APÓS QUEDA COM CÂMERAS CORPORAIS, MORTES EM CONFRONTO VOLTAM A SUBIR NO VALE
O Vale do Paraíba voltou a acender um sinal de alerta nos indicadores de letalidade policial. Entre abril de 2025 e março de 2026, a região registrou 33 mortes em confronto com a polícia, o segundo maior número da série histórica da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, iniciada em 2005. Todas as mortes ocorreram em ações da Polícia Militar.
O levantamento mostra que o número atual representa alta de 3% em relação ao período anterior, quando foram contabilizadas 32 mortes em confrontos policiais. O total dos últimos 12 meses só fica atrás do período entre abril de 2019 e março de 2020, quando 37 pessoas morreram em ações policiais no Vale. Naquele intervalo, assim como agora, todos os óbitos também foram registrados em ocorrências envolvendo a Polícia Militar.
Na análise do primeiro trimestre, 2026 manteve o mesmo patamar de 2025, com seis mortes entre janeiro e março. O número, no entanto, representa metade do registrado no primeiro trimestre de 2024, quando 12 pessoas morreram em confrontos com a polícia na região. Apesar dessa redução em relação ao ano anterior, o acumulado de 12 meses mantém o Vale entre os períodos de maior letalidade policial desde o início da série histórica.
Os dados também mostram que 2024 e 2020 aparecem como os anos mais letais no Vale do Paraíba, ambos com 38 mortes em confronto com a polícia. Em seguida estão 2025, com 33 óbitos, 2019, com 30, e 2017, com 28. Em outros momentos da série histórica, os números foram bem menores. Em 2012, por exemplo, a região registrou seis mortes em confronto, enquanto 2010 e 2013 tiveram oito óbitos cada.
A trajetória recente dos dados chama atenção porque a letalidade policial havia apresentado queda após os recordes registrados em 2019 e 2020. Naquele biênio, o Vale somou 68 mortes em confrontos com a polícia, o maior volume em dois anos consecutivos de toda a série histórica da SSP. Depois desse período, os números recuaram, especialmente a partir de 2021, quando teve início o uso de câmeras corporais nas fardas de policiais militares.
Com a adoção das câmeras, os registros de mortes em confronto caíram e chegaram a 17 óbitos em 2022, o menor total desde 2013. O dado indicava uma redução importante na letalidade policial da região. No entanto, os números mais recentes apontam uma nova elevação, colocando novamente o Vale do Paraíba entre os períodos mais críticos do levantamento.
O segundo biênio mais letal da série histórica foi o de 2023 e 2024, com 53 mortes em confronto. Esse avanço, somado aos 33 registros dos últimos 12 meses, reforça a necessidade de acompanhamento permanente dos indicadores de segurança pública, especialmente em relação às ocorrências envolvendo confrontos armados e mortes durante ações policiais.
Com 33 mortes em um ano, todas em ações da Polícia Militar, o Vale do Paraíba volta ao centro do debate sobre letalidade policial. Os dados mostram que, após um período de queda associado ao uso de câmeras corporais, a região voltou a registrar alta nos confrontos com resultado morte. A evolução dos próximos meses será determinante para indicar se o cenário seguirá em estabilidade, recuo ou novo crescimento.

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