Quarta-feira, Outubro 28, 2026
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ALERTA DE SAÚDE EM SÃO PAULO: DOENÇA TRANSMITIDA POR RATOS JÁ MATOU 101 PESSOAS E TEM LETALIDADE DE 51%; VEJA OS SINTOMAS


Uma doença que pode ser contraída sem que a pessoa sequer encoste em um rato e que apresenta uma taxa de letalidade superior a 50% entre os casos confirmados colocou as autoridades de saúde de São Paulo em alerta. A hantavirose, infecção viral transmitida principalmente pela inalação de partículas contaminadas pela urina, fezes ou saliva de roedores silvestres infectados, já provocou 101 mortes no estado desde 2007. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde, foram confirmados 199 casos nesse período, o que representa uma letalidade de aproximadamente 51%. Somente em 2026, até setembro, quatro pessoas tiveram a doença confirmada e uma morreu. Diante da gravidade dos quadros registrados, o Governo de São Paulo reforçou as orientações sobre prevenção, identificação dos sintomas e necessidade de atendimento médico rápido.

O alerta foi divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde na segunda-feira (26), com o objetivo de chamar a atenção para os riscos da hantavirose e a importância da identificação precoce de pessoas infectadas. Embora seja considerada uma doença rara, a infecção pode provocar complicações graves, principalmente nos sistemas respiratório e cardiovascular. Em determinadas situações, a evolução acontece rapidamente, exigindo atendimento hospitalar especializado. Os números apresentados pelo governo correspondem ao histórico estadual desde 2007 e não significam que exista atualmente um surto em todas as regiões de São Paulo.

Um dos principais perigos está na forma como ocorre a transmissão. Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, não é necessário sofrer uma mordida ou ter contato físico direto com um roedor para contrair a doença. O vírus pode estar presente em partículas provenientes da urina, das fezes e da saliva de animais silvestres infectados. Quando esses resíduos secam e são movimentados, podem se misturar à poeira e permanecer suspensos no ar. Ao respirar essas partículas, uma pessoa pode ser infectada, especialmente em ambientes fechados ou com pouca ventilação.

Galpões, depósitos, paióis, silos, construções rurais e imóveis que permanecem fechados por longos períodos estão entre os locais que exigem atenção. A presença de roedores ou de vestígios desses animais pode representar risco durante atividades de limpeza, organização e manuseio de materiais armazenados. Uma situação particularmente perigosa é varrer a seco um ambiente contaminado, pois o movimento pode levantar poeira contendo partículas virais. Por esse motivo, as autoridades sanitárias recomendam evitar procedimentos que espalhem resíduos pelo ar.

No Brasil, a hantavirose pode provocar a chamada Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, conhecida pela sigla SCPH. A condição compromete principalmente os pulmões e o funcionamento cardiovascular, podendo causar acúmulo de líquido nos pulmões, dificuldade respiratória intensa, queda da pressão arterial e alterações na circulação sanguínea. Em quadros graves, o paciente pode necessitar de internação em Unidade de Terapia Intensiva e suporte respiratório. A rapidez com que as complicações podem surgir é um dos fatores que tornam a doença especialmente preocupante.

Os primeiros sintomas nem sempre indicam imediatamente a presença de hantavirose. Febre, dor de cabeça, dores musculares, mal-estar, cansaço intenso, náuseas, vômitos e desconforto abdominal estão entre as manifestações iniciais. Como esses sinais também aparecem em outras infecções, a doença pode ser confundida com enfermidades mais comuns. Com a evolução do quadro, podem surgir tosse e falta de ar, manifestações que exigem avaliação médica urgente, principalmente quando existe histórico de exposição a locais frequentados por roedores.

