Sábado, Julho 4, 2026
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ADEUS, DENISE: ELA PARTIU EM JACAREÍ SEM REALIZAR O SONHO DE ABRAÇAR O PAI QUE PROCUROU A VIDA INTEIRA


Denise Zaic Pereira Nascimento partiu sem conseguir realizar o sonho que carregou por toda a vida. Aos 63 anos, moradora do Jardim Paraíso, em Jacareí, ela morreu neste sábado (4), após enfrentar um câncer agressivo no pâncreas, sem conseguir conhecer o pai cuja identidade permaneceu um mistério até seus últimos dias.

A história de Denise comoveu Jacareí e o Vale do Paraíba porque era mais do que uma busca por um nome. Era a tentativa de preencher um vazio antigo, de encontrar uma parte de sua própria origem e, quem sabe, antes da despedida, receber o abraço que esperou por décadas. Mesmo em cuidados paliativos e com a doença avançando rapidamente, ela ainda mantinha viva a esperança de descobrir quem era o homem que nunca conheceu.

Denise morreu no começo da madrugada deste sábado. Sua partida encerra uma história marcada por luta, maternidade, fé, coragem e por uma procura que atravessou gerações. Mãe de oito filhos e avó de 11 netos, ela deixou uma família numerosa, unida pela dor da despedida e também pela lembrança de uma mulher que nunca deixou de buscar respostas sobre sua própria vida.

A mobilização ganhou força depois que a filha, Vivian Josefa Zaic Pereira Machado, tornou pública a história da mãe. Ela contou que Denise nasceu de um relacionamento sem compromisso e foi criada pela avó, Clarice Zaic, em uma época marcada pelo preconceito contra mães solteiras. Clarice criou a filha sozinha, enfrentando as dificuldades de um período em que muitas mulheres eram julgadas pela sociedade por criarem seus filhos sem a presença paterna.

Com a morte de Clarice, há cerca de 15 anos, também desapareceram as poucas pistas que poderiam levar Denise até o pai. A família acreditava que ele poderia viver em Jacareí ou na capital paulista, mas nunca conseguiu confirmar nenhuma informação. Ao longo da vida, Denise tentou encontrá-lo várias vezes, mas as respostas nunca vieram.

As poucas pistas eram frágeis e desencontradas. Em alguns relatos, havia a possibilidade de que o pai fosse médico. Em outros, que fosse fazendeiro. Nada, porém, foi confirmado. Sem nome, sobrenome, documentos ou informações concretas, a busca se transformou em uma corrida contra o tempo quando Denise recebeu o diagnóstico de câncer no pâncreas e passou a enfrentar a fase terminal da doença.

Mesmo debilitada, ela não abandonou o desejo de conhecer suas origens. Para Denise, encontrar o pai não era apenas uma curiosidade. Era um sonho antigo, íntimo, guardado por décadas, que resistiu ao tempo, às dificuldades e à doença. Era a esperança de saber de onde vinha, de ouvir uma resposta, de olhar nos olhos daquele que fez parte de sua história, mesmo sem nunca ter estado presente.

A família e moradores da região se mobilizaram nas redes sociais para tentar ajudar. A história foi compartilhada por muitas pessoas, emocionou desconhecidos e gerou uma corrente de solidariedade. O Vale do Paraíba acompanhou a busca com esperança, mas o reencontro não aconteceu.

As últimas homenagens a Denise serão realizadas no Campo das Oliveiras, no Centro de Jacareí. A cerimônia de despedida está marcada para domingo (5), das 9h às 13h, seguida do sepultamento no Cemitério Jardim da Paz, no Parque Santo Antônio.

Nas redes sociais, amigos, conhecidos e moradores lamentaram a morte de Denise e prestaram solidariedade à família. Mensagens de carinho, fé e conforto passaram a circular após a confirmação do falecimento. Cristiane Aparecida da Silva de Oliveira escreveu: “Meus sentimentos. Que a sua alma descanse em paz, dona Denise”. Julliany Soares também deixou sua homenagem: “Meus sentimentos. Que Deus conforte o coração de todos os familiares e amigos”. Nice Rodrigues manifestou apoio à família neste momento de luto.

Denise parte deixando filhos, netos, familiares e amigos, mas também uma história que tocou muitas pessoas. Sua busca pelo pai revelou uma dor silenciosa que acompanhou sua vida inteira e mostrou a força de uma mulher que, mesmo diante da doença, ainda sonhava com um encontro, uma resposta e um abraço.

O sonho não se realizou em vida. Mas a história de Denise fica como memória de amor, de resistência e de uma procura que emocionou Jacareí. Ela se despediu sem encontrar o pai, mas não partiu esquecida. Partiu cercada pelo carinho da família, pela comoção de quem conheceu sua história e pela solidariedade de uma cidade que acompanhou seus últimos dias com esperança.

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