“MEU FILHO MORREU PORQUE TINHA UMA MÁQUINA PARADA SEM SINALIZAÇÃO”: MÃE DE ROGER COBRA RESPOSTAS APÓS ACIDENTE EM SÃO JOSÉ
A morte do motociclista Roger Eduardo do Prado, de 41 anos, em um acidente envolvendo uma motocicleta e um trator equipado com roçadeira no Anel Viário de São José dos Campos, ganhou um novo capítulo após o desabafo público da mãe da vítima. Em uma manifestação feita nas redes sociais, ela questionou as condições de sinalização do equipamento envolvido na colisão e cobrou explicações sobre o que teria acontecido momentos antes da batida que terminou com a morte do filho na manhã de quinta-feira, 15 de outubro.
Roger pilotava uma Royal Enfield Meteor vermelha pela Avenida Florestan Fernandes, nas proximidades do acesso à Avenida Comendador de Paula Penido, na região do Jardim Serimbura, no sentido Avenida Bacabal. O acidente aconteceu por volta das 7h26 e envolveu a parte traseira de um trator Massey Ferguson que transportava uma roçadeira acoplada. O equipamento era conduzido por um funcionário ligado ao serviço urbano do município.
A repercussão do caso aumentou depois que uma mulher que se identificou como mãe de Roger comentou uma reportagem sobre o acidente e apresentou uma versão diferente daquela registrada inicialmente no boletim de ocorrência. Segundo ela, o equipamento estaria parado na avenida e sem sinalização adequada, situação que, na avaliação da família, precisa ser esclarecida pelas autoridades responsáveis.
“Quem está escrevendo sou eu, a mãe do Roger. Meu filho morreu porque tinha uma máquina parada sem sinalização. A Prefeitura, seja quem for, vai ter que me dar uma satisfação”, escreveu.
Na mesma manifestação, ela questionou o tratamento que seria dado a qualquer motorista que deixasse um veículo parado de forma irregular naquele trecho e afirmou acreditar que a investigação irá esclarecer o caso.
“Se eu estivesse com meu carro parado ali, sem sinalização, me guinchavam e me multavam. A justiça vai ser feita, eu creio”, desabafou.
A fala da mãe colocou no centro da discussão justamente um dos pontos que a Polícia Civil deverá esclarecer: a condição em que o trator estava no momento da colisão. Enquanto a família sustenta que a máquina estaria parada e sem a sinalização necessária, o boletim de ocorrência registra que o trator estaria em deslocamento pela faixa da direita e com os dispositivos de sinalização acionados.
Segundo o registro policial, o operador do equipamento declarou que trafegava normalmente pela via quando sentiu um impacto na parte traseira da roçadeira. Ao parar o trator, teria percebido que uma motocicleta havia atingido o equipamento acoplado. Essa versão será analisada em conjunto com os demais elementos levantados no local, incluindo perícia, depoimentos e eventuais registros de câmeras de segurança.
Testemunhas ouvidas inicialmente também teriam informado à polícia que Roger estaria trafegando entre os veículos momentos antes da batida. A Prefeitura, nas primeiras informações divulgadas sobre o caso, apontou ainda a possibilidade de o motociclista estar em velocidade elevada e realizando movimentações entre os carros. Essas informações, no entanto, ainda não representam uma conclusão oficial sobre a dinâmica nem definem responsabilidade pelo acidente.
A divergência entre o relato da família e o conteúdo do boletim torna a apuração ainda mais importante. A investigação deverá verificar se o trator estava efetivamente em movimento ou parado, se os dispositivos de sinalização estavam ligados, se havia cones, luzes de advertência, sinalização de solo ou qualquer outro recurso capaz de alertar os demais motoristas e motociclistas sobre a presença do equipamento.
Outro ponto que poderá ser analisado é a própria configuração do trator com a roçadeira acoplada. O conjunto possui dimensões diferentes de um veículo comum, e a investigação poderá verificar se havia exigências específicas para sua circulação naquele trecho, especialmente por se tratar de uma avenida movimentada e utilizada por grande fluxo de veículos no início da manhã.
Depois da colisão, Roger foi encontrado caído no asfalto e inconsciente. Equipes de emergência foram acionadas e um médico da unidade de suporte avançado realizou procedimentos de reanimação ainda no local. Apesar das tentativas, a morte foi constatada às 7h45.
A área foi preservada para o trabalho da perícia técnica. Os peritos deverão analisar a posição final da motocicleta e do equipamento, possíveis marcas de frenagem, danos na roçadeira, danos na moto e outros vestígios que possam contribuir para a reconstrução do acidente. A existência de imagens de câmeras de segurança ou de monitoramento viário também poderá ajudar a esclarecer os segundos anteriores ao impacto.
A ocorrência foi registrada na Central de Polícia Judiciária como homicídio culposo na direção de veículo automotor e encaminhada ao distrito policial responsável pela sequência da investigação. Esse enquadramento inicial faz parte do registro da ocorrência e não significa que já tenha sido definida a responsabilidade de qualquer pessoa envolvida.
A Polícia Civil deverá ouvir novamente testemunhas e demais pessoas que possam contribuir com informações sobre as condições do trânsito naquele momento, o posicionamento do trator e a movimentação da motocicleta. O operador do equipamento também deverá ter sua versão confrontada com os elementos técnicos produzidos pela perícia.
A mãe de Roger, por outro lado, deixou claro que pretende cobrar respostas. O desabafo feito por ela mostra que a família quer saber exatamente quais eram as condições do equipamento na pista e se havia ou não sinalização suficiente para alertar quem trafegava pelo Anel Viário naquele horário.
A morte provocou grande comoção entre familiares, amigos e pessoas que acompanhavam o caso. Roger foi velado no Velório Municipal de Santana e sepultado na sexta-feira, 16 de outubro, às 10h, no Cemitério Municipal Maria Peregrina, em São José dos Campos.
Até o momento, as circunstâncias da colisão ainda não foram totalmente esclarecidas. De um lado, o boletim de ocorrência aponta que o trator estava em deslocamento e sinalizado. De outro, a mãe de Roger afirma que a máquina estava parada e sem sinalização adequada. Caberá à investigação determinar qual situação efetivamente existia no momento da batida.
O resultado da perícia, os depoimentos, possíveis imagens e a análise das condições de circulação do equipamento deverão ser fundamentais para esclarecer o que aconteceu naquela manhã e responder às dúvidas levantadas pela família sobre a morte de Roger.


