Quarta-feira, Outubro 7, 2026
Capa

NOVO LAUDO ABALA TESE DE SUICÍDIO E REFORÇA ACUSAÇÃO CONTRA TENENTE-CORONEL NO CASO GISELE


Um novo laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo acrescentou mais peso à acusação contra o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, réu pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. O documento, anexado ao processo nesta sexta-feira, 2 de outubro, reafirma que a hipótese de suicídio não é compatível com os vestígios encontrados no apartamento onde a policial foi achada morta com um tiro na cabeça.

A nova análise foi produzida após questionamentos apresentados pela própria defesa do oficial. Em vez de enfraquecer as conclusões anteriores, o laudo complementar manteve o entendimento técnico já registrado pela perícia: os elementos físicos observados na cena apontam para a participação de uma segunda pessoa na dinâmica da morte.

Entre os pontos analisados estão a posição em que o corpo foi encontrado, os padrões das manchas de sangue e outros vestígios materiais registrados no imóvel. Segundo a conclusão pericial divulgada, esses elementos seriam incompatíveis com a possibilidade de Gisele ter efetuado o disparo contra a própria cabeça e permanecido na posição em que foi localizada.

O caso aconteceu em 18 de fevereiro de 2026, no apartamento onde Gisele vivia com o marido, na capital paulista. Inicialmente, a morte chegou a ser apresentada como possível suicídio, versão sustentada pelo tenente-coronel. Com o avanço da investigação, porém, a Polícia Civil e a perícia passaram a apontar inconsistências entre essa versão e os elementos encontrados no local.

Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, nasceu em Taubaté e residia em São José dos Campos. Ele se tornou réu por feminicídio e fraude processual e está preso desde março no Presídio Militar Romão Gomes. A acusação sustenta que ele teria matado Gisele e alterado a cena para simular suicídio. A defesa nega a acusação e mantém a versão de que a policial tirou a própria vida.

O novo documento foi elaborado pela perita criminal Amanda Rodrigues Marinone e responde diretamente aos questionamentos apresentados pela defesa sobre a metodologia e as conclusões dos exames anteriores. A perícia informou que não encontrou elementos técnicos capazes de modificar as conclusões já apresentadas.

Outro ponto relevante é a indicação de participação de uma segunda pessoa. Esse aspecto já havia aparecido em laudos anteriores e voltou a ser reforçado pela análise mais recente. Para os peritos, a distribuição do sangue e a posição final do corpo não seriam compatíveis com um evento autoprovocado.

A investigação também levou em conta outras evidências reunidas ao longo dos últimos meses, entre elas exames periciais, depoimentos e informações extraídas de dispositivos eletrônicos. Parte desse material foi utilizada pela acusação para sustentar a tese de feminicídio.

Reportagens anteriores sobre o caso também apontaram que a investigação encontrou lesões no corpo de Gisele e mensagens que passaram a integrar a análise sobre o relacionamento do casal. Esses elementos, no entanto, seguem submetidos ao contraditório judicial e serão avaliados no curso do processo.

O tenente-coronel também responde a um procedimento administrativo dentro da Polícia Militar. O Conselho de Justificação analisa se ele reúne condições para permanecer na corporação e manter posto e patente. Esse processo corre de forma independente da ação criminal.

Na esfera penal, Geraldo é acusado de feminicídio e fraude processual. O processo criminal deverá analisar as provas reunidas pela acusação e pela defesa antes de qualquer decisão definitiva. Até o julgamento, permanece válida a presunção de inocência.

O laudo agora anexado ao processo pode ter peso importante nos próximos atos da ação, justamente por ter sido elaborado após questionamentos da defesa e ainda assim ter mantido as conclusões anteriores. O interrogatório do oficial já havia sido adiado para permitir a realização dessas diligências complementares.

A defesa continua sustentando que Gisele cometeu suicídio e contesta a interpretação dos elementos periciais. Já a acusação aponta que a sucessão de laudos técnicos reforça a tese de que houve intervenção de outra pessoa na morte.

O caso segue entre os mais repercutidos envolvendo integrantes da Polícia Militar de São Paulo neste ano. Gisele tinha 32 anos e também era policial militar.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

erro: Content is protected !!