Cruzeiro eterniza a memória de Maria de Fátima Macedo Euzébio em espaço de devoção no Jardim Europa
A Câmara Municipal de Cruzeiro deu um passo marcante na preservação da memória e dos exemplos de fé que moldaram a cidade. Em sessão realizada na noite de ontem, segunda-feira, 8 de setembro, os vereadores aprovaram por unanimidade o Projeto de Lei apresentado por Edson de Oliveira Coutinho (União Brasil) e Carlos Eduardo Avelar de Barros (PL), que denomina como Maria de Fátima Macedo Euzébio o espaço público de devoção à Nossa Senhora Aparecida, conhecido pelo altar da “Santinha” e seu entorno, localizado ao final da Rua José Anastácio, no bairro Jardim Europa.
A homenagem reconhece a trajetória de uma mulher que se tornou símbolo de fé, resiliência e serviço à comunidade. Nascida em Porecatu (PR), em 2 de julho de 1955, Maria de Fátima era a primogênita de doze irmãos e desde cedo encarnou valores de dedicação e superação. Casada com Israel de Carvalho Euzébio em 1973, construiu sua família em Cruzeiro, sendo mãe de Alessandro e Rogéria.
Em 1984, já em Cruzeiro, enfrentou uma severa batalha contra o câncer que lhe custou um rim, mas não lhe tirou a fé. Pelo contrário: sua espiritualidade inabalável, marcada por um encontro divino durante a enfermidade, inspirou familiares e amigos, servindo de exemplo de esperança contra os prognósticos médicos.
Maria de Fátima era presença constante nas atividades religiosas, reconhecida como mulher atuante, determinada e de forte ligação com a comunidade católica. Sua barraca de pastel em quermesses e eventos beneficentes tornou-se ponto de encontro e alegria, e seu legado maior está ligado à construção da Capela de São Bento, obra que contou com sua dedicação e a de seu esposo por mais de duas décadas.
Mesmo em sua própria casa, transformada em local de oração e celebração, Maria de Fátima reunia vizinhos e amigos para Santa Missa, alimentando a fé coletiva. Organizou festas, banquetes, arrecadou recursos e confeccionou terços artesanais para garantir que a capela fosse erguida no Jardim Europa.
Sua partida, em maio de 2020, vítima de dengue e complicações da pandemia, ocorreu no Dia de Nossa Senhora de Fátima, em um desfecho carregado de simbolismo. A impossibilidade das despedidas tradicionais, devido às restrições sanitárias, não apagou a força de sua presença espiritual, que segue viva na lembrança e no coração da comunidade.
Enterrada na chamada “Ala da Bondade” do Cemitério Jardim Santa Clara, Maria de Fátima deixou um testemunho de fé e solidariedade. Descrita como uma mãe leoa, uma mulher incansável e uma cristã dedicada, sua vida passou a ser referência de perseverança e serviço ao próximo.
A aprovação unânime do projeto de lei representa mais do que um gesto legislativo: é a oficialização de um reconhecimento coletivo da cidade. O altar da “Santinha” e seu entorno, agora nomeados como Maria de Fátima Macedo Euzébio, passam a carregar oficialmente a marca de uma vida que se transformou em exemplo e inspiração.
Na justificativa, os vereadores ressaltaram que a homenagem não é apenas um gesto simbólico, mas um reconhecimento de toda a cidade à mulher cuja vida foi marcada pela bondade, pelo amor e pela devoção. “Sua vida foi um testemunho de fé, superação e serviço ao próximo, qualidades que devem ser inspiração para as futuras gerações de nossa cidade”, destacaram.
A eternização de seu nome no Jardim Europa sela para sempre a memória de Maria de Fátima Macedo Euzébio como parte da identidade religiosa e comunitária de Cruzeiro.

