“QUE NINGUÉM VENHA ALIMENTAR DIVISÕES”: ARCEBISPO DE APARECIDA FAZ APELO ÀS VÉSPERAS DA FESTA DA PADROEIRA
Às vésperas do Dia de Nossa Senhora Aparecida, o arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, fez um apelo direto contra a polarização política, os discursos de ódio e as hostilidades que possam chegar ao Santuário Nacional durante um dos períodos de maior movimento religioso do país. Em sua primeira Festa da Padroeira à frente da Arquidiocese, o religioso defendeu que os peregrinos cheguem à cidade movidos pela fé, pela esperança e pelo respeito às diferenças.
A declaração ganhou repercussão neste sábado, 10 de outubro, em meio à intensa movimentação de romeiros que seguem para Aparecida e também ao clima eleitoral que marca o país. Dom Mário afirmou que o Santuário Nacional não deve se transformar em espaço para disputas políticas ou confrontos entre grupos com opiniões diferentes. Para ele, o foco da celebração precisa permanecer na devoção a Nossa Senhora Aparecida e na experiência religiosa dos milhares de fiéis que chegam à cidade.
“Que ninguém venha a Aparecida para alimentar divisões ou animosidades, mas para renovar a fé, fortalecer a esperança e aprender com Maria a construir um Brasil mais fraterno, justo e solidário”, declarou o arcebispo. A fala resume o tom adotado por dom Mário diante de um cenário em que debates eleitorais ganharam força nas redes sociais e passaram a envolver até mesmo o nome de Nossa Senhora Aparecida.
O religioso também ressaltou que a Festa da Padroeira acontece em período eleitoral a cada quatro anos, mas que isso não deve retirar da celebração seu caráter religioso. Segundo ele, ano após ano, a Mãe Aparecida continua no centro das celebrações, independentemente das disputas políticas existentes fora do Santuário.
Dom Mário defendeu ainda que o dia 12 de outubro seja um momento de aproximação entre pessoas que pensam de forma diferente. Em vez de hostilidade, o arcebispo pediu respeito, escuta e convivência. Para ele, a unidade cristã não significa pensar igual em todos os assuntos, mas reconhecer a dignidade de cada pessoa mesmo diante das divergências.
O apelo ocorre em meio à repercussão de uma polêmica eleitoral envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Nas últimas semanas, circulou uma informação falsa segundo a qual o senador Flávio Bolsonaro pretendia retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. O boato retomou um antigo projeto apresentado em 2007, posteriormente arquivado, e acabou sendo utilizado no debate político de 2026. O episódio chegou ao Judiciário e ampliou a discussão nas redes sociais.
Diante desse ambiente, o arcebispo procurou reforçar que o Santuário deve permanecer como espaço de acolhimento para todos os peregrinos, independentemente de preferência partidária. Dom Mário também chamou atenção para a necessidade de combater ofensas e discursos de ódio dentro das famílias, comunidades e ambientes virtuais.
A Festa da Padroeira deste ano também tem significado especial para o próprio arcebispo. Empossado em 2 de maio, dom Mário Antônio da Silva comandará pela primeira vez as principais celebrações de Nossa Senhora Aparecida como arcebispo da Arquidiocese. Ele classificou o momento como uma missão de serviço e acolhimento aos fiéis que chegam à casa da Padroeira do Brasil.
O religioso destacou ainda que a experiência em Aparecida não deve terminar quando o peregrino deixa o Santuário. Para ele, a fé precisa produzir atitudes concretas no cotidiano, como solidariedade, cuidado com pessoas em situação de dificuldade e disposição para ajudar quem está sozinho ou necessita de apoio.
A movimentação em Aparecida já é intensa. Mais de 40 mil peregrinos são esperados a pé pela Rodovia Presidente Dutra e pela Rota da Luz durante o período da festa. A estrutura montada para receber os romeiros envolve pontos de apoio, atendimento de saúde, equipes de segurança e ações voltadas à proteção de quem percorre longos trechos até o Santuário.
O esquema de segurança também foi reforçado para o feriado. Centenas de policiais militares devem atuar em Aparecida entre este sábado e segunda-feira, 12 de outubro, com apoio de equipes da Polícia Rodoviária Federal e recursos aéreos. A operação acompanha o aumento expressivo no número de visitantes durante as celebrações.
No ano passado, quase meio milhão de pessoas passaram pelo Santuário Nacional entre os dias 1º e 12 de outubro, sendo mais de 150 mil somente no Dia da Padroeira. Para este ano, a expectativa novamente é de grande concentração de fiéis, especialmente no domingo e na segunda-feira.
A principal missa do dia 12 está marcada para as 9h e será presidida por dom Mário. O conteúdo da homilia ainda não foi antecipado, mas o apelo feito antes da celebração já deixa claro o tom que o arcebispo pretende reforçar neste primeiro 12 de outubro à frente da Arquidiocese: fé, respeito e rejeição às divisões.

Foto: Thiago Leon/Santuário Nacional de Aparecida

