acostamento ou local seguro para estacionar naquele ponto da Dutra e, por isso, seguiu até um posto de combustíveis na via marginal, onde teria permanecido por cerca de duas horas aguardando a chegada da condutora do carro.
Ainda conforme o depoimento, como a idosa não apareceu no posto, o caminhoneiro informou que comunicou o ocorrido à empresa responsável pelo veículo e seguiu viagem. A Polícia Civil, no entanto, segue apurando a dinâmica do acidente e a conduta do motorista após a colisão.
Logo depois da divulgação das imagens, investigadores do 5º DP iniciaram diligências para identificar o condutor, já que havia informação de que ele teria deixado o local sem prestar esclarecimentos. O caso foi registrado como fuga do local de acidente, crime previsto no artigo 305 do Código de Trânsito Brasileiro.
O caminhão envolvido na ocorrência já havia sido localizado pela Polícia Rodoviária Federal em Taubaté. Na ocasião, a carreta foi abordada, mas o motorista que estava conduzindo o veículo naquele momento informou que não era o condutor envolvido no acidente e que havia assumido a direção apenas no período noturno. A partir daí, as investigações avançaram até a identificação do motorista que dirigia a carreta no momento da colisão.
A fita do cronotacógrafo foi apreendida e deverá ser analisada para verificar a velocidade do caminhão, os horários de deslocamento e o cumprimento das regras sobre tempo de direção e descanso. Esses dados poderão ajudar a confirmar ou confrontar a versão apresentada pelo caminhoneiro.
A Polícia Civil também deverá analisar imagens, informações da concessionária, registros de deslocamento e demais elementos técnicos para reconstruir a sequência do acidente. O objetivo é esclarecer se o motorista tinha condições de perceber a colisão, por quanto tempo o carro foi arrastado e se houve omissão após o impacto.
Maria Auxiliadora relatou, após o acidente, que viveu momentos de pânico enquanto o veículo era arrastado. A aposentada contou que se agarrou a um terço e começou a rezar dentro do carro, sem saber como a situação terminaria. O relato emocionou moradores da região e aumentou a repercussão do caso.
A investigação segue em andamento. Por enquanto, o motorista responderá em liberdade pelo crime de fuga do local do acidente, enquanto a Polícia Civil aguarda a análise dos dados técnicos da carreta e novas diligências para concluir a apuração.


