Quarta-feira, Junho 24, 2026
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ADEUS, VAGNER: HOMEM É ENCONTRADO AMARRADO E MORTO NA MATA EM SUPOSTO “TRIBUNAL DO CRIME” EM GUARATINGUETÁ


A morte de Vagner Luís Amaro, de 36 anos, é investigada pela Polícia Civil como homicídio consumado em Guaratinguetá, com suspeita de execução em uma ação conhecida como “tribunal do crime”. A vítima foi encontrada na tarde de terça-feira, 23, em uma área de mata próxima a um córrego, na região do Beco do Criolo, no bairro Alto de São João, com as mãos e os pés amarrados, parcialmente coberta por areia e com sinais de violência extrema.

O caso começou a ser descoberto depois que uma denúncia anônima informou à Polícia Militar que um homem estaria sendo agredido dentro de uma área de mata na região da Rua Coronel Tamarindo. A denúncia também mencionava a possibilidade de um suposto “tribunal do crime”, expressão usada para descrever julgamentos violentos e clandestinos impostos por grupos criminosos, nos quais vítimas são agredidas, ameaçadas ou executadas fora de qualquer procedimento legal.

Após o chamado do Copom, policiais militares seguiram até a entrada do Beco do Criolo. Ao chegarem ao local, visualizaram quatro pessoas na área. Três fugiram em direção à mata, enquanto um homem de 23 anos foi abordado próximo à entrada do beco. Ele foi identificado no boletim de ocorrência como Ricardo Alexandre e acabou preso em flagrante.

Segundo os depoimentos registrados, o suspeito estava ofegante, com as roupas sujas de terra e apresentava manchas semelhantes a sangue. Diante da situação, um dos policiais permaneceu com o homem abordado, enquanto outro avançou pela mata na tentativa de localizar os demais envolvidos que haviam fugido pela vegetação fechada.

Durante as buscas, os policiais encontraram Vagner próximo a um ribeirão. Ele estava com as mãos e os pés amarrados, parcialmente coberto por areia e apresentava lesões compatíveis com agressões físicas, além de ferimentos que indicavam disparo de arma de fogo. O cenário apontava para uma morte violenta e com participação de mais de uma pessoa, conforme os primeiros elementos reunidos na ocorrência.

Uma equipe do Samu foi acionada e confirmou a morte no local. Em seguida, a Polícia Civil e a perícia técnico-científica foram chamadas para os levantamentos. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal, onde exames deverão apontar oficialmente a causa da morte, o tipo e a quantidade de lesões, além da possível sequência das agressões sofridas pela vítima.

De acordo com o boletim de ocorrência, o homem preso teria declarado aos policiais que estava no local com outras três pessoas. Ele também teria citado desavenças relacionadas a supostas agressões praticadas pela vítima contra a mãe de um dos envolvidos. Ainda segundo o registro, o suspeito teria admitido participação nas agressões físicas, mas atribuído o disparo fatal a outro integrante do grupo.

Essa versão ainda será analisada pela Polícia Civil e deverá ser confrontada com laudos periciais, depoimentos, vestígios recolhidos, possíveis imagens, registros telefônicos e demais provas reunidas pela Delegacia de Investigações Gerais de Guaratinguetá. Até o momento, a investigação não apresentou conclusão definitiva sobre a motivação, a autoria do disparo ou o papel exato de cada pessoa citada no caso.

Durante a ocorrência, os policiais apreenderam um telefone celular Motorola relacionado ao homem preso. Também foram recolhidas peças de roupa, incluindo camiseta, bermuda e peça íntima, sendo que duas delas apresentavam manchas semelhantes a sangue, conforme o boletim. Entre os objetos pessoais da vítima, foram apreendidos um boné preto, um relógio com pulseira danificada, um chaveiro, uma pulseira de miçangas e outros acessórios. Todo o material foi lacrado e encaminhado para análise pericial.

Os exames poderão indicar se as manchas encontradas nas roupas correspondem a sangue humano e se o material pertence à vítima. O celular também poderá ser importante para a investigação, pois pode conter registros de chamadas, mensagens, localização e contatos entre pessoas investigadas, desde que os acessos necessários sejam autorizados dentro dos procedimentos legais.

A prisão em flagrante foi formalizada porque, segundo o entendimento registrado pela autoridade policial, o suspeito foi localizado pouco depois do homicídio, perto da área do crime, com sinais físicos e vestígios que justificaram a custódia inicial. Ele foi encaminhado à Cadeia Pública de Lorena, onde permaneceu à disposição da Justiça.

A prisão, no entanto, não representa condenação definitiva. A responsabilidade criminal ainda dependerá da conclusão do inquérito, da manifestação do Ministério Público, da análise das provas e de decisão judicial. A defesa do investigado também poderá apresentar sua versão e contestar os elementos reunidos durante as etapas do processo.

O boletim cita três pessoas que teriam fugido para a mata. Entre elas, há suspeitos identificados por nomes ou apelidos, além de um adolescente relacionado ao registro, cuja identificação deve ser preservada conforme as regras de proteção aplicáveis a menores de 18 anos. A DIG deverá confirmar a identidade de todos os citados, verificar a participação de cada um e tentar localizar os envolvidos que permanecem procurados.

O crime chocou pela brutalidade e pelo modo como a vítima foi encontrada. A investigação seguirá com a análise dos laudos do IML, perícia dos objetos apreendidos, oitiva de testemunhas, verificação de registros telefônicos e busca por possíveis imagens que ajudem a reconstruir os momentos anteriores à morte de Vagner Luís Amaro.

A Polícia Civil apura se o homicídio está de fato ligado a uma execução em suposto “tribunal do crime” e quais foram os fatores que levaram ao assassinato. Informações sobre o paradeiro dos suspeitos devem ser repassadas diretamente às autoridades, sem tentativa de abordagem por moradores.

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