ARMAS NA MATA: POLÍCIA ENCONTRA ESPINGARDAS, PACA E PENAS DE JACU EM ÁREA PROTEGIDA DE ILHABELA
Uma operação realizada em uma região de mata fechada terminou com a descoberta de uma estrutura clandestina utilizada para caça e a apreensão de duas espingardas no interior do Parque Estadual de Ilhabela. Próximo ao local, os agentes também encontraram uma paca e penas de uma ave identificada inicialmente como jacu.
A fiscalização aconteceu na manhã de sexta-feira, 25 de setembro de 2026, na trilha que dá acesso à Praia da Figueira, no lado leste de Ilhabela. A ação foi realizada pelo Grupo Especial de Policiamento Ambiental em Áreas de Risco, o GEPAAR, da 3ª Companhia de Polícia Ambiental, em conjunto com a Fundação Florestal.
Durante o patrulhamento, os agentes localizaram sinais que indicavam a possível prática de caça ilegal dentro da unidade de conservação. A região é protegida ambientalmente e abriga diferentes espécies da fauna silvestre da Mata Atlântica.
Em meio à vegetação, a equipe encontrou uma estrutura conhecida como “trepeiro” ou “ceva”. Esse tipo de instalação é utilizado por caçadores para atrair animais com alimentos e permanecer escondido em uma posição elevada enquanto aguarda a aproximação da presa.
O trepeiro pode ser montado entre árvores ou em pontos estratégicos da mata. A ceva, por sua vez, consiste na colocação de alimentos em um local determinado para criar o hábito de visita dos animais, facilitando a ação do caçador.
A presença dessa estrutura em uma área de preservação chamou a atenção das equipes. O material encontrado indica que o ponto poderia estar sendo preparado ou utilizado de forma recorrente para a espera e o abate de animais silvestres.
Nas proximidades da estrutura, foram apreendidas duas espingardas, sendo uma de calibre .28 e outra de calibre .32. Os policiais também localizaram cartuchos calibre .32, que estavam junto aos demais materiais relacionados à suspeita de caça.
A quantidade exata de munições não foi informada. Também não foi divulgado se as espingardas possuíam registro, numeração aparente ou alguma identificação que pudesse levar aos proprietários.
Os armamentos deverão ser analisados durante a investigação. A Polícia Civil poderá verificar a numeração, o estado de conservação e a possibilidade de realização de exames periciais para descobrir se as armas foram disparadas recentemente.
A eventual existência de impressões digitais ou outros vestígios também poderá contribuir para a identificação das pessoas que transportaram ou utilizaram as espingardas. O resultado dessas análises, porém, ainda não foi divulgado.
Além do armamento, os agentes encontraram uma paca, cuja identificação foi considerada preliminar, e penas atribuídas a uma ave da espécie jacu. Esses elementos reforçaram a suspeita de que animais silvestres estavam sendo caçados no interior do parque.
Algumas publicações chegaram a mencionar uma jacutinga, mas a informação divulgada inicialmente pela operação identifica as penas como pertencentes a um jacu. A definição exata poderá depender de análise técnica do material recolhido.
As autoridades também não esclareceram se a paca foi encontrada inteira ou se havia sinais recentes de abate. O destino dado ao animal e às penas não foi informado até a última atualização.
Nenhuma pessoa foi localizada no ponto durante a fiscalização. Por isso, ninguém foi preso no momento da operação. Os responsáveis pelas armas, pela estrutura e pelos animais encontrados ainda não haviam sido identificados.
Todo o material apreendido foi retirado da área protegida e levado ao Distrito Policial de Ilhabela. A ocorrência ficou sob responsabilidade da Polícia Civil, que deverá investigar quem utilizava o local e qual é a origem das armas.
Os investigadores poderão buscar informações com moradores e trabalhadores que conhecem a região, além de verificar se existem outros pontos semelhantes instalados ao longo da trilha ou em áreas próximas.
