Quinta-feira, Outubro 15, 2026
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DIA DAS CRIANÇAS TERMINA EM TRAGÉDIA: RENAN, DE 12 ANOS, MORRE AFOGADO E FAMÍLIA QUESTIONA SEGURANÇA EM PARQUE DE MG


O que deveria ser um dia de lazer terminou em tragédia em Lambari, no Sul de Minas. Renan Guilherme dos Santos, de 12 anos, morreu após se afogar na piscina olímpica do Parque Wenceslau Brás durante uma programação realizada no Dia das Crianças. A morte do adolescente passou a ser investigada pela Polícia Civil e abriu uma série de questionamentos da família sobre a estrutura de segurança disponível no local, o acesso à piscina e a demora no atendimento de emergência.

A tia de Renan, Maria Luiza Guilherme, afirmou que o sobrinho não sabia nadar e criticou a ausência de uma ambulância posicionada no parque durante a realização do evento. Para a família, uma atividade voltada ao público infantil deveria contar com uma estrutura permanente de emergência para situações graves.

“Se era um evento, tinha que ter ambulância ali, direto. Porque estava lidando com vida, com criança. Quando eles fazem carnaval, fica ambulância lá. Quando faz qualquer evento, show, tem ambulância lá. E por que não tinha?”, questionou Maria Luiza.

O boletim de ocorrência da Polícia Militar aponta que Renan entrou na piscina em mais de uma ocasião. Segundo testemunhas, ele chegou a ser retirado da água duas vezes, uma por um guarda-vidas e outra por um bombeiro civil. Pouco tempo depois, outras crianças perceberam que o adolescente estava novamente submerso e começaram a pedir ajuda.

A partir daquele momento, teve início uma tentativa desesperada de reanimação. Os socorristas realizaram manobras por aproximadamente 20 minutos ainda no parque, enquanto buscavam uma forma de encaminhar o menino para atendimento médico.

O registro policial indica que houve dificuldade para conseguir atendimento imediato do Samu. Uma ambulância estava empenhada em outra ocorrência em Três Corações, enquanto a equipe de São Lourenço não conseguiria chegar ao local em tempo considerado adequado.

Depois de novas tentativas de socorro, uma ambulância da Prefeitura de Lambari, acompanhada por uma médica plantonista, foi enviada ao parque. Renan foi levado para uma unidade de saúde, mas chegou sem sinais vitais. As tentativas de reanimação continuaram, porém a morte foi confirmada.

O corpo do adolescente foi encaminhado ao Instituto Médico Legal de Três Corações para os procedimentos periciais e posteriormente liberado para sepultamento.

A família também questiona as condições de acesso à piscina. Maria Luiza afirmou que o sobrinho não sabia nadar e chamou atenção para a profundidade do local. Para ela, uma barreira física poderia ter impedido que Renan entrasse na área.

“Ele não sabia nadar. E foi pular na piscina que falam que tem 4, 5 metros de fundura. Mas se tivesse posto uma tela lá, ele ia ver que estava a tela e não ia pular. Então, eu acho muita negligência”, afirmou.

Um dos pontos que agora precisam ser esclarecidos é justamente a situação da piscina naquele dia. O boletim policial e reportagens iniciais mencionaram que o local estaria interditado. A Prefeitura de Lambari, entretanto, apresentou uma versão diferente.

Segundo o secretário municipal de Cultura e Turismo, Fábio Augusto, a piscina não estava formalmente interditada. De acordo com a administração municipal, existia apenas uma orientação interna e preventiva para evitar o uso do espaço em razão das chuvas registradas anteriormente na cidade.

Essa divergência passou a integrar o conjunto de circunstâncias que deverão ser analisadas na investigação. Será necessário esclarecer como estava sendo feito o controle de acesso à piscina, quais orientações haviam sido repassadas aos responsáveis pelo parque e quais medidas estavam em vigor naquele momento.

Outro ponto registrado pela Polícia Militar envolve a chegada de Renan ao parque. Segundo relato do porteiro, o adolescente teria entrado acompanhado do pai por volta do meio-dia. Ainda conforme o registro, o responsável teria se ausentado por aproximadamente meia hora.

Quando retornou, encontrou o filho sendo socorrido pelas equipes. Até o momento, não há informação pública indicando responsabilização criminal do pai, e as circunstâncias deverão ser analisadas dentro da investigação.

A programação no parque fazia parte das atividades relacionadas ao Dia das Crianças. O município havia divulgado acesso gratuito para crianças e adolescentes de até 14 anos, com recomendação de acompanhamento por responsáveis.

A Prefeitura de Lambari informou que havia um bombeiro civil e um guarda-vidas trabalhando no local e afirmou que o número de profissionais era compatível com a quantidade de pessoas presentes.

Sobre a ausência de ambulância permanente, o município informou que não existe obrigatoriedade de manter esse tipo de veículo disponível durante atividades rotineiras realizadas no parque. A administração afirmou ainda que o Samu foi acionado e que, diante da impossibilidade de atendimento imediato, uma ambulância própria da prefeitura foi utilizada no socorro.

O município também lamentou a morte do adolescente e informou que presta suporte à família.

A Polícia Civil assumiu a investigação e deverá analisar depoimentos, documentos, registros do parque e os resultados da perícia. Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão as condições de segurança disponíveis no momento do afogamento, a situação da piscina, o funcionamento do sistema de emergência e a dinâmica exata dos momentos que antecederam a morte.

A investigação também deverá determinar se houve falha em procedimentos de segurança ou se alguma conduta pode ter contribuído para o desfecho. Até agora, não há conclusão oficial sobre eventual responsabilidade criminal ou administrativa.

Enquanto a apuração continua, a família busca respostas para entender como uma programação destinada às crianças terminou com a morte de Renan aos 12 anos.

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