Terça-feira, Setembro 22, 2026
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FACADA NO PESCOÇO: JUSTIÇA TORNA RÉ JOVEM ACUSADA DE MATAR A CUNHADA EM CAÇAPAVA


Uma discussão dentro de casa, uma facada no pescoço e uma família marcada pela morte. A Justiça de São Paulo tornou ré Rayara Stefani Moreira Lobato, de 19 anos, acusada de matar a cunhada, Ana Carolina Augusto dos Santos, de 29, no bairro Santa Luzia, em Caçapava.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo foi acolhida pela Justiça nesta segunda-feira (21). Com a decisão, Rayara passa formalmente à condição de ré e deverá apresentar sua defesa no decorrer do processo. Ainda não há data definida para o julgamento.

O crime aconteceu por volta das 22h47 do dia 8 de setembro, em uma residência localizada na Travessa João Borges de Siqueira. O imóvel era ocupado pela acusada e pelo companheiro dela, irmão de Ana Carolina. A vítima estava morando temporariamente na casa do casal.

Segundo a denúncia apresentada pelo promotor Lucas Mostaro de Oliveira, Ana Carolina teria se desentendido com o irmão. Durante a discussão familiar, Rayara teria entrado no conflito e utilizado uma faca para atingir a cunhada na região do pescoço.

A Polícia Militar foi acionada inicialmente para atender a uma briga na residência, com a informação de que uma das pessoas envolvidas estaria portando uma faca. Durante o deslocamento, os agentes receberam um novo chamado informando que uma mulher havia sido ferida e apresentava intenso sangramento.

Quando chegaram ao imóvel, os policiais encontraram Ana Carolina caída. O Samu foi acionado e encaminhou a mulher à Fusam (Fundação de Saúde e Assistência do Município) de Caçapava, mas ela não resistiu ao ferimento e morreu após dar entrada na unidade.

Uma faca de cozinha com cabo branco, descrita no registro policial como semelhante às utilizadas por açougueiros, foi apreendida. O objeto deverá passar por análise pericial e integra o conjunto de provas reunido durante a investigação.

Em uma versão apresentada inicialmente aos policiais, a acusada teria afirmado que houve uma luta corporal e que agiu para proteger o companheiro. Ela alegou que Ana Carolina estaria com a faca, que conseguiu retirar o objeto e que o golpe aconteceu durante o confronto. No interrogatório formal realizado na delegacia, porém, Rayara exerceu o direito de permanecer em silêncio.

O companheiro da acusada e irmão de Ana Carolina também foi ouvido. Segundo o registro policial, ele relatou ter tentado separar a discussão e afirmou ter visto a faca nas mãos da companheira e a irmã já ferida. O homem também teria sofrido um ferimento na testa durante a confusão.

A Polícia Civil apontou que a versão inicial de legítima defesa não estava confirmada pelos depoimentos e elementos disponíveis naquele momento. Foram requisitados exames periciais no local, na faca apreendida e no corpo de Ana Carolina, além de exames de corpo de delito na acusada e na testemunha.

Rayara foi presa em flagrante ainda no local e encaminhada à Cadeia Pública de Caçapava. No dia seguinte ao crime, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, mantendo a jovem detida durante o avanço da investigação e do processo.

O Ministério Público denunciou a jovem por feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar. O enquadramento considera a relação familiar e a convivência entre as duas mulheres no mesmo ambiente. O fato de a acusada também ser mulher não impede, por si só, a aplicação dessa classificação jurídica.

O recebimento da denúncia não representa uma condenação. Nesta fase, a Justiça entendeu que existem elementos suficientes para abrir o processo criminal e permitir o prosseguimento da acusação. A responsabilidade da ré ainda será analisada durante a instrução, com apresentação da defesa, produção de provas e depoimentos.

A defesa de Rayara não havia sido localizada para comentar o recebimento da denúncia. O espaço permanece aberto para manifestação.

Ana Carolina Augusto dos Santos, de 29 anos, foi morta a facadas

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