Domingo, Julho 5, 2026
Capa

NEM O SINO ESCAPOU: CRIMINOSOS INVADEM IGREJA EM TREMEMBÉ E LEVAM PEÇA DE BRONZE AVALIADA EM R$ 15 MIL


Um crime que atingiu diretamente a fé e a memória de uma comunidade católica revoltou moradores do bairro Flor do Vale, em Tremembé. Criminosos invadiram a Comunidade Nossa Senhora das Graças, na noite de quinta-feira (2), e furtaram um sino de bronze avaliado em aproximadamente R$ 15 mil. A peça pesava entre 30 e 40 quilos e fazia parte do patrimônio religioso da igreja havia mais de duas décadas.

Segundo o boletim de ocorrência, o tesoureiro da comunidade informou que, após o término da missa, fechou o templo, acionou o sistema de alarme e foi para casa. Cerca de meia hora depois, por volta das 21h18, a empresa responsável pelo monitoramento entrou em contato avisando sobre o disparo do alarme e enviou imagens registradas pelas câmeras de segurança.

Ao retornar ao local, o representante da comunidade constatou que os criminosos haviam invadido a igreja por uma janela lateral do segundo andar. Além do sino de bronze, os invasores também furtaram uma torneira. A suspeita é de que eles tenham usado uma corda encontrada dentro do próprio imóvel para descer a peça antes da fuga, já que o sino tinha peso elevado e não poderia ser retirado facilmente sem algum tipo de improviso.

Os criminosos ainda tentaram furtar a fiação elétrica do prédio, mas não conseguiram. O caso foi registrado pela Polícia Civil, que deverá investigar as imagens de segurança, o modo de entrada dos invasores e a possível participação de mais de uma pessoa no crime.

O furto causou revolta porque o sino não era apenas um objeto de bronze. Para a comunidade, ele fazia parte da rotina de fé, das celebrações, das memórias dos fiéis e da identidade religiosa do bairro. Durante anos, o som do sino marcou missas, encontros, momentos de oração e datas importantes para os moradores do Flor do Vale.

A Comunidade Nossa Senhora das Graças tem uma trajetória antiga em Tremembé. Sua história começou em 1976, quando moradores do bairro passaram a rezar o terço com a imagem de Nossa Senhora das Graças nas casas. Ainda naquele ano, a padroeira foi escolhida pela comunidade, que iniciou sua caminhada religiosa com festas, encontros e celebrações. A antiga capela foi inaugurada oficialmente em 1990, e a comunidade cresceu até ocupar o espaço atual na Avenida Vitória Régia.

Por isso, o furto do sino foi sentido como uma agressão ao patrimônio e também à história local. A peça levada acompanhava a comunidade havia mais de 20 anos e representava uma parte simbólica da vida religiosa dos fiéis. Mais do que o prejuízo financeiro, a perda tem valor afetivo e espiritual para quem ajuda a manter o templo.

Este não foi o primeiro ataque contra a Comunidade Nossa Senhora das Graças. O local já foi alvo de criminosos outras vezes nos últimos anos. Em maio de 2025, a igreja teve cerca de 800 metros de fiação elétrica furtados, além de torneiras, lâmpadas, portas dos banheiros, vasos de plantas e outros utensílios. Na época, o prejuízo estimado foi de cerca de R$ 4 mil.

A repetição dos crimes aumenta a preocupação dos fiéis e dos responsáveis pela comunidade. Além dos prejuízos materiais, cada invasão exige reparos, reposição de itens, reforço da segurança e reorganização das atividades. Em espaços religiosos, esse tipo de crime também causa abalo emocional, pois atinge lugares mantidos, muitas vezes, com doações, trabalho voluntário e esforço coletivo.

O furto de peças metálicas, como fios, torneiras e objetos de bronze, tem preocupado comunidades, comércios e prédios públicos em várias cidades. Esses materiais costumam ser visados por criminosos pelo valor de revenda, especialmente quando podem ser desmontados, derretidos ou repassados para receptadores. No caso de um sino de igreja, o crime ganha ainda mais impacto pelo valor histórico, religioso e comunitário da peça.

Até a última atualização disponível, ninguém havia sido preso. A Polícia Civil deverá apurar se o furto tem relação com outros crimes contra a mesma comunidade e se o sino pode ter sido levado para revenda irregular de metal. Imagens das câmeras de segurança e informações da empresa de monitoramento poderão ajudar na identificação dos envolvidos.

A comunidade agora tenta lidar com mais uma perda provocada pela ação de criminosos. O silêncio deixado pela ausência do sino pesa não apenas na torre da igreja, mas também na memória dos fiéis que, por tantos anos, ouviram aquele som como chamado para a fé, para a missa e para a vida comunitária no Flor do Vale.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!