ADEUS, DAVI: MENINO DE 11 ANOS MORRE APÓS RECEBER INJEÇÃO EM HOSPITAL DE SÃO JOSÉ E POLÍCIA INVESTIGA O CASO
A morte de Davi Lucas Fabian Rodrigues Faria, de 11 anos, causou comoção em São José dos Campos e passou a ser investigada pela Polícia Civil como morte suspeita. O menino morreu na noite de quinta-feira, 8 de outubro, depois de receber atendimento no Hospital Pró-Infância, onde havia sido levado pelos pais apresentando febre, cansaço e baixa saturação de oxigênio.
Davi tinha histórico de cardiopatia congênita, já havia passado por cirurgia cardíaca, utilizava marca-passo e também tinha diagnóstico de transtorno do espectro autista. Segundo as informações registradas no boletim de ocorrência, após avaliação médica, ele recebeu diagnóstico de amigdalite aguda.
De acordo com a família, o médico responsável pelo atendimento prescreveu Benzetacil porque o menino tinha dificuldade para ingerir medicamentos por via oral. Como o hospital não dispunha do medicamento naquele momento, os pais teriam sido orientados a adquiri-lo em uma farmácia e retornar à unidade para a aplicação.
Ainda segundo o relato da família, a medicação foi administrada por via intramuscular, com a dose dividida entre os dois glúteos. Pouco depois da aplicação, quando Davi estava sendo retirado da maca, ele perdeu a consciência e sofreu uma parada cardiorrespiratória.
A equipe médica iniciou imediatamente os procedimentos de reanimação. Foram realizadas massagens cardíacas, ventilação, intubação e administração de adrenalina e outros medicamentos na tentativa de reverter o quadro. Apesar dos esforços, Davi não resistiu. A morte foi constatada por volta das 23h.
A proximidade entre a aplicação do medicamento e a parada cardiorrespiratória levou a autoridade policial a registrar o caso como morte suspeita. No entanto, até o momento, não há confirmação de que a Benzetacil tenha provocado a morte da criança nem de que tenha ocorrido qualquer erro durante o atendimento.
O médico responsável declarou à polícia que tinha conhecimento das condições clínicas anteriores de Davi e que, a partir das informações disponíveis, não identificou contraindicação para a prescrição da medicação. Uma técnica de enfermagem que participou da aplicação também afirmou que a mãe teria informado que o menino já havia recebido Benzetacil anteriormente e que não havia relato de alergia registrado durante a triagem.
Policiais militares foram acionados para a ocorrência e, quando chegaram ao hospital, a equipe de saúde já realizava as manobras de reanimação.
A Polícia Civil requisitou exame necroscópico, prontuário médico completo, prescrição, ficha de atendimento e registros da equipe de enfermagem. Esses documentos deverão ser analisados para esclarecer as circunstâncias da morte e verificar se houve reação adversa ao medicamento, reação alérgica grave, influência das condições cardíacas preexistentes ou outro fator.
O laudo do exame necroscópico será fundamental para apontar a causa da morte. Até a última atualização, não havia resultado conclusivo sobre o que provocou a parada cardiorrespiratória.
Também não havia posicionamento público detalhado do Hospital Pró-Infância sobre o caso até a atualização consultada. A investigação deverá reunir os documentos médicos, depoimentos dos profissionais e demais elementos necessários antes de qualquer conclusão sobre responsabilidade.
A morte de Davi ocorre em um contexto delicado, especialmente por se tratar de uma criança com histórico clínico relevante e pela sequência temporal entre o atendimento, a aplicação da medicação e a piora repentina. Por isso, a Polícia Civil deverá aguardar os exames técnicos antes de definir a causa e eventual responsabilidade.
Até o momento, o caso segue sendo tratado oficialmente como morte suspeita, sem confirmação de erro médico ou de relação direta entre a aplicação da Benzetacil e o óbito.


