Sábado, Março 7, 2026
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Quem eram os idosos mortos na tragédia da chuva que abalou Ilhabela

A chuva intensa que atingiu Ilhabela provocou cenas de destruição, medo e perdas irreparáveis. Em poucas horas, ruas viraram rios, muros cederam e duas vidas foram interrompidas de forma dramática, levando o município a decretar luto oficial de um dia.

Uma das vítimas foi Artêmio Guedes, de 78 anos, aposentado e morador do arquipélago há mais de 40 anos. Natural de Maria da Fé, em Minas Gerais, ele havia acabado de chegar em casa, no bairro Zabumba, região da Barra Velha, quando foi surpreendido pelo deslizamento. Após guardar o carro na garagem, Artêmio retornou para fechar o portão, instante em que o muro que dividia dois terrenos não resistiu ao grande volume de chuva e à umidade do solo, desabando sobre a residência.

O corredor e a garagem foram invadidos por lama e escombros, e o idoso acabou soterrado. Vizinhos relataram que a chuva era muito forte naquele momento e descreveram Artêmio como uma pessoa generosa, sempre pronta a ajudar. As buscas mobilizaram equipes do Corpo de Bombeiros, com apoio de máquinas da Prefeitura, e o corpo foi localizado por volta das 22h15. A Defesa Civil interditou o imóvel ainda durante a noite, diante do risco provocado pelo solo extremamente encharcado e da continuidade da chuva.

A segunda vítima foi Ângelo Ricardo Repetto, de 84 anos, natural da capital paulista e morador de Ilhabela havia cerca de 25 anos. Aposentado e ex-representante comercial, ele foi levado pela enxurrada após sair para observar o riacho que passava ao fundo da casa, um hábito antigo mantido mesmo em dias de chuva intensa. Segundo pessoas próximas, ele poderia ter permanecido em segurança, mas acabou sendo arrastado pela força da água.

Ângelo chegou a ser dado como desaparecido por alguns minutos, sendo encontrado logo depois, já sem vida. Ele deixa um filho, que vinha tentando convencê-lo a retornar para São Paulo.

Diante das duas mortes causadas pelo temporal, a Prefeitura de Ilhabela decretou luto oficial de um dia. Os corpos das vítimas foram encaminhados ao Instituto Médico Legal de Caraguatatuba. Apesar dos danos registrados em diversos pontos da cidade, a administração municipal informou que não deve decretar estado de emergência, avaliando que a situação tende a se normalizar nas próximas horas.

A tragédia expôs, mais uma vez, a força da natureza e deixou a cidade em silêncio, marcada pela dor de famílias e vizinhos que perderam pessoas queridas em uma das noites mais difíceis enfrentadas por Ilhabela.

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