Quarta-feira, Junho 17, 2026
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CRUELDADE CONTRA FRAJOLA: GATO É BALEADO, FICA PARAPLÉGICO E CASO REVOLTA TUTORES EM LAMBARI


Um caso de violência contra animal causou revolta e comoção em Lambari, no Sul de Minas. Frajola, um gato de apenas 2 anos, foi encontrado gravemente ferido após ser atingido por um disparo e acabou ficando paraplégico. O episódio aconteceu no último fim de semana e está sendo investigado pela Polícia Civil como crime de maus-tratos a animal.

O felino pertence a um casal da cidade que cuida de 21 animais, sendo 17 cães e quatro gatos. Para a família, Frajola não era apenas mais um animal da casa. Ele fazia parte da rotina, recebia cuidado, carinho e proteção desde filhote, quando foi resgatado e passou a viver dentro da residência. Por isso, a forma como ele foi encontrado, ferido e sem conseguir se movimentar normalmente, abalou profundamente os tutores.

Segundo a família, Frajola foi localizado em estado grave e levado para atendimento veterinário. Após a avaliação, foi constatado que o gato permanecia com um projétil alojado no corpo e havia sofrido uma lesão de grau cinco na medula. O quadro comprometeu de forma severa os movimentos das patas traseiras e reduziu drasticamente as chances de recuperação.

A dor dos tutores aumentou quando imagens de câmeras de segurança foram analisadas. De acordo com Waltemir Teixeira Júnior, tutor do animal, as gravações mostram um homem saindo de uma residência vizinha carregando Frajola e arremessando o gato em um terreno localizado em frente à casa. Para a família, a cena foi devastadora.

“Quando aproximamos a imagem, vimos que ele estava pegando o nosso gato e jogando do outro lado. O gato ainda estava lutando ali”, relatou Waltemir.

A família acredita que o animal tenha sido baleado momentos antes de ser retirado do local. As imagens também apontariam a participação de outro homem, que teria ajudado a remover o gato. A situação passou a ser tratada como um caso grave de crueldade, principalmente diante das consequências permanentes sofridas pelo animal.

Frajola, que antes circulava pela casa como qualquer gato saudável, agora enfrenta uma nova realidade. Segundo os tutores, a possibilidade de ele passar o resto da vida se arrastando provoca uma dor difícil de explicar. “Ver acontecer isso e saber que vamos cuidar de um animal que provavelmente vai passar o resto da vida rastejando dói demais”, desabafou Waltemir.

O homem apontado como suspeito admitiu à Polícia Militar ter efetuado um disparo. Segundo a versão apresentada por ele, a propriedade possui criação de galinhas e pintinhos, e gatos costumariam entrar no local. O suspeito afirmou que viu o felino próximo à criação e teria atirado para cima com a intenção de afugentá-lo.

Ainda conforme o relato do suspeito, após o disparo, o animal caiu no chão e ficou imóvel. Ele disse que chamou um vizinho para verificar a situação e que ambos teriam acreditado que Frajola estivesse apenas descansando ou dormindo. Por isso, decidiram colocá-lo em um terreno baldio, alegando que não sabiam quem era o dono do animal e que não perceberam ferimentos ou sangramentos.

A versão será apurada pela Polícia Civil, que instaurou inquérito para investigar o caso. A ocorrência é tratada como maus-tratos contra animal, crime que pode resultar em pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda de animais.

Os tutores permanecem à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e fornecer as imagens das câmeras de segurança. O material poderá ser fundamental para a investigação, ajudando a esclarecer a sequência dos fatos, a dinâmica do disparo, a retirada do animal do local e a responsabilidade de cada envolvido.

O caso também reacende o debate sobre a proteção animal e a responsabilidade de tutores, vizinhos e comunidades diante de conflitos envolvendo animais domésticos. Mesmo em situações de incômodo ou preocupação com criações, a violência jamais pode ser tratada como solução. A legislação brasileira prevê punição para maus-tratos e reforça que animais domésticos devem ser protegidos contra agressões, abandono, ferimentos intencionais e sofrimento desnecessário.

A defesa do suspeito informou, em nota, que ele está à disposição da Justiça e das autoridades policiais para colaborar com a apuração dos fatos. Também afirmou que aguarda acesso oficial ao conteúdo das investigações para se manifestar nos autos do processo.

Enquanto a apuração segue, Frajola continua sob cuidados. A família terá pela frente uma rotina de adaptação, acompanhamento veterinário e dedicação constante. O sofrimento do animal, a revolta dos tutores e a gravidade do caso transformaram a história em símbolo de indignação em Lambari.

Para quem ama e protege animais, a imagem de um gato jovem, resgatado ainda filhote, agora com movimentos comprometidos após ser baleado, representa mais do que uma ocorrência policial. É uma ferida aberta na relação entre a sociedade e os animais que dependem de cuidado, respeito e proteção.

A investigação deverá apontar as responsabilidades e definir os próximos passos do caso. Até lá, Frajola segue como símbolo de resistência, dor e luta pela vida, enquanto seus tutores cobram justiça e tentam oferecer ao animal a dignidade que lhe foi tirada por um ato de violência.

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