A apuração também deverá tentar estabelecer há quanto tempo o trepeiro estava montado e se o local era usado por uma pessoa ou por um grupo. Até o momento, não há informações sobre suspeitos ou possíveis testemunhas.
A trilha onde a estrutura foi localizada começa no canto direito da Praia de Castelhanos, passa pelas praias Mansa e Vermelha e segue até a Praia da Figueira. O percurso leva aproximadamente duas horas de caminhada e atravessa uma região de vegetação preservada.
A distância dos núcleos urbanos e as características do terreno podem dificultar a fiscalização. O acesso por trilhas e a cobertura oferecida pela mata também podem ser utilizados por caçadores para esconder armas, munições e estruturas clandestinas.
Por essa razão, operações nessas áreas contam com equipes especializadas em patrulhamento ambiental. O GEPAAR atua em locais considerados de difícil acesso ou que apresentam riscos específicos para as equipes de fiscalização.
A caça ilegal pode provocar impactos que vão além da morte dos animais atingidos. A retirada de espécies da natureza interfere na cadeia alimentar, na dispersão de sementes e no equilíbrio do ecossistema.
A paca participa da dinâmica ambiental das florestas ao consumir frutos e contribuir para a dispersão de sementes. As aves conhecidas como jacus também possuem papel importante na regeneração da vegetação.
Quando esses animais são retirados de maneira clandestina, os efeitos podem se acumular ao longo do tempo, principalmente em áreas onde a pressão de caça ocorre de forma repetida.
A caça de animais silvestres sem autorização é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais. A pena estabelecida para quem mata, persegue, caça, captura ou utiliza espécies da fauna silvestre sem permissão é de seis meses a um ano de detenção, além de multa.
Como os indícios foram encontrados dentro de uma unidade de conservação, a pena pode ser aumentada pela metade. A punição poderá ser ainda mais severa se a investigação demonstrar que houve caça profissional, abate de espécie ameaçada ou utilização de métodos capazes de provocar destruição em massa.
Na esfera administrativa, a multa pela caça ilegal pode começar em R$ 500 por animal quando a espécie não integra listas oficiais de risco ou ameaça de extinção. Se o animal estiver em lista de espécies ameaçadas, o valor pode chegar a R$ 5 mil por exemplar.
Esses valores podem ser aplicados sem prejuízo do processo criminal e de outras medidas ambientais. A definição da multa dependerá da identificação das espécies, das circunstâncias da ocorrência e da responsabilização dos envolvidos.
A situação das armas também será analisada. Se os responsáveis forem identificados e ficar comprovado que as espingardas eram mantidas ou transportadas sem autorização, eles poderão responder com base no Estatuto do Desarmamento.
O porte ilegal de arma de fogo de uso permitido prevê pena de dois a quatro anos de reclusão, além de multa. Já a posse irregular pode resultar em detenção de um a três anos e multa.
O enquadramento dependerá das condições em que as armas eram utilizadas, de eventual registro e das provas reunidas durante a investigação. A perícia também deverá verificar se os armamentos estavam em condições de funcionamento.
Como ninguém foi encontrado no local, a existência das espingardas e dos materiais de caça não permite atribuir automaticamente os crimes a uma pessoa específica. A responsabilização dependerá da identificação dos envolvidos e da comprovação de ligação deles com os objetos apreendidos.
A Polícia Ambiental e a Fundação Florestal reforçaram que a fiscalização busca combater a caça clandestina e proteger a fauna existente nas áreas preservadas de Ilhabela.
A operação também demonstra a importância do monitoramento de trilhas e pontos isolados. Mesmo longe das regiões mais movimentadas do município, essas áreas permanecem sujeitas à atuação clandestina de caçadores.
As investigações continuam para descobrir quem montou o trepeiro, quem levou as armas para a mata e se outros animais foram abatidos no Parque Estadual de Ilhabela.


