MPOX AVANÇA NO VALE DO PARAÍBA E LITORAL NORTE COM SEIS CASOS CONFIRMADOS; SÃO PAULO JÁ REGISTRA 300 INFECÇÕES EM 2026
A mpox, doença viral anteriormente conhecida como varíola dos macacos, já teve seis casos confirmados em três municípios do Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo em 2026. Os registros estão concentrados em São José dos Campos, Taubaté e Ilhabela, conforme levantamento divulgado nesta sexta-feira (6) pelo Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (NIES), vinculado à Secretaria de Estado da Saúde. Em todo o território paulista, o número chegou a 300 casos neste ano, enquanto o Brasil contabiliza 665 infecções. Apesar dos diagnósticos, não foram registradas mortes pela doença na região ou no estado. Diante do cenário nacional, o Ministério da Saúde autorizou a aquisição de mais 20 mil doses da vacina contra a mpox, destinadas à continuidade da imunização dos grupos com maior risco de complicações.
São José dos Campos lidera os registros regionais, com três casos confirmados, representando metade das ocorrências identificadas no Vale do Paraíba e Litoral Norte. Taubaté aparece em seguida, com dois diagnósticos, enquanto Ilhabela, no Litoral Norte, contabiliza um caso. Todos os seis pacientes são homens, sendo três com idades entre 30 e 34 anos, um entre 20 e 24 anos, outro entre 35 e 39 anos e um com mais de 60 anos. As autoridades sanitárias não divulgaram informações sobre os bairros onde ocorreram os diagnósticos, possíveis internações ou a situação clínica atual dos pacientes.
A presença da doença na região acompanha os registros estaduais e nacionais monitorados pelas autoridades de saúde. Segundo os dados apresentados pelo NIES, o estado de São Paulo contabilizou 1.134 casos de mpox em 2024 e 423 em 2025. Já em 2026, até o levantamento divulgado em novembro, foram confirmadas 300 infecções. Os números indicam redução em relação aos anos anteriores, embora o total deste ano ainda seja parcial. Não houve registro de mortes pela doença no estado em nenhum dos três períodos informados.
No cenário nacional, o Ministério da Saúde divulgou um balanço de 665 casos confirmados em 2026. O número representa uma redução expressiva em comparação com 2022, quando o Brasil registrou mais de 10 mil infecções durante a expansão da doença. Mesmo diante da diminuição, o Governo Federal mantém ações de vigilância epidemiológica e prevenção, principalmente entre pessoas com maior risco de desenvolver manifestações graves.
Na quinta-feira (5), o Ministério da Saúde autorizou a aquisição de 20 mil doses adicionais da vacina contra a mpox, por meio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A medida tem como objetivo recompor os estoques estratégicos do país e assegurar a continuidade da vacinação dos públicos prioritários. A imunização não é destinada indiscriminadamente a toda a população, sendo direcionada a grupos definidos pelas autoridades sanitárias conforme o risco de exposição e de desenvolvimento de complicações.
Entre os grupos prioritários estão pessoas vivendo com HIV ou aids que apresentam imunossupressão importante, especialmente aquelas com contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células por milímetro cúbico. A estratégia de vacinação também contempla profissionais de laboratórios que trabalham com Orthopoxvírus e pessoas que tiveram contato direto de risco médio ou alto com casos suspeitos ou confirmados, conforme os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. O esquema vacinal prevê duas doses, com intervalo de 28 dias, podendo haver indicação de vacinação após exposição ao vírus, de acordo com avaliação dos serviços de saúde.
A mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus MPXV, pertencente ao gênero Orthopoxvirus. A transmissão entre pessoas ocorre principalmente pelo contato direto e prolongado com lesões na pele, mucosas e secreções de indivíduos infectados. O vírus também pode ser transmitido durante relações sexuais e pelo compartilhamento de objetos contaminados, como roupas, toalhas e materiais de uso pessoal. A doença não está restrita a uma orientação sexual ou grupo específico, podendo atingir qualquer pessoa exposta ao vírus.
Os sintomas mais característicos incluem o aparecimento de lesões na pele e nas mucosas, que podem surgir no rosto, nas mãos, nos pés, na boca e nas regiões genital e anal. As manifestações também podem ser acompanhadas de febre, dores musculares, dor de cabeça, calafrios, fraqueza e aumento dos linfonodos, popularmente conhecidos como ínguas. O período entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas costuma variar de três a 16 dias, podendo chegar a 21 dias em determinadas situações.
As lesões provocadas pela mpox podem apresentar diferentes estágios de evolução e causar desconforto, dor ou irritação. Em alguns pacientes, os sintomas são leves e desaparecem após algumas semanas, enquanto outros podem desenvolver complicações que exigem acompanhamento médico. Pessoas com imunossupressão apresentam maior vulnerabilidade às formas graves da doença, razão pela qual recebem atenção especial nas estratégias de prevenção e imunização.
O diagnóstico é realizado por avaliação médica e exames laboratoriais específicos para identificação do vírus. Pessoas que apresentarem sintomas compatíveis com a mpox devem procurar uma unidade de saúde, evitar contato físico próximo com outras pessoas e não compartilhar objetos pessoais até receberem orientação adequada. Quando a infecção é confirmada, o isolamento deve ser mantido conforme as recomendações médicas, geralmente até a cicatrização completa das lesões e formação de uma nova camada de pele.
Embora os números chamem a atenção para a presença da mpox no Vale do Paraíba e Litoral Norte, os seis casos informados representam o acumulado de janeiro a novembro de 2026, não significando que todos os pacientes estejam atualmente infectados ou que exista um surto regional. Até a divulgação do levantamento, não havia informações sobre novos diagnósticos além dos três registrados em São José dos Campos, dois em Taubaté e um em Ilhabela. Também não foram anunciadas medidas extraordinárias de restrição ou suspensão de atividades nesses municípios em razão dos registros apresentados.


