DEPOIS DE MAIS DE QUATRO ANOS PRESA NA TAILÂNDIA, MARY HELLEN VOLTA AO BRASIL E TENTA RECOMEÇAR A VIDA
Depois de mais de quatro anos presa na Tailândia por tráfico internacional de drogas, a brasileira Mary Hellen Coelho Silva, de Pouso Alegre, no Sul de Minas, está de volta ao Brasil. A informação foi confirmada pela defesa nesta quarta-feira, 14 de outubro. A data exata do retorno não foi divulgada, mas, segundo a advogada responsável pelo caso, Mary Hellen agora tenta reconstruir a vida ao lado da família depois de um período marcado por prisão, dificuldades de comunicação e perdas pessoais.
Mary Hellen foi presa em fevereiro de 2022, no aeroporto de Bangkok, em uma operação envolvendo brasileiros encontrados com cocaína escondida em compartimentos de malas. No episódio, a dupla da qual ela fazia parte foi associada ao transporte de cerca de 9 quilos da droga, enquanto um terceiro brasileiro foi detido horas depois com outros 6 quilos.
Poucos meses depois da prisão, em maio de 2022, Mary Hellen foi condenada pela Justiça tailandesa a 9 anos e 6 meses de prisão. Durante o processo, ela se declarou culpada e, segundo os advogados que acompanhavam o caso, admitiu ter atuado como “mula” do tráfico.
A condenação ganhou ampla repercussão no Brasil por causa da rigidez da legislação tailandesa para crimes relacionados às drogas. Desde o início, a família e a defesa acompanharam o caso de perto, tentando compreender o sistema judicial local e buscar alternativas legais para reduzir a pena.
Ao longo dos anos seguintes, Mary Hellen obteve benefícios que contribuíram para a redução do período de cumprimento da sentença. Um dos mais relevantes foi o chamado Perdão Real, que eliminou uma multa de 750 mil baht, valor que na época equivalia a aproximadamente R$ 105 mil.
Segundo a defesa, o bom comportamento da brasileira dentro do sistema prisional também foi considerado para novas reduções. Em abril deste ano, os advogados já demonstravam expectativa de que a pena pudesse ser encerrada ainda no primeiro semestre de 2026.
A fase final do caso, porém, também foi marcada por dificuldades. A advogada Kaelly Cavoli Moreira afirmou que enfrentou problemas para obter informações atualizadas sobre a situação de Mary Hellen na Tailândia e relatou que o contato direto com a brasileira ficou praticamente inexistente em determinado período.
De acordo com a defesa, a comunicação era feita anteriormente por chamadas de vídeo intermediadas pela Embaixada do Brasil em Bangkok, mas esse suporte teria sido interrompido. Os advogados relataram ainda obstáculos relacionados ao idioma, ao fuso horário e às diferenças entre os sistemas jurídicos brasileiro e tailandês.
O Ministério das Relações Exteriores, por outro lado, informou que acompanhou o caso desde 2022 e que prestou assistência consular à brasileira por meio da Embaixada do Brasil em Bangkok. O Itamaraty afirmou que esse atendimento incluiu visitas periódicas, auxílio material quando necessário e contato com autoridades prisionais.
Agora, com o retorno ao Brasil confirmado, Mary Hellen inicia uma nova fase. Segundo a defesa, ela está com familiares e tenta retomar a vida depois de tudo o que aconteceu desde a prisão.
O período em que permaneceu detida também foi marcado por perdas importantes. Mary Hellen perdeu a mãe e o avô enquanto estava presa no exterior, acontecimentos que aumentaram ainda mais o impacto emocional dos anos de encarceramento longe de casa.
Antes da prisão, familiares chegaram a relatar que Mary Hellen trabalhava em uma churrascaria, havia deixado o emprego pouco antes da viagem e tinha planos de retomar os estudos e abrir um negócio de bolos com a irmã. A viagem à Tailândia teria sido a primeira experiência internacional da jovem.
O caso ganhou grande repercussão em 2022 também porque, no início, familiares e advogados diziam que Mary Hellen não sabia da existência da droga escondida nas malas. Posteriormente, durante o processo na Tailândia, ela se declarou culpada e admitiu participação no transporte.
Desde então, a defesa passou a concentrar esforços na redução da pena e na possibilidade de retorno ao Brasil. Com os benefícios concedidos ao longo dos anos e o encerramento do cumprimento da sentença, essa etapa finalmente chegou ao fim.
Mary Hellen deixa para trás um dos capítulos mais difíceis de sua vida e retorna ao país depois de mais de quatro anos presa em território estrangeiro. O novo momento, segundo a defesa, será de reconstrução junto à família e retomada da rotina longe do sistema prisional tailandês.


