Sexta-feira, Abril 24, 2026
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GOLPE COM IA CLONA VOZ DE ADVOGADO E FAZ MULHER PERDER R$ 1 MILHÃO EM 65 TRANSFERÊNCIAS NO SUL DE MINAS

Uma moradora de Varginha, no Sul de Minas Gerais, sofreu um prejuízo milionário após cair em um golpe considerado sofisticado e incomum até mesmo por especialistas. Utilizando inteligência artificial para reproduzir a voz do advogado da vítima, criminosos conseguiram invadir contas bancárias e provocar perdas que ultrapassam R$ 1 milhão.

O caso veio à tona após a vítima perceber movimentações suspeitas em suas contas. Segundo informações divulgadas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), os golpistas utilizaram tecnologia capaz de imitar a voz do profissional que já prestava serviços à mulher, criando uma falsa sensação de confiança.

Diferente dos golpes tradicionais envolvendo falsos advogados, em que criminosos pedem transferências via Pix ou pagamentos imediatos, a estratégia utilizada desta vez foi mais elaborada. Os suspeitos convenceram a vítima a fornecer dados pessoais e bancários, permitindo o acesso direto aos aplicativos financeiros.

A partir dessas informações, os criminosos teriam conseguido clonar o celular da vítima e assumir o controle de suas contas. Em pouco tempo, foram realizadas 65 transações bancárias distribuídas entre cinco contas diferentes.

O valor movimentado chamou atenção das autoridades pela dimensão do prejuízo e pela forma como o golpe foi executado. Segundo representantes da OAB, trata-se de uma ocorrência considerada atípica e extremamente grave.

Especialistas alertam que a inteligência artificial vem tornando golpes cada vez mais sofisticados, dificultando a identificação imediata das fraudes. Com ferramentas capazes de reproduzir voz, imagem e até simular conversas reais, criminosos conseguem construir situações convincentes.

O presidente da 20ª Subseção da OAB em Varginha explicou que o golpe foge completamente do padrão mais comum. Segundo ele, normalmente os criminosos solicitam pagamentos diretos, mas neste caso o foco foi obter acesso às informações sigilosas da vítima.

A orientação é que dados bancários, senhas, códigos enviados por SMS e confirmações de aplicativo jamais sejam compartilhados, mesmo quando a solicitação parecer vir de alguém conhecido.

Especialistas reforçam que advogados não pedem senhas pessoais nem acessos bancários de clientes. Qualquer movimentação financeira ligada a processos judiciais costuma ocorrer por meio de guias oficiais, depósitos judiciais ou comunicação direta em canais previamente conhecidos.

Além do impacto financeiro, o caso acende alerta para o avanço de crimes digitais impulsionados por inteligência artificial, tecnologia que vem sendo utilizada para criar golpes cada vez mais difíceis de identificar.

A vítima registrou boletim de ocorrência e busca agora esclarecimentos junto às instituições bancárias para tentar rastrear as transações e avaliar possibilidades de recuperação dos valores.

A investigação deverá analisar o caminho do dinheiro, a origem dos acessos e como os criminosos conseguiram assumir o controle dos dispositivos e das contas bancárias.

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