Quarta-feira, Abril 29, 2026
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“MINHA VIDA NÃO TEM SENTIDO SEM ELA”: IDOSO PEDE PARA VIVER COM A ESPOSA EM CASA DE REPOUSO

Uma história marcada por amor, saudade e resistência emocional tem emocionado moradores de São José dos Campos. Prestes a completar 72 anos, Augusto Pires enfrenta uma das fases mais difíceis de sua vida após ser separado da mulher com quem compartilha mais de três décadas de companheirismo. O pedido dele é simples, mas carregado de sentimento: conseguir uma vaga na mesma casa de repouso onde a esposa está internada para voltar a viver ao lado dela.

Augusto divide sua trajetória com Maria dos Prazeres Gomes da Silva, de 67 anos. Os dois se conheceram já adultos, cada um com filhos de relacionamentos anteriores, e decidiram construir uma vida juntos. Ao longo de mais de 30 anos, enfrentaram desafios, envelheceram lado a lado e transformaram a convivência em uma relação baseada em cuidado, parceria e afeto.

Mas a rotina do casal mudou drasticamente após Maria sofrer um AVC há sete anos. Mesmo diante das limitações causadas pelo problema de saúde, ela continuou vivendo ao lado do marido, recebendo apoio constante dentro de casa. A situação, porém, se agravou no início deste ano, quando ela precisou ser internada na Casa de Repouso Nosso Lar, localizada no Jardim Jussara.

Desde então, Augusto passou a enfrentar uma nova realidade: ver a esposa apenas durante horários limitados de visita. Segundo ele, os encontros acontecem somente duas vezes por semana, às terças e quintas-feiras, por períodos curtos. O restante dos dias é marcado por silêncio, solidão e dificuldade para aceitar a ausência da companheira.

“Minha vida não tem sentido sem ela”, resume Augusto, emocionado ao falar da rotina longe da esposa. Ele afirma que a separação afetou diretamente sua saúde física e emocional. Conta que passou a dormir pouco, perdeu o apetite, emagreceu e precisou recorrer a medicamentos para controlar a ansiedade e a tristeza.

Segundo o idoso, o sofrimento não está apenas na distância, mas na impossibilidade de acompanhar de perto os cuidados com Maria. Ele diz que gostaria de estar presente diariamente, conversar, ajudar e oferecer companhia nos momentos mais simples da rotina.

“Eu quero cuidar dela. Quero passar o resto da minha vida ao lado dela. Não importa a situação, eu só quero estar perto”, afirma.

Na tentativa de tornar isso possível, Augusto procurou a direção da instituição e também o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), responsável pelo encaminhamento de vagas em serviços de acolhimento. Segundo ele, recebeu a informação de que pode ter direito a uma vaga, mas que precisa aguardar disponibilidade e critérios de prioridade.

A espera, no entanto, tem sido angustiante. Augusto relata que não recebeu previsão concreta e vive na expectativa de uma resposta que permita reencontrar a esposa de forma definitiva. Enquanto isso, segue contando os dias até os horários de visita, tentando transformar poucos minutos ao lado de Maria em combustível para continuar.

A direção da casa de repouso informou que as vagas são administradas pela Prefeitura e seguem critérios técnicos relacionados ao estado de saúde e vulnerabilidade social dos idosos. A instituição explicou que atende à demanda encaminhada pelo município e que a ocupação ocorre conforme prioridade estabelecida pelos órgãos responsáveis.

Mesmo sem garantia de quando poderá conseguir a vaga, Augusto mantém a esperança. Para ele, mais do que dividir o mesmo espaço, o que está em jogo é continuar vivendo a história construída ao longo de décadas, sem deixar que a doença e a distância interrompam um amor que resiste ao tempo.

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