JÚRI ABSOLVE PAI ACUSADO DE MATAR O PRÓPRIO FILHO COM MACHADO EM SÃO SEBASTIÃO
O Tribunal do Júri de São Sebastião absolveu, nesta segunda-feira, 11 de maio, Francisco Romualdo Barbosa, acusado de matar o próprio filho, Fernando Alves Barbosa, de 35 anos, com golpes de machado. O crime aconteceu em novembro de 2023, no bairro Paúba, no Litoral Norte paulista, e voltou ao centro das atenções com o julgamento realizado no Fórum da cidade, em uma sessão marcada pela gravidade do caso e pela complexidade da história familiar apresentada aos jurados.
Francisco respondia por homicídio qualificado. Segundo a denúncia do Ministério Público, ele teria matado o filho com meio cruel e com recurso que dificultou a defesa da vítima. Na época do crime, a Polícia Civil informou que o acusado confessou ter golpeado Fernando após uma discussão dentro da casa da família. O caso causou forte repercussão em São Sebastião por envolver pai e filho em uma tragédia doméstica que terminou em morte.
Durante o julgamento, os jurados ouviram as teses da acusação e da defesa antes de decidirem pela absolvição. A defesa sustentou que Francisco teria vivido durante anos em um ambiente de agressões, ameaças e conflitos familiares. Entre os argumentos apresentados estavam a legítima defesa, a inexigibilidade de conduta diversa e a clemência. As teses foram acolhidas pelo Conselho de Sentença, que decidiu absolver o réu.
A sentença foi assinada pelo juiz Wellington Urbano Marinho e publicada após a sessão do júri. Com a decisão, Francisco Romualdo Barbosa foi absolvido da acusação de homicídio qualificado. A decisão teve como fundamento o entendimento dos jurados, que reconheceram circunstâncias capazes de afastar a condenação criminal naquele caso.
O crime ocorreu no bairro Paúba e teve como vítima Fernando Alves Barbosa. Reportagens da época apontaram que ele foi atingido por golpes de machado na região da cabeça, dentro da residência da família. Após o ocorrido, Francisco foi preso e passou a responder pelo homicídio. A denúncia do Ministério Público sustentava que a forma como o crime ocorreu configurava qualificadoras, o que poderia aumentar a pena em caso de condenação.
No plenário do Júri, porém, a defesa apresentou uma versão marcada por sofrimento prolongado dentro do ambiente familiar. Em nota divulgada após o julgamento, o advogado de Francisco afirmou que a Justiça foi feita. Segundo a defesa, o réu teria sofrido por cerca de 15 anos agressões constantes e reiteradas por parte do próprio filho. O advogado também afirmou que, apesar da decisão favorável, a intenção não era estimular discórdia nem incentivar qualquer forma de violência.
A absolvição encerra uma etapa importante do processo, mas não apaga a dimensão da tragédia. O caso expõe uma história familiar marcada por conflitos, dor e uma morte violenta dentro de casa. De um lado, a vítima, Fernando Alves Barbosa, que perdeu a vida aos 35 anos. Do outro, o pai, Francisco Romualdo Barbosa, que foi levado ao banco dos réus acusado de matar o próprio filho e acabou absolvido pelos jurados.
A decisão do Júri Popular reforça o papel dos jurados na análise de crimes contra a vida. Eles são responsáveis por avaliar não apenas a materialidade do crime e a autoria, mas também as circunstâncias apresentadas pelas partes durante o julgamento. Neste caso, o Conselho de Sentença entendeu que os argumentos da defesa eram suficientes para absolver Francisco.
A história chocou São Sebastião desde o primeiro momento pela brutalidade do crime e pela relação entre acusado e vítima. A morte dentro do núcleo familiar, envolvendo pai e filho, transformou o caso em uma das ocorrências mais marcantes registradas no município nos últimos anos. Com o julgamento, a tragédia ganhou novo desfecho judicial, agora com a absolvição do acusado.
O caso deixa reflexões sobre violência familiar, relações marcadas por conflito e os limites de uma convivência que, segundo a defesa, teria sido atravessada por anos de agressões. Ainda assim, a morte de Fernando permanece como uma perda irreparável para a família e para todos que acompanharam a história. A absolvição de Francisco muda o rumo judicial do processo, mas não elimina o peso humano de uma tragédia que terminou com um filho morto e um pai julgado pelo próprio Júri Popular.


