Laudo divulgado após morte de bebê em Cruzeiro leva Justiça a decretar prisão preventiva de casal
A investigação sobre a morte de um bebê de apenas um mês, em Cruzeiro, ganhou um novo desdobramento após a divulgação do laudo do Instituto Médico Legal. A Justiça determinou a prisão preventiva do casal preso em flagrante na segunda-feira, dia 27 de abril, após a criança morrer em circunstâncias consideradas suspeitas.
A decisão foi tomada após pedido apresentado pela Polícia Civil, que passou a sustentar uma linha investigativa mais grave diante das conclusões periciais. A confirmação da medida foi feita pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Segundo o delegado Eduardo Sardinha, responsável pelo caso, a apuração inicialmente caminhava para uma possível omissão de cuidados. No entanto, os exames realizados no corpo do bebê alteraram completamente a direção da investigação.
O laudo apontou traumatismo craniano e lesões torácicas, indicando que as marcas encontradas seriam incompatíveis com uma morte natural ou apenas negligência.
Na tarde de segunda-feira, dia 27 de abril, o recém-nascido foi levado pelos próprios pais ao pronto-socorro da Santa Casa de Misericórdia de Cruzeiro em estado gravíssimo. A criança chegou sem resposta a estímulos, apresentando sangramento pelas vias aéreas, coloração arroxeada, hematomas e sinais vitais extremamente comprometidos.
Equipes médicas iniciaram manobras intensivas de reanimação, mas o bebê morreu cerca de 30 minutos após o início do atendimento.
Ainda durante a assistência hospitalar, profissionais perceberam sinais considerados atípicos, como hematomas, sangramento pela boca, líquido nos pulmões e lesões incompatíveis com um quadro natural. As suspeitas levaram à comunicação imediata às autoridades policiais.
Conforme o avanço da investigação, os pais, identificados pelas iniciais M.S.D. e R.C.S.M., apresentaram versões consideradas inconsistentes sobre os acontecimentos que antecederam a morte da criança.
Segundo o boletim de ocorrência, um dos relatos apontou que o bebê teria permanecido sozinho por horas, situação analisada pelos investigadores diante da idade da vítima e da necessidade constante de cuidados.
Funcionários da Santa Casa também relataram comportamento alterado do homem durante o atendimento, além de situações envolvendo outra filha do casal, com aproximadamente dois anos.
Segundo a Polícia Civil, durante a ocorrência foi encontrado com o homem um objeto associado ao consumo de drogas. O casal teria admitido ter utilizado entorpecentes horas antes do ocorrido.
Além da criança de dois anos, a família possui outras meninas, circunstância que também passou a ser observada pelas autoridades no decorrer das investigações.
A filha mais velha presente no momento da ocorrência foi encaminhada ao Conselho Tutelar, que acompanha o caso.
A Delegacia Seccional de Cruzeiro segue reunindo laudos, depoimentos e análises periciais para esclarecer completamente a dinâmica da morte.

