MORRE HOMEM QUE MATOU LÍVIA BERTHOUD; ESTUDANTE TINHA MEDIDA PROTETIVA E ERA AMEAÇADA ATÉ POR MENSAGENS VIA PIX
Carlos Eduardo Barbosa Vieira, de 25 anos, morreu nesta terça-feira, 13 de outubro, no Hospital Penitenciário, em São Paulo. Ele estava preso preventivamente desde agosto pelo assassinato da ex-namorada Lívia Berthoud, de 23 anos, estudante de Direito da Universidade de Taubaté, morta a tiros em Pindamonhangaba. O caso teve forte repercussão no Vale do Paraíba por envolver uma sequência de ameaças, perseguição após o fim do relacionamento e uma medida protetiva concedida poucos dias antes do crime.
Lívia foi assassinada na manhã de 10 de agosto, quando saía de uma academia ligada à família, na região do Jardim Campo Alegre. Segundo as informações da investigação, ela percebeu a aproximação do ex-namorado e tentou fugir, mas foi perseguida e alcançada. A jovem acabou atingida por diversos disparos de arma de fogo em plena via pública.
Equipes do Samu foram acionadas para atender a ocorrência, mas Lívia não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local. O crime provocou grande comoção entre familiares, amigos, colegas de faculdade e pessoas que acompanhavam a trajetória da estudante.
Após o assassinato, Carlos Eduardo deixou o local e voltou para o próprio apartamento. A Polícia Militar iniciou buscas e chegou ao endereço depois de reunir informações sobre o suspeito e sobre a medida protetiva existente contra ele.
Quando os policiais se aproximaram do imóvel, Carlos efetuou um disparo contra si mesmo. Ele foi encontrado ferido, recebeu atendimento de emergência e foi encaminhado para uma unidade hospitalar sob custódia policial.
A arma apontada como utilizada no feminicídio foi apreendida pela polícia. Tratava-se de um revólver calibre .38, que passou a integrar o conjunto de provas reunidas durante a investigação.
Durante a apuração, outro detalhe chamou atenção. O boletim de ocorrência registrou que o nome de Lívia teria sido escrito com sangue em um espelho do banheiro do apartamento onde Carlos foi localizado. O material encontrado no imóvel passou a fazer parte da investigação sobre os acontecimentos posteriores ao crime.
A prisão em flagrante foi posteriormente convertida em preventiva pela Justiça. Carlos permaneceu internado sob custódia durante a recuperação dos ferimentos e, após apresentar melhora no quadro clínico, foi transferido para o Hospital Penitenciário em São Paulo.
Ele permaneceu no sistema penitenciário até esta terça-feira, quando a morte foi confirmada. Até o momento, não foram divulgados detalhes oficiais sobre a causa específica da morte.
A investigação do feminicídio também revelou que Lívia já vinha enfrentando uma situação de perseguição e ameaças antes do assassinato. Segundo familiares, ela e Carlos mantiveram um relacionamento por aproximadamente quatro anos.
Depois do término, a jovem teria passado a receber mensagens e ameaças do ex-namorado. Mesmo após bloquear Carlos nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens, ele teria encontrado outra forma de manter contato.
De acordo com relatos da família, Carlos realizava pequenas transferências bancárias via Pix e utilizava o campo de descrição das transações para enviar mensagens e ameaças. A estratégia teria sido utilizada para contornar os bloqueios feitos por Lívia.
Diante da escalada da situação, a estudante procurou as autoridades e registrou boletim de ocorrência. Uma medida protetiva de urgência foi concedida poucos dias antes do assassinato.
Mensagens divulgadas posteriormente mostraram que Lívia chegou a pedir diretamente para que o ex-namorado a deixasse em paz. Mesmo assim, na manhã do crime, ele teria esperado a estudante nas proximidades da academia e iniciado a perseguição que terminou com os disparos.
Lívia estudava Direito na Universidade de Taubaté e também realizava estágio no Tribunal de Justiça em Taubaté. Sua morte causou grande repercussão e voltou a colocar em destaque os riscos enfrentados por mulheres vítimas de perseguição e violência após o fim de relacionamentos.
Com a morte de Carlos Eduardo, o processo criminal deverá sofrer os efeitos jurídicos previstos para casos em que o acusado falece antes do encerramento da ação penal. A responsabilidade penal é pessoal e não pode prosseguir contra uma pessoa morta.
Os elementos reunidos durante a investigação, porém, permanecem registrados como parte do histórico do feminicídio de Lívia Berthoud e das circunstâncias que antecederam o crime.

