UMA MORTE A CADA DOIS DIAS: VALE BATE RECORDE E JÁ PERDEU 91 MOTOCICLISTAS NO TRÂNSITO EM 2026
O trânsito do Vale do Paraíba e Litoral Norte vive uma tragédia silenciosa sobre duas rodas. De janeiro a maio de 2026, 91 motociclistas morreram em acidentes na região, o maior número para os cinco primeiros meses do ano desde o início da série histórica do Infosiga, em 2015. Na prática, a estatística revela um cenário alarmante: em média, um motociclista perdeu a vida a cada dois dias nas ruas, avenidas e rodovias da RMVale.
O número acende um alerta vermelho para a segurança viária. Até então, o pior resultado para o período havia sido registrado em 2015, quando 72 motociclistas morreram nos cinco primeiros meses do ano. Em 2026, a marca foi superada com folga, consolidando o período como o mais mortal da série histórica para condutores e passageiros de motos na região.
Somente em maio, o Infosiga registrou 25 mortes envolvendo motociclistas no Vale do Paraíba e Litoral Norte, contra 19 em abril. Foi o mês mais letal do ano para a categoria. Na comparação com maio de 2025, quando foram registradas 18 mortes, o aumento foi de 38,89%. O avanço mostra que a violência no trânsito não apenas persiste, mas cresce em ritmo preocupante.
Os 91 motociclistas mortos entre janeiro e maio de 2026 representam alta de 40% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 65 pessoas morreram em acidentes com motos. O crescimento também fez disparar a participação das motocicletas no total de mortes no trânsito. Em 2025, as motos representavam 39% das vítimas fatais. Neste ano, passaram a responder por 55,83% dos óbitos, o maior percentual já registrado na série histórica.
Os dados revelam que mais da metade das mortes no trânsito da região em 2026 envolve motociclistas. Esse dado expõe a vulnerabilidade de quem utiliza a moto como meio de transporte, seja para trabalhar, se deslocar diariamente ou garantir renda em atividades de entrega e serviços. Nas vias, a motocicleta oferece agilidade, mas também deixa condutores e passageiros mais expostos em colisões, quedas e impactos.
O avanço de 2026 acontece logo após a região encerrar 2025 com o ano mais mortal para motociclistas desde o início da contagem do Infosiga. No ano passado, 166 pessoas morreram em acidentes com motos, superando 2024, que havia registrado 159 óbitos. O crescimento entre os dois anos foi de 4,40%. Antes disso, uma das marcas mais altas havia sido registrada em 2015, com 151 mortes.
No acumulado da série histórica, entre janeiro de 2015 e maio de 2026, 1.594 motociclistas perderam a vida em acidentes no Vale do Paraíba e Litoral Norte. Eles representam 38% das 4.181 mortes no trânsito registradas na região nesse período. Ou seja, em pouco mais de uma década, as motos se consolidaram como o principal grupo de vítimas fatais nas vias da RMVale.
Depois dos motociclistas, os pedestres aparecem como o segundo grupo com mais mortes no trânsito da região, com 909 óbitos, o equivalente a 22% do total. Em seguida vêm os ocupantes de automóveis, com 866 mortes e 21% da totalidade. Também foram registradas 472 mortes envolvendo bicicletas, 151 em acidentes com caminhões e 33 em sinistros com ônibus.
A escalada das mortes de motociclistas reforça a necessidade de medidas urgentes de prevenção, fiscalização e conscientização. O cenário exige atenção de motoristas, motociclistas, poder público e órgãos de trânsito. Respeito à velocidade, uso correto de equipamentos de segurança, atenção nas conversões, cuidado com ultrapassagens e fiscalização em pontos críticos são medidas que podem reduzir riscos e evitar novas mortes.
Por trás de cada número há uma família destruída, uma rotina interrompida e uma ausência que não volta mais. A moto, que para muitos representa trabalho, independência e sustento, também se tornou símbolo de uma das maiores tragédias do trânsito regional. Com 91 mortes em apenas cinco meses, o Vale do Paraíba e Litoral Norte chega a 2026 diante de um alerta grave: se nada mudar, o ano pode se tornar ainda mais doloroso para quem vive sobre duas rodas.


