Segunda-feira, Junho 1, 2026
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COMERCIANTE CHINÊS FOI VIGIADO ANTES DE SER MORTO EM FRENTE AO PRÓPRIO MERCADO EM SÃO JOSÉ


A Polícia Civil esclareceu o assassinato do comerciante chinês Yunsheng Chen, de 51 anos, morto a tiros em frente ao próprio supermercado, no bairro São Judas Tadeu, em São José dos Campos. O crime aconteceu na noite de 22 de novembro de 2025, na Avenida São Jerônimo, e mobilizou uma investigação da Delegacia Especializada de Homicídios do Deic, que apontou que os criminosos monitoraram a rotina da vítima antes da ação.

Yunsheng era dono do mercado Bom Vizinho e havia se mudado recentemente da China para o Brasil. Segundo a investigação, ele mantinha uma rotina considerada previsível. Pouco antes de fechar o estabelecimento, costumava ir até a residência, localizada nas proximidades, e depois retornava ao comércio para encerrar as atividades e recolher os valores do caixa. Essa movimentação, de acordo com a Polícia Civil, teria sido observada pelos criminosos antes do ataque.

Imagens de câmeras de segurança foram fundamentais para o avanço das apurações. Os investigadores identificaram um GM Astra prata estacionado nas proximidades do mercado por mais de uma hora, período em que os ocupantes teriam observado a movimentação da vítima. Após os disparos, dois homens foram flagrados correndo em direção ao veículo, que deixou o local em alta velocidade.

Desde o início, a principal linha de investigação foi de latrocínio, que é o roubo seguido de morte. No entanto, nenhum dinheiro, celular ou objeto pessoal de Yunsheng foi levado pelos criminosos. Para a polícia, a hipótese é de que o plano inicial seria assaltar o comerciante, mas a ação terminou em morte após uma suposta reação da vítima. Familiares, funcionários e testemunhas ouvidas durante a investigação afirmaram que Yunsheng era uma pessoa tranquila, trabalhadora e sem desavenças conhecidas.

O filho da vítima relatou à polícia que o pai chegou ao Brasil em 2024 e adquiriu o supermercado em São José dos Campos. Na noite do crime, ele foi avisado por um desconhecido de que Yunsheng estava caído próximo ao portão da residência. Ao chegar ao local, encontrou o pai já sem sinais vitais.

O caso começou a avançar após uma denúncia anônima apontar a participação de um homem conhecido como “Marquinhos”. A partir dessa informação, os policiais chegaram ao veículo utilizado no crime, um GM Astra que, segundo a investigação, estaria circulando com identificação adulterada no dia do assassinato.

O proprietário do automóvel, Marcos do Amaral Silva, de 56 anos, foi localizado e interrogado. De acordo com a Polícia Civil, ele confessou participação no crime e afirmou ter atuado como motorista do grupo, levando os comparsas até o local e aguardando dentro do carro durante a ação. Ainda segundo o depoimento, o objetivo inicial seria praticar um roubo, mas a situação teria evoluído para homicídio.

As investigações também identificaram outros dois suspeitos. Lucas Bezerra da Silva, de 26 anos, conhecido como “LK”, é apontado como um dos articuladores da ação criminosa. Já Lucas dos Santos Rodrigues, também de 26 anos, é suspeito de ter participado diretamente da tentativa de roubo que terminou com a morte do comerciante.

Segundo a Polícia Civil, Lucas Bezerra já havia sido preso anteriormente pela Delegacia de Homicídios em outro caso de assassinato ocorrido em 2022, mas respondia ao processo em liberdade provisória. Os dois suspeitos identificados também possuem antecedentes por roubo e já teriam sido investigados por crimes semelhantes contra comerciantes estrangeiros.

As apurações indicam ainda que a dupla teria atuado anteriormente em um roubo contra um comerciante colombiano, o que reforça a linha investigativa de que o grupo poderia escolher imigrantes como alvos. A Polícia Civil informou que as provas reunidas, incluindo imagens de monitoramento, depoimentos, informações de inteligência e registros telefônicos, fortaleceram o vínculo dos suspeitos com o assassinato de Yunsheng.

Marcos do Amaral Silva, Lucas Bezerra da Silva e Lucas dos Santos Rodrigues são considerados foragidos. A Polícia Civil pede que informações sobre o paradeiro dos três sejam repassadas pelo telefone 181 ou pelo WhatsApp da Delegacia de Homicídios, no número (12) 3931-0220. O sigilo é garantido.

O assassinato de Yunsheng Chen deixou marcas entre familiares, funcionários e moradores da região do São Judas Tadeu. O comerciante havia deixado a China para construir uma nova vida no Brasil e acabou morto em frente ao próprio negócio, depois de ser monitorado por criminosos que, segundo a polícia, planejavam roubá-lo.

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