“NEGRINHA” E “MACACA”: PROFESSOR DE JUDÔ É CONDENADO POR INJÚRIA RACIAL CONTRA ATLETA DE SÃO JOSÉ
Quatro anos depois de uma denúncia feita durante os Jogos Abertos do Interior, o professor de judô Renan Augusto Furtado Rossi foi condenado por injúria racial contra a judoca Talita Libório, atleta que integrava a delegação de São José dos Campos. O caso aconteceu em outubro de 2022, durante a competição realizada em São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo, e voltou a ganhar repercussão após uma decisão judicial que reformou a absolvição registrada em primeira instância.
Segundo o processo, Talita relatou ter sido alvo de ofensas racistas logo após uma luta. Entre as expressões mencionadas pela atleta estavam “negrinha” e “macaca”, palavras que, de acordo com a acusação, teriam sido proferidas pelo professor, que fazia parte da delegação de Sorocaba. A denúncia provocou forte repercussão ainda durante os Jogos Abertos e levou o caso para além do ambiente esportivo.
Na época, Talita registrou boletim de ocorrência e a delegação de São José dos Campos também apresentou representação junto à organização da competição. A atleta relatou publicamente o impacto emocional provocado pelas ofensas e cobrou providências diante do episódio, destacando que esperava uma resposta compatível com a gravidade da situação.
O caso passou a ser acompanhado por entidades e autoridades e também repercutiu politicamente em São José dos Campos. Poucos dias depois da denúncia, a Câmara Municipal aprovou uma moção de repúdio à injúria racial relatada pela judoca, formalizando apoio à atleta e condenando manifestações de discriminação racial no ambiente esportivo.
Durante o andamento do processo, o professor chegou a ser absolvido em primeira instância. Essa decisão, porém, foi posteriormente reformada. No novo julgamento, a Justiça considerou que os depoimentos da vítima e das testemunhas reuniam elementos suficientes para reconhecer a prática de injúria racial.
Com a nova decisão, Renan Augusto Furtado Rossi foi condenado a 1 ano e 9 meses de reclusão. A pena privativa de liberdade, no entanto, foi substituída por prestação de serviços à comunidade, conforme estabelecido na decisão judicial.
Além da pena, o professor também deverá pagar R$ 5 mil de indenização a Talita Libório. O valor foi fixado como reparação pelos danos decorrentes das ofensas reconhecidas no julgamento.
Apesar da condenação, o processo ainda não chegou ao fim. A defesa de Renan informou que vai recorrer e sustenta a inocência do professor. Segundo os advogados, há testemunhas cujos relatos, na avaliação da defesa, contradizem a versão apresentada pela acusação.
Por isso, a condenação ainda não é definitiva. O processo continua sujeito à análise judicial em grau de recurso, e novas decisões ainda poderão ser tomadas antes de eventual trânsito em julgado.
O episódio ocorreu em 8 de outubro de 2022, durante o 84º Jogos Abertos Horácio “Baby” Barioni. Talita representava São José dos Campos e já possuía uma trajetória consolidada no judô. A denúncia, feita ainda durante a competição, ganhou repercussão entre atletas, dirigentes e autoridades.
Nos dias seguintes ao episódio, manifestações contra o racismo passaram a aparecer no ambiente dos Jogos. Faixas e mensagens de repúdio foram usadas como forma de reforçar a rejeição a comportamentos discriminatórios dentro do esporte, enquanto a atleta continuava cobrando providências formais.
Talita também realizou protestos durante a competição e afirmou que esperava uma resposta efetiva diante do caso. A situação gerou debate sobre a responsabilidade de organizações esportivas em casos envolvendo denúncias de discriminação racial e sobre a necessidade de proteção aos atletas.
Mesmo depois do episódio, a judoca continuou competindo e representando São José dos Campos em competições oficiais. A trajetória esportiva seguiu enquanto o processo judicial avançava lentamente ao longo dos anos.
Agora, com a nova decisão, o caso retorna ao centro das atenções quatro anos depois. A condenação representa uma mudança relevante em relação ao primeiro julgamento, mas o desfecho ainda depende da análise dos recursos anunciados pela defesa.
O episódio permanece como um dos casos de maior repercussão envolvendo denúncia de injúria racial em uma competição esportiva da região nos últimos anos, justamente por ter envolvido uma atleta representando São José dos Campos em um dos principais eventos do calendário esportivo estadual.

Foto: Reprodução/TV Vanguarda

