Quarta-feira, Abril 29, 2026
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“MEU SONHO ACABOU”: EX-ALUNA RELATA ESTUPRO POR PROFESSOR E DIZ QUE ABANDONOU FACULDADE EM SÃO JOSÉ

Uma denúncia envolvendo violência sexual dentro do ambiente universitário ganhou repercussão nesta quarta-feira (29), após uma ex-aluna da Universidade Estadual Paulista tornar público um relato em que acusa um professor de estupro durante o período em que estudava na unidade de São José dos Campos. Aos 21 anos, Carolina Ferreira afirma que teve a vida transformada pelo trauma e que precisou abandonar o sonho de se tornar dentista.

Segundo o relato divulgado nas redes sociais, Carolina ingressou na universidade após anos de dedicação para conquistar uma vaga no curso desejado. Ela conta que o entusiasmo dos primeiros meses de faculdade foi interrompido por um episódio que, segundo afirma, ocorreu ainda no primeiro ano de graduação.

De acordo com a jovem, o caso aconteceu em 2023, quando ela tinha 18 anos e morava em Taubaté. Carolina afirma que o crime ocorreu após aceitar uma carona oferecida por um professor ao deixar a faculdade. Desde então, diz carregar consequências emocionais e físicas que mudaram completamente sua relação com os estudos e com a profissão que pretendia seguir.

“Eu entrei no curso que sempre sonhei, mas esse sonho foi destruído”, escreveu em seu depoimento, relatando que não consegue mais se imaginar atuando na área por associar a carreira ao trauma vivido.

A ex-aluna afirma que, após o episódio, passou a enfrentar sintomas intensos, incluindo crises emocionais, desmaios, sangramentos e dificuldades para lidar com lembranças fragmentadas do que teria ocorrido. Segundo ela, o impacto psicológico afetou sua rotina e tornou impossível continuar frequentando o ambiente acadêmico.

Mesmo tentando seguir com as aulas, Carolina relata que começou a desenvolver crises constantes ao retornar à universidade. O sofrimento emocional teria aumentado gradualmente, até o momento em que decidiu interromper os estudos.

“Chegou um ponto em que eu não conseguia mais entrar na faculdade sem entrar em crise”, declarou.

Segundo a jovem, a decisão de trancar a matrícula veio após perceber que não conseguia mais permanecer no campus sem reviver o trauma. Ela afirma que só conseguiu compartilhar o que aconteceu com os pais depois de enfrentar um período prolongado de silêncio e sofrimento.

Carolina também relatou que procurou apoio institucional dentro da universidade, mas afirma não ter encontrado acolhimento adequado. Segundo ela, ao relatar o caso, ouviu que não existiam registros semelhantes envolvendo situações daquele tipo.

A jovem afirma que, naquele momento, não tinha condições emocionais para formalizar uma denúncia criminal. O medo, o estado de choque e a dificuldade para lidar com o ocorrido teriam contribuído para o afastamento silencioso do curso.

Após a repercussão do relato, entidades estudantis se manifestaram publicamente. A Associação Atlética Acadêmica Cervantes Jardim divulgou nota classificando as acusações como graves e cobrando providências. O grupo defendeu investigações rigorosas, acolhimento às vítimas e maior segurança dentro do ambiente universitário.

Com a exposição do caso, outras estudantes também passaram a compartilhar relatos envolvendo episódios de assédio e desconforto dentro da mesma unidade acadêmica, ampliando o debate sobre proteção e canais de denúncia nas instituições de ensino.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre abertura de investigação formal envolvendo o caso. A Universidade Estadual Paulista ainda não havia se pronunciado até a última atualização. O espaço permanece aberto para manifestação institucional e esclarecimentos.

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