EM LÁGRIMAS, DOM ORLANDO SE DESPEDE DE APARECIDA E EMOCIONA FIÉIS: “MINHA MISSÃO NÃO TERMINA AQUI”
O Santuário Nacional de Aparecida viveu uma manhã marcada por emoção, fé e despedida nesta quarta-feira (29), durante a última missa de Dom Orlando Brandes à frente da Arquidiocese. Após nove anos conduzindo a Igreja Católica em Aparecida, o religioso encerrou oficialmente sua missão administrativa, mas deixou claro diante dos fiéis que sua caminhada espiritual continuará.
A celebração reuniu romeiros, religiosos, moradores e visitantes que acompanharam um dos momentos mais simbólicos da história recente do Santuário. Em clima de gratidão e despedida, Dom Orlando relembrou sua trajetória, falou sobre sua relação com os peregrinos e emocionou os presentes ao compartilhar reflexões sobre fé, envelhecimento e missão.
Durante a homilia, o arcebispo voltou ao início de sua caminhada em Aparecida, recordando sua chegada em 2017. Em uma fala carregada de simplicidade, utilizou uma metáfora que marcou seu primeiro sermão e voltou a repeti-la na despedida.
“Eu queria ser o jumento do triunfo de Jesus”, afirmou, explicando que sempre enxergou seu papel como instrumento de serviço, humildade e evangelização. A declaração arrancou emoção e silêncio respeitoso dos fiéis presentes.
Ao longo da celebração, Dom Orlando também revelou os princípios que guiavam sua espiritualidade, chamados por ele de “cinco pês”: Pai, povo, padres, pobres e pátria celeste. Segundo o religioso, esses pilares moldaram toda sua vida sacerdotal e sua forma de conduzir a Igreja.
Um dos momentos mais marcantes aconteceu quando ele falou sobre a fé dos romeiros que passam diariamente por Aparecida. Emocionado, Dom Orlando afirmou que não foi apenas líder espiritual, mas também alguém transformado pela devoção do povo.
“Fui evangelizado pelos romeiros”, declarou, dizendo que aprendeu sobre fé observando a força espiritual das pessoas que chegam ao Santuário carregando promessas, dores e esperança.
A ligação com Nossa Senhora Aparecida também foi lembrada durante a missa. Dom Orlando contou que desenvolveu uma relação profunda com a imagem da santa e que encontrou nela conforto e direção durante os anos em que esteve à frente da Arquidiocese.
“Nunca conversei tanto com Nossa Senhora como aqui”, disse, ao afirmar que a devoção mariana ganhou ainda mais força durante sua permanência em Aparecida.
Apesar da despedida oficial, Dom Orlando reforçou que não encara a aposentadoria como encerramento de sua missão religiosa. Segundo ele, o chamado sacerdotal permanece até o fim da vida.
“Despedida do cargo, mas não da missão”, afirmou, destacando que pretende continuar servindo à Igreja, especialmente junto a doentes e pessoas que necessitam de acolhimento espiritual.
A cerimônia também marcou a transição para o novo arcebispo, Dom Mário Antônio da Silva, que assume oficialmente a Arquidiocese no sábado (2), às 15h. Durante a missa, Dom Orlando pediu orações pelo sucessor e desejou que a missão evangelizadora continue fortalecida.
Natural de Urubici, em Santa Catarina, Dom Orlando deixa o cargo aos 80 anos, após ultrapassar a idade prevista pelo Vaticano para renúncia episcopal. Antes de chegar a Aparecida, atuou como bispo em Joinville e arcebispo em Londrina.
Entre lágrimas, aplausos e demonstrações de carinho, a despedida deixou evidente o vínculo criado entre Dom Orlando e os fiéis. Mais do que uma troca de liderança religiosa, a cerimônia simbolizou o encerramento de um ciclo marcado pela proximidade com o povo, pela simplicidade e por uma fé que atravessou quase uma década de história em Aparecida.

