CINCO TIROS E VIDRO QUEBRADO: TESTEMUNHA DIZ QUE BRUNO NÃO REAGIU ANTES DE SER MORTO EM TAUBATÉ
Um novo depoimento anexado à investigação sobre a morte do estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, trouxe detalhes que ampliam a discussão sobre a dinâmica do crime ocorrido em Taubaté. Segundo uma testemunha ouvida pela Polícia Civil, o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira teria quebrado o vidro do carro do jovem com o cotovelo, feito diversos xingamentos e, em seguida, efetuado cinco disparos. Ainda de acordo com o relato, Bruno não teria apresentado reação agressiva nem feito qualquer ameaça durante a cena observada.
O depoimento foi prestado na terça-feira, 6 de outubro, e passou a integrar o inquérito que apura o caso. A testemunha afirmou que os dois veículos estavam parados em um semáforo na Avenida do Povo quando começou a discussão. O Jeep Renegade era conduzido por Marcos, enquanto Bruno estava ao volante de um Chevrolet Prisma.
Segundo a testemunha, o bombeiro passou a gritar para que Bruno saísse do carro. Em seguida, teria atingido várias vezes o vidro lateral do Prisma com o cotovelo até quebrá-lo. Depois disso, Marcos teria levantado a camisa, retirado uma arma de fogo e realizado cinco disparos contra o estudante.
O relato afirma ainda que Bruno não teria avançado contra o bombeiro, não teria feito gestos de ameaça e não teria sido visto segurando qualquer objeto. A testemunha também declarou não ter ouvido o estudante dizer nada durante a discussão, lembrando apenas dos gritos e xingamentos atribuídos ao militar.
Depois dos disparos, Bruno teria saído do veículo pelo lado do passageiro, permanecendo abaixado. Segundo o depoimento, Marcos teria acompanhado a movimentação do estudante ainda com a arma em punho e só abaixado o armamento depois que Bruno caiu.
Outro elemento importante da investigação é um canivete encontrado dentro do carro de Bruno. Uma imagem mostra o objeto no interior do Prisma, próximo a estilhaços de vidro. O canivete foi apreendido pela polícia e encaminhado para análise pericial.
A existência do objeto é um dos pontos citados pela defesa de Marcos, que sustenta a tese de legítima defesa. Segundo a versão apresentada pelo acusado, ele teria acreditado que estava sendo ameaçado durante a discussão. A defesa também afirma que havia a percepção de que Bruno estaria com uma faca ou canivete.
O novo depoimento, porém, apresenta uma versão diferente. A testemunha afirmou que não viu Bruno portando o canivete nem qualquer outra arma durante a discussão. Essa divergência deverá ser analisada em conjunto com as imagens, os laudos periciais, os depoimentos já colhidos e os demais elementos reunidos pela investigação.
Bruno foi morto em 30 de setembro, em Taubaté. Ele cursava o quarto semestre de Medicina na Universidade de Taubaté e tinha 23 anos. Após ser baleado, ainda conseguiu sair do carro e procurar ajuda, mas morreu em decorrência dos ferimentos.
A Polícia Civil indiciou Marcos por homicídio qualificado por motivo fútil e por recurso que teria dificultado a defesa da vítima. O Ministério Público também apresentou denúncia com essas qualificadoras. A acusação ainda será analisada no andamento do processo, e não há condenação definitiva até o momento.
Nesta quarta-feira, 7 de outubro, Marcos foi preso preventivamente após decisão judicial e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. Ele havia sido liberado anteriormente em audiência de custódia, mas a prisão preventiva foi posteriormente determinada.
O caso segue em fase de apuração judicial, com versões conflitantes sobre o momento da discussão e sobre a possível utilização do canivete encontrado no carro. Caberá à Justiça avaliar as provas e definir a responsabilidade criminal no processo.

Testemunha afirma que bombeiro quebrou o vidro do carro de Bruno com o cotovelo, fez xingamentos e efetuou cinco disparos; segundo o depoimento, o estudante não reagiu. Canivete foi encontrado dentro do veículo da vítima — Foto: Arquivo pessoal

