Sexta-feira, Outubro 23, 2026
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POLÍCIA FAZ DEVASSA EM SALÃO DE BELEZA, ENCONTRA MEDICAMENTOS IRREGULARES E PRENDE DUAS MULHERES EM RESENDE


Uma fiscalização em um salão de beleza terminou com duas mulheres presas em flagrante e a apreensão de medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no bairro Vila Julieta, em Resende, no Sul Fluminense. A operação, realizada na tarde de quarta-feira (21), por policiais civis da 89ª Delegacia de Polícia, em conjunto com a Vigilância Sanitária, revelou a presença de frascos de medicamentos, seringas, embalagens vazias e outros materiais que levantaram suspeitas sobre a comercialização e possível aplicação irregular de substâncias no estabelecimento. Entre os objetos recolhidos estava uma embalagem vazia identificada como tirzepatida, princípio ativo utilizado em medicamentos indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 e, em determinadas apresentações, para controle do peso.

A ação policial foi desencadeada após uma denúncia sobre a suposta comercialização e aplicação de medicamentos fora das normas sanitárias. Diante das informações recebidas, equipes da Polícia Civil e da Vigilância Sanitária realizaram uma fiscalização no estabelecimento para verificar a procedência dos produtos e as condições em que estariam sendo armazenados e utilizados. Durante a inspeção, foram encontrados quatro frascos contendo medicamentos apontados como irregulares, além de seringas e embalagens que passaram a integrar o material recolhido. A presença desses produtos motivou o aprofundamento da investigação, principalmente pela possibilidade de estarem sendo utilizados ou disponibilizados a clientes sem o cumprimento das exigências sanitárias.

Segundo as informações registradas pela Polícia Civil, as duas mulheres abordadas durante a fiscalização afirmaram inicialmente que os medicamentos encontrados seriam destinados ao próprio consumo. Entretanto, durante os esclarecimentos prestados aos policiais, elas teriam admitido que adquiriam os produtos em grandes quantidades e os dividiam com clientes para reduzir os custos. A declaração passou a ser considerada na apuração da possível distribuição irregular de medicamentos. Até o momento, não foi divulgado quantas pessoas teriam recebido os produtos, se houve cobrança pelos medicamentos compartilhados ou se foram realizadas aplicações no interior do salão.

A apreensão de uma embalagem vazia com identificação de tirzepatida chamou a atenção para a possível presença de medicamentos associados ao tratamento de diabetes e ao controle do peso. A substância ganhou espaço no mercado farmacêutico nos últimos anos e integra medicamentos cuja utilização depende de acompanhamento médico e do cumprimento de regras sanitárias. Entretanto, a apreensão da embalagem não comprova que os quatro frascos recolhidos continham tirzepatida. A composição dos produtos, seus fabricantes e sua procedência ainda precisam ser confirmados por meio das análises pertinentes.

Além dos quatro frascos de medicamentos, os agentes apreenderam duas seringas, embalagens, dois aparelhos celulares e uma máquina de cartão. Os materiais foram encaminhados à 89ª Delegacia de Polícia de Resende, juntamente com as duas investigadas. Os aparelhos eletrônicos e os demais objetos poderão contribuir para esclarecer a origem dos produtos, identificar eventuais fornecedores e verificar possíveis relações comerciais envolvendo os medicamentos. Não foram divulgados resultados de exames periciais, tampouco informações sobre eventuais transações identificadas nos equipamentos recolhidos.

A ocorrência também chama a atenção para os riscos relacionados à utilização de medicamentos injetáveis de procedência desconhecida ou sem controle sanitário adequado. A Anvisa já divulgou orientações sobre os perigos da preparação, do armazenamento e da aplicação de substâncias como a tirzepatida fora das condições exigidas pela legislação. Entre os possíveis problemas estão contaminação dos produtos, concentração inadequada do princípio ativo, presença de impurezas e complicações decorrentes de aplicações sem os cuidados necessários. Essas situações podem provocar reações adversas, infecções e outros problemas de saúde, especialmente quando não existe garantia sobre a origem e a qualidade do medicamento utilizado.

Apesar das irregularidades investigadas em Resende, é importante destacar que a tirzepatida não é uma substância proibida no Brasil. Existem medicamentos regularizados que contêm esse princípio ativo e podem ser utilizados conforme as indicações aprovadas e sob orientação profissional. A investigação conduzida pela Polícia Civil está relacionada à suspeita de circulação e utilização de medicamentos sem registro ou sem o cumprimento das exigências sanitárias. A existência de uma embalagem identificada como tirzepatida no salão, isoladamente, não permite concluir que as mulheres comercializavam versões falsificadas ou clandestinas desse medicamento específico.

As duas suspeitas foram conduzidas à delegacia e presas em flagrante em uma ocorrência registrada com referência ao artigo 273 do Código Penal. O dispositivo trata de crimes relacionados à falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais e também contempla determinadas situações envolvendo produtos sem regularização sanitária. A aplicação do enquadramento legal ao caso dependerá da análise das circunstâncias, da natureza dos materiais apreendidos e dos demais elementos reunidos durante a investigação. As identidades das mulheres e o nome comercial do estabelecimento não foram divulgados nas informações disponibilizadas sobre a operação.

A Polícia Civil deverá prosseguir com a apuração para esclarecer como os medicamentos chegaram ao salão, se eram efetivamente repassados a clientes e se havia aplicações realizadas no estabelecimento. Também não foram divulgadas informações sobre possíveis pessoas atendidas, eventuais reações adversas ou a existência de outros envolvidos no fornecimento dos produtos. Até sexta-feira (23), não havia confirmação pública sobre a conclusão das análises dos medicamentos, nem atualização sobre a situação judicial das duas mulheres após a prisão em flagrante.

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