Quarta-feira, Setembro 23, 2026
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DO HOSPITAL AO SISTEMA PRISIONAL: SUSPEITO DE MATAR LÍVIA É TRANSFERIDO E SEGUE PRESO


Mais de um mês após o assassinato da estudante de Direito Lívia Berthoud, de 23 anos, o ex-namorado apontado pela Polícia Civil como autor do crime deixou a unidade médica onde permanecia hospitalizado e foi transferido para uma estrutura de saúde do sistema penitenciário paulista.

Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite, de 25 anos, está preso preventivamente e foi incluído na segunda-feira (21) na Divisão de Ações de Segurança Hospitalar, antigo Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário de São Paulo. A transferência foi confirmada pela Secretaria da Administração Penitenciária.

A atualização sobre o caso foi divulgada nas redes sociais por Laura Berthoud, irmã de Lívia. Para a família, a entrada do investigado no sistema penitenciário representa mais uma etapa da busca por justiça, embora o inquérito e o processo ainda precisem avançar até um eventual julgamento.

“Hoje o assassino da minha irmã foi transferido para um hospital penitenciário”, afirmou Laura no vídeo. Ela também agradeceu o apoio recebido desde a morte da estudante e declarou que os familiares continuarão mobilizados para que o caso não seja esquecido.

Carlos Eduardo estava sob cuidados médicos desde 10 de agosto, data em que Lívia foi morta a tiros em Pindamonhangaba. Depois do crime, ele foi encontrado gravemente ferido dentro de um apartamento no bairro Bela Vista. A suspeita registrada na investigação é de que ele tenha atirado contra si próprio.

O homem foi inicialmente levado ao Pronto-Socorro Municipal e permaneceu internado sob escolta. Nos primeiros dias após o crime, chegou a ser mantido intubado e inconsciente, sem condições clínicas de prestar depoimento ou participar presencialmente da audiência de custódia.

Mesmo hospitalizado, ele recebeu voz de prisão. No dia seguinte ao crime, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva. A decisão manteve Carlos Eduardo preso enquanto prosseguem as investigações sobre o assassinato.

Lívia foi morta na manhã de 10 de agosto, depois de sair de casa para ir à academia. Uma câmera de segurança registrou parte dos últimos momentos da jovem. As imagens mostram a estudante correndo pela rua enquanto tentava escapar do ex-namorado.

Durante a tentativa de fuga, ela se aproximou de um automóvel que passava pelo local e pediu ajuda, mas o veículo não parou. Pouco depois, Lívia foi alcançada e atingida pelas costas. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Após os disparos, o suspeito fugiu. Policiais militares iniciaram as buscas e localizaram o automóvel dele nas proximidades do apartamento onde ele foi encontrado ferido.

Durante a vistoria no imóvel, os agentes apreenderam um revólver Taurus calibre .38. Conforme o boletim de ocorrência, havia quatro munições deflagradas no tambor. A arma foi recolhida e encaminhada para análise pericial.

A Polícia Civil também apreendeu aparelhos eletrônicos e outros objetos que poderão contribuir para a reconstrução dos acontecimentos. Os laudos periciais, depoimentos, imagens de segurança e demais provas reunidas deverão integrar o inquérito.

Antes de ser assassinada, Lívia havia procurado a polícia para denunciar violência doméstica. A Justiça concedeu uma medida protetiva de urgência determinando que Carlos Eduardo mantivesse distância mínima de 100 metros da estudante.

Segundo relatos de familiares registrados durante a investigação, o ex-namorado não aceitava o fim do relacionamento e continuava tentando entrar em contato com Lívia. A estudante teria mudado parte da rotina por medo, alterando inclusive os locais por onde passava.

A medida protetiva havia sido concedida pouco antes do crime. Apesar da determinação judicial, a jovem foi abordada nas proximidades da própria residência.

Lívia cursava o último período de Direito na Universidade de Taubaté e trabalhava como estagiária do Tribunal de Justiça de São Paulo na Comarca de Taubaté. A morte provocou forte comoção entre familiares, amigos, colegas de faculdade e integrantes do Judiciário.

A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio e descumprimento de medida protetiva. A prisão preventiva não representa condenação antecipada. Caberá à Justiça analisar as provas e decidir sobre as próximas etapas do processo.

Até a publicação desta matéria, não foi localizada uma manifestação atualizada da defesa de Carlos Eduardo sobre a transferência ou sobre as acusações. O espaço do Jornal A Notícia segue aberto para que a defesa apresente sua versão, esclarecimentos ou posicionamento a respeito do caso.

A família de Lívia afirma que continuará acompanhando o processo e cobrando respostas. “Seguimos na luta por justiça e por respostas. Essa história não pode ser esquecida”, escreveu Laura.

Mulheres em situação de violência podem procurar a Polícia Militar pelo telefone 190 em casos de emergência. Denúncias, orientações e encaminhamentos também podem ser solicitados gratuitamente pelo número 180, da Central de Atendimento à Mulher, disponível 24 horas.

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