40 KM POR DIA E UMA CADEIRA DE RODAS: PAI LEVA FILHO DE 9 ANOS EM ROMARIA ATÉ APARECIDA
Uma jornada de fé, gratidão e superação tem chamado a atenção de quem passa pela Rodovia Presidente Dutra rumo ao Santuário Nacional de Aparecida. O marceneiro Helton Valadares Alves, de 42 anos, decidiu realizar pela primeira vez a tradicional romaria até a casa da Padroeira do Brasil acompanhado do filho Heitor, de 9 anos, que tem paralisia cerebral e utiliza cadeira de rodas.
Pai e filho saíram de Guarulhos, na Grande São Paulo, na noite de quarta-feira, 7 de outubro, e nesta sexta-feira, 9, chegaram ao terceiro dia de caminhada. O grupo percorre cerca de 40 quilômetros por dia e pretende chegar a Aparecida no fim da tarde deste sábado, 10 de outubro, às vésperas das principais celebrações em homenagem a Nossa Senhora Aparecida.
A motivação de Helton não foi pagar uma promessa. Segundo ele, a romaria nasceu do desejo de agradecer. Mesmo diante das dificuldades enfrentadas ao longo do ano, o pai decidiu transformar o percurso até Aparecida em um gesto de fé e também em uma experiência especial ao lado do filho.
Heitor é presença constante na vida do pai. Helton conta que procura incluí-lo em tudo o que faz e que a peregrinação foi pensada justamente para que o menino pudesse viver também a experiência da estrada, dos encontros, dos pontos de apoio e da chegada ao Santuário Nacional.
O caminho, porém, está longe de ser simples. A falta de acessibilidade em diversos trechos da Dutra torna a caminhada ainda mais desafiadora. Em alguns pontos, a cadeira de rodas precisa ser levantada para vencer guias, pedras, cascalho e desníveis.
Um dos trechos mais difíceis exigiu apoio da Polícia Rodoviária Federal. Segundo Helton, havia uma passagem com pedras e terreno irregular que seria praticamente inviável para a cadeira de rodas. A ajuda dos agentes permitiu que pai e filho continuassem a jornada sem abandonar o trajeto.
Além do apoio da PRF, Helton conta com quatro amigos que seguem juntos na caminhada. Eles ajudam a empurrar e carregar a cadeira quando necessário, dividindo o esforço nos trechos mais complicados e garantindo que Heitor consiga seguir junto com o grupo.
Mesmo com as dificuldades, o pai faz questão de manter a experiência o mais próxima possível da vivida pelos demais romeiros. Não há procura por hotel ou conforto especial. Eles utilizam os pontos de apoio, descansam onde há espaço e seguem a mesma rotina de quem enfrenta quilômetros de caminhada rumo a Aparecida.
Em São José dos Campos, por exemplo, o grupo conseguiu uma cama improvisada dentro de um caminhão para descansar. Para Helton, a simplicidade faz parte da própria essência da peregrinação.
Heitor também vem demonstrando entusiasmo ao longo do percurso. Comunicativo e aventureiro, o menino tem aproveitado a presença dos amigos, o contato com outros peregrinos e principalmente o acolhimento recebido nas paradas ao longo da rodovia.
Nos pontos de apoio, pai e filho encontram água, alimentação, descanso e ajuda de voluntários. Heitor destacou o carinho recebido durante a viagem e a forma como as pessoas têm acolhido o grupo.
A mãe do menino acompanha tudo à distância. Mesmo separados, os pais mantêm parceria constante nos cuidados com Heitor. Ela deverá encontrar os dois diretamente em Aparecida, transformando a chegada ao Santuário também em um momento de reencontro familiar.
Ao longo da Via Dutra, 137 pontos de apoio estão previstos para receber os peregrinos neste ano. As estruturas oferecem, de acordo com cada local, água, alimentação, banheiros, banho, atendimento de enfermagem, massagens, espaços para repouso e outros serviços.
No Vale do Paraíba, os pontos estão distribuídos por cidades como Jacareí, São José dos Campos, Caçapava, Taubaté, Pindamonhangaba, Roseira e Aparecida, formando uma grande rede de acolhimento aos milhares de romeiros que seguem em direção ao Santuário Nacional.
Entre o asfalto quente, os quilômetros acumulados e os obstáculos para conduzir uma cadeira de rodas por trechos sem acessibilidade, Helton e Heitor seguem avançando. Para o pai, a caminhada representa menos um pedido e mais um agradecimento pela vida, pela companhia do filho e pela oportunidade de chegar juntos até Aparecida.


