Sábado, Novembro 7, 2026
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TRÁFICO EM FAMÍLIA: POLÍCIA PRENDE QUATRO IRMÃOS QUE SE REVEZAVAM NA VENDA DE CRACK A MENOS DE 200 METROS DE ESCOLA EM ILHABELA


Uma investigação da Polícia Civil revelou um esquema de tráfico de drogas que, segundo os investigadores, era mantido por quatro irmãos no bairro Barra Velha, em Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo. Três mulheres e um homem foram presos na quinta-feira (5), durante a Operação Laços de Sangue, suspeitos de administrar um ponto de comercialização de crack conhecido como “Biqueira da Pingo”. O que chamou a atenção das autoridades foi a organização familiar do esquema, no qual os investigados supostamente se revezavam em turnos para manter a venda de entorpecentes. A atividade ocorreria a menos de 200 metros de uma escola e, conforme a investigação, até mesmo na presença de crianças da própria família. A operação resultou na apreensão de aproximadamente 102 gramas de crack, materiais utilizados no preparo das drogas e um veículo que também passou a ser investigado pela polícia.

A ação foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Ilhabela, com apoio da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE), após aproximadamente dez meses de apurações. O trabalho começou em janeiro de 2026, como desdobramento da Operação Cobra Criada, que já havia identificado atividades relacionadas ao tráfico na região. Ao longo das diligências, os investigadores reuniram elementos indicando que quatro integrantes da mesma família estariam envolvidos diretamente na comercialização de drogas, mantendo o funcionamento de um ponto de venda que já havia sido alvo de intervenções policiais anteriores.

Segundo a Polícia Civil, a chamada “Biqueira da Pingo” funcionava no bairro Barra Velha e seria administrada de maneira organizada pelos irmãos. A investigação apontou que os suspeitos dividiam as atividades e se revezavam em diferentes horários, estratégia que permitiria manter a comercialização de crack ao longo do dia. A estrutura familiar identificada pelos policiais foi um dos elementos que deram origem ao nome Operação Laços de Sangue, referência ao parentesco entre os principais investigados.

Outro aspecto considerado relevante pelas autoridades foi a proximidade do ponto de tráfico com uma unidade de ensino. Conforme a investigação, a venda de entorpecentes acontecia a menos de 200 metros de uma escola, circunstância que passou a integrar os elementos apurados pela Polícia Civil. Os agentes também identificaram situações em que a comercialização das drogas ocorreria na presença de crianças pertencentes à família dos suspeitos. Não foram divulgadas informações indicando que os menores participassem das atividades criminosas, mas a presença deles no ambiente investigado chamou a atenção das autoridades.

Com o avanço das investigações, a Polícia Civil solicitou à Justiça a expedição de mandados de prisão temporária e de busca domiciliar contra os quatro irmãos. As ordens judiciais foram cumpridas na quinta-feira (5), durante uma operação que mobilizou nove policiais civis e três viaturas. As equipes realizaram diligências nos endereços investigados, buscando localizar os suspeitos e recolher materiais que pudessem comprovar o funcionamento do ponto de comercialização de entorpecentes.

Durante as buscas, os policiais encontraram diversas porções de crack, incluindo pedras já preparadas para comercialização e uma quantidade maior da droga ainda não fracionada. Ao todo, foram apreendidos 101,97 gramas do entorpecente. Segundo estimativa apresentada nas informações relacionadas à operação, parte do material poderia ser utilizada para preparar mais de 300 pedras destinadas à venda. O exame preliminar realizado no conteúdo apreendido identificou a presença de cocaína na forma de crack.

Além das drogas, as equipes localizaram balança de precisão, recipientes e materiais utilizados para fracionamento e acondicionamento de entorpecentes. Esses objetos foram recolhidos e passaram a integrar o conjunto de evidências reunidas pela investigação. A Polícia Civil considera que os materiais encontrados reforçam a suspeita de que o imóvel era utilizado para preparar e comercializar drogas, embora a responsabilidade individual de cada investigado ainda dependa da análise dos elementos reunidos.

A operação também resultou na apreensão de um veículo Mitsubishi Outlander, que seria utilizado por um dos investigados, mas estava registrado em nome de outra pessoa. Segundo a Polícia Civil, os quatro irmãos não possuíam atividade profissional formal identificada durante as apurações. Diante dessa circunstância, os investigadores passaram a considerar a necessidade de verificar a origem dos recursos utilizados para a aquisição do automóvel e a possibilidade de existência de movimentações financeiras relacionadas ao tráfico de drogas.

A eventual prática de lavagem de dinheiro, entretanto, ainda não foi comprovada. A Polícia Civil deverá aprofundar a investigação sobre a procedência do veículo e os recursos envolvidos em sua aquisição, buscando esclarecer se existe alguma relação entre o patrimônio identificado e a comercialização de entorpecentes. Até as informações divulgadas, não havia confirmação de que o automóvel tivesse sido comprado com dinheiro proveniente de atividades ilícitas.

Os quatro irmãos foram presos durante o cumprimento dos mandados judiciais e também autuados em flagrante pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. A autoridade policial responsável pelo caso formalizou os procedimentos e solicitou à Justiça a conversão das prisões em preventivas, medida que poderá ser analisada conforme os elementos apresentados na investigação. Até a última atualização, não havia confirmação pública de decisão definitiva sobre esses pedidos.

A Operação Laços de Sangue representa um novo desdobramento das investigações iniciadas com a Operação Cobra Criada, que já havia direcionado a atenção da Polícia Civil para atividades relacionadas ao tráfico de drogas em Ilhabela. O ponto conhecido como “Biqueira da Pingo” já havia sido alvo de outras ações policiais, mas a investigação mais recente concentrou esforços na identificação dos responsáveis pela organização e manutenção da venda de crack.

A Polícia Civil informou que as apurações continuarão para identificar possíveis outros envolvidos na estrutura de abastecimento e distribuição dos entorpecentes. Entre os pontos que poderão ser analisados estão a origem das drogas apreendidas, a participação individual de cada suspeito e eventuais vínculos com outras pessoas relacionadas à atividade investigada.

Até as informações disponíveis, os nomes e as idades dos quatro irmãos não haviam sido divulgados publicamente. Também não havia confirmação de novas prisões relacionadas à operação ou de outros pontos de comercialização de drogas atingidos pelas diligências. Os investigados permanecem sujeitos aos procedimentos judiciais, com direito à defesa e à presunção de inocência.

Polícia prende quatro e desarticula ponto de venda de crack em Ilhabela. Foto: Polícia Civil

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