Sexta-feira, Março 6, 2026
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Crime Bárbaro em Itajubá: Homem que matou a companheira com mais de 20 facadas é condenado a 28 anos e 6 meses de prisão

Bruno Alexandre Campos de Paula, de 31 anos, foi condenado a 28 anos e 6 meses de prisão pelo assassinato da companheira, Fernanda Rocha Monferino, de 30 anos, em um dos casos mais brutais registrados em Itajubá, Minas Gerais. A sentença foi definida após um julgamento longo, marcado por forte emoção e intensa participação do público no Fórum da cidade. A sessão começou na manhã de quarta-feira e só terminou à meia-noite, quando o júri popular confirmou a condenação e determinou que o réu permaneça preso enquanto a defesa recorre da decisão.

A Justiça reconheceu quatro qualificadoras no crime: motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, qualificadoras que demonstram o grau de violência e a impossibilidade de Fernanda se proteger do ataque. A defesa já adiantou que irá recorrer, mas a sentença de primeira instância foi recebida com alívio pelos familiares da vítima, que acompanharam cada momento do julgamento.

Desde o início da manhã, parentes, vizinhos e pessoas que conviveram com Fernanda ocuparam o salão do júri. Testemunhas relataram detalhes do relacionamento do casal, marcado por tensões e episódios de ciúmes. Para a família, reviver o caso foi extremamente doloroso, mas também necessário para que a memória de Fernanda fosse respeitada e para que a justiça fosse feita. A vítima deixou dois filhos pequenos, hoje sob tutela da avó materna, que tem se dedicado integralmente à criação das crianças desde o dia do crime.

O assassinato ocorreu em 19 de novembro de 2023, dentro da casa onde o casal morava, no Bairro Boa Vista. A Polícia Militar foi chamada por vizinhos que ouviram gritos e denunciaram uma briga do casal. Ao entrar na residência, os policiais encontraram Fernanda já caída, com ferimentos graves provocados por golpes de faca. O Samu confirmou o óbito no local. A perícia constatou que Fernanda foi atingida por pelo menos 25 facadas, número que revela a extrema violência do ataque e reforça o entendimento de que se tratou de um crime cometido com crueldade e intensa agressividade.

Ao lado do corpo, os policiais encontraram Bruno ferido, com uma faca cravada no peito. Segundo a PM, ele teria tentado tirar a própria vida logo após o crime. O Samu o socorreu e o levou ao Hospital das Clínicas de Itajubá, onde passou por cirurgia e permaneceu internado sob escolta policial até receber alta e ser encaminhado ao sistema prisional.

Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que a motivação do crime foi ciúme doentio e controle emocional, elementos que caracterizam o feminicídio no contexto de violência doméstica. A acusação destacou a brutalidade dos golpes, a vulnerabilidade da vítima e o fato de que Fernanda não teve qualquer possibilidade de defesa. A defesa tentou argumentar descontrole emocional e outros fatores que poderiam atenuar a pena, mas o júri rejeitou todas as teses apresentadas.

O veredito foi lido pouco antes da meia-noite e provocou forte comoção no plenário. Familiares de Fernanda se abraçaram e afirmaram que, embora nenhuma decisão judicial traga a jovem de volta, a condenação representa um passo importante no reconhecimento da gravidade do crime e na luta contra a violência que vitima tantas mulheres no país.

Com a condenação definida, Bruno Alexandre Campos de Paula permanece preso, agora sob cumprimento inicial de pena em regime fechado, enquanto sua defesa tenta recorrer da decisão. Para a cidade de Itajubá, o caso deixa uma marca dolorosa, mas também um alerta sobre a urgência de combater o feminicídio e proteger mulheres em situação de vulnerabilidade. A memória de Fernanda segue viva entre familiares, amigos e uma comunidade inteira que clama por justiça e mudanças que evitem que tragédias como essa se repitam.

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