Outro detalhe importante é que os sintomas podem demorar a aparecer. Segundo o Ministério da Saúde, o período entre a infecção e o início das manifestações pode variar de três a 60 dias, com média de uma a cinco semanas. Isso significa que uma pessoa pode ter entrado em contato com partículas contaminadas durante a limpeza de um galpão, depósito ou imóvel fechado e apresentar sinais da doença somente semanas depois. Por isso, ao procurar atendimento, é fundamental informar ao profissional de saúde qualquer exposição recente a ambientes com presença ou vestígios de roedores silvestres.

A hantavirose não possui tratamento antiviral específico de uso rotineiro. O atendimento médico é direcionado ao suporte das funções do organismo e ao controle das complicações, de acordo com a gravidade de cada paciente. Nos quadros mais graves, podem ser necessários oxigenação, assistência respiratória e acompanhamento intensivo da pressão arterial e da circulação sanguínea. A Secretaria de Estado da Saúde ressalta que a identificação precoce dos casos suspeitos é fundamental para permitir a avaliação adequada e a adoção das medidas necessárias.

A prevenção começa com cuidados básicos dentro e fora das residências. Manter quintais limpos, evitar o acúmulo de entulhos, armazenar alimentos e rações em recipientes bem fechados e vedar frestas que permitam a entrada de roedores são algumas das medidas recomendadas. Também é importante impedir que restos de alimentos fiquem expostos, principalmente em propriedades rurais, depósitos e construções próximas a áreas de vegetação.

Em imóveis fechados ou ambientes com sinais de presença de roedores, a orientação é permitir a ventilação antes de iniciar qualquer atividade de limpeza. O Ministério da Saúde recomenda que locais fechados sejam ventilados por pelo menos 30 minutos. Também é necessário evitar varrer ou aspirar a seco os resíduos suspeitos. A limpeza deve seguir procedimentos de umedecimento e desinfecção adequados, com utilização de equipamentos de proteção conforme o risco. Quando houver grande quantidade de fezes, urina ou outros indícios de infestação, a orientação de profissionais especializados é especialmente importante.

Trabalhadores rurais, agricultores e pessoas que realizam atividades em galpões, depósitos e locais de armazenamento de grãos estão entre os grupos que podem apresentar maior exposição. Entretanto, a doença não está restrita à zona rural. O risco também pode existir em imóveis urbanos ou construções próximas a áreas com presença de roedores silvestres, dependendo das condições de contaminação. A principal preocupação das autoridades é evitar que pessoas tenham contato com partículas virais durante atividades aparentemente simples do cotidiano.

A Secretaria de Estado da Saúde também reforçou a importância da vigilância epidemiológica. A hantavirose é uma doença de notificação compulsória imediata, o que significa que os serviços de saúde devem comunicar os casos suspeitos às autoridades sanitárias em até 24 horas. Após a notificação, são realizados procedimentos para investigar as circunstâncias da exposição, identificar possíveis locais de infecção e encaminhar exames para confirmação laboratorial. Essas informações auxiliam na orientação das medidas preventivas e no acompanhamento da ocorrência de novos casos.

Apesar da gravidade dos números apresentados, é importante esclarecer que a taxa de letalidade de aproximadamente 51% corresponde aos 199 casos confirmados entre 2007 e setembro de 2026, dos quais 101 terminaram em morte. No recorte específico deste ano, até setembro, foram registrados quatro casos e um óbito. O comunicado estadual não detalhou os municípios onde ocorreram essas infecções, e não há confirmação, nas informações divulgadas, de um surto atual no Vale do Paraíba.

Diante de febre, dores pelo corpo, mal-estar ou sintomas respiratórios após exposição a ambientes com vestígios de roedores silvestres, a recomendação das autoridades é procurar atendimento médico e informar as circunstâncias do possível contato. A atenção deve ser ainda maior quando surgirem falta de ar, piora rápida do estado geral ou dificuldade respiratória. O reconhecimento dos sinais e a busca por assistência médica são medidas essenciais diante de uma infecção que, mesmo pouco frequente, apresenta elevado risco de complicações graves.

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