CRÉDITO RÁPIDO, COBRANÇAS DIÁRIAS E AMEAÇAS: TRÊS COLOMBIANOS SÃO PRESOS EM INVESTIGAÇÃO SOBRE AGIOTAGEM EM RESENDE
Três colombianos foram presos em flagrante na quinta-feira, 8 de outubro, em Resende, durante uma ação da Polícia Civil que investiga um possível esquema de agiotagem, cobrança ilegal de empréstimos e intimidação contra comerciantes. A apuração teve início após denúncias de que estrangeiros estariam oferecendo crédito rápido, realizando cobranças frequentes e aplicando taxas consideradas abusivas, além de supostamente pressionar devedores no município e também em cidades vizinhas.
As diligências eram realizadas principalmente no Centro e no bairro Paraíso, onde os agentes buscavam informações sobre possíveis cobranças acompanhadas de ameaças. Durante a ação, dois homens que estavam em uma motocicleta chamaram a atenção dos policiais, especialmente porque um deles usava uma balaclava. A dupla foi abordada para averiguação.
Segundo a Polícia Civil, os dois homens não apresentaram documentos durante a abordagem e informaram que eram estrangeiros. Durante a checagem, teriam admitido que atuavam na oferta e na cobrança diária de empréstimos para um terceiro colombiano, apontado pela investigação como responsável por coordenar a atividade.
A partir dessas informações, os agentes seguiram até um imóvel no bairro Cabral, onde os dois suspeitos estariam hospedados. No local, foram apreendidos centenas de cartões e panfletos oferecendo crédito rápido, carimbos, dinheiro em espécie e outros materiais que agora deverão ser analisados no decorrer da investigação.
Entre os materiais encontrados havia ainda um número de telefone que, segundo a Polícia Civil, estava ligado ao homem apontado como coordenador do esquema. A informação ajudou os investigadores a chegar até outro endereço e localizar o terceiro suspeito.
No imóvel associado ao homem apontado como responsável pela coordenação das cobranças, os agentes encontraram oito aparelhos celulares. Somados aos telefones recolhidos com os outros dois investigados, a operação terminou com 11 celulares apreendidos.
Ainda segundo a Polícia Civil, o terceiro suspeito informou ser proprietário de um carro de luxo e de cinco motocicletas. Entre os veículos estaria a moto utilizada pelos outros dois homens durante as cobranças realizadas nas ruas de Resende.
Documentos encontrados durante as buscas também levantaram a suspeita da participação de pelo menos mais um estrangeiro no grupo. Conforme as informações apuradas até o momento, esse homem já teria deixado o Brasil e retornado ao país de origem.
A Polícia Civil agora tenta entender de que forma funcionava o esquema investigado. A apuração busca descobrir como os empréstimos eram oferecidos, quais taxas eram cobradas, qual era o volume de dinheiro movimentado e como as cobranças eram realizadas no dia a dia.
Outro ponto central da investigação são as denúncias de ameaças contra comerciantes. Os policiais pretendem ouvir possíveis vítimas para verificar se havia intimidação, pressão ou constrangimento durante as cobranças, especialmente nos casos em que algum devedor não conseguia efetuar o pagamento dentro do prazo exigido.
Os investigadores também querem saber se havia uma divisão definida de tarefas entre os suspeitos, com responsáveis pela oferta do dinheiro, pela cobrança nas ruas, pelo controle dos pagamentos e pela administração dos valores arrecadados.
Os 11 aparelhos celulares apreendidos deverão ser analisados em busca de mensagens, contatos, registros de cobranças, movimentações financeiras e outras informações que possam esclarecer a dimensão da atividade investigada e indicar a eventual participação de outras pessoas.
Até o momento, não foram divulgados o percentual exato dos juros cobrados, a quantidade de empréstimos realizados, o valor total movimentado nem o número de comerciantes que teriam recorrido ao grupo. Esses dados ainda deverão ser levantados ao longo da investigação.
Os três homens foram encaminhados à delegacia de Resende e autuados em flagrante pelos crimes de usura pecuniária e associação criminosa. As identidades dos envolvidos não foram divulgadas.
A apuração segue aberta para verificar se o grupo atuava também em outros municípios da região, identificar possíveis vítimas e esclarecer a origem dos recursos utilizados nos empréstimos. A Polícia Civil também deverá avaliar a situação patrimonial dos investigados e os vínculos existentes entre os veículos, aparelhos e documentos apreendidos.
Até a última atualização, os três suspeitos permaneciam relacionados à investigação, enquanto os materiais recolhidos seriam analisados para aprofundar a apuração sobre o possível esquema de agiotagem em Resende e cidades vizinhas.


