Trânsito mata uma pessoa a cada 23 horas no Vale; motociclistas são maioria
O trânsito matou 382 pessoas em apenas 12 meses na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte — média superior a 31 mortes por mês e equivalente a aproximadamente uma vida perdida a cada 23 horas. O levantamento revela ainda que os motociclistas representam mais da metade das mortes registradas em 2026, enquanto agosto interrompeu uma sequência de queda e terminou com forte avanço nos óbitos e acidentes.
Dados do Infosiga, plataforma do Governo do Estado de São Paulo, mostram que 35 pessoas morreram no trânsito regional em agosto de 2026. O resultado representa um salto de 52% em relação a julho, quando foram contabilizadas 23 mortes. Na comparação com agosto de 2025, que teve 34 óbitos, o crescimento foi de 2,9%.
O número geral de acidentes também aumentou. Foram registradas 426 ocorrências em agosto deste ano, contra 392 no mesmo mês de 2025. Em números absolutos, a região teve 34 acidentes a mais, o que corresponde a um crescimento de 8,7% em apenas um ano.
Agosto foi o terceiro mês mais mortal de 2026 nas ruas, avenidas e rodovias do Vale do Paraíba e Litoral Norte. O mês ficou atrás somente de maio, que contabilizou 45 mortes, e de abril, com 36. O crescimento chama atenção porque aconteceu depois de dois meses consecutivos de queda: foram 32 mortes em junho e 23 em julho.
Apesar da piora registrada em agosto, o acumulado do ano ainda apresenta redução. Entre janeiro e agosto de 2026, 250 pessoas morreram em acidentes na região, contra 267 no mesmo período do ano anterior. A diferença representa 17 vidas e uma queda de aproximadamente 6,4%.
O volume de acidentes também recuou quando considerados os oito primeiros meses do ano. Foram 3.738 ocorrências entre janeiro e agosto de 2026, enquanto o mesmo intervalo de 2025 contabilizou 4.055. A redução foi de 7,8%, embora o crescimento isolado de agosto acenda um alerta sobre a possibilidade de reversão dessa tendência.
Os motociclistas aparecem como o grupo mais atingido pela violência no trânsito. Das 250 pessoas que morreram neste ano, 134 estavam em motocicletas, número que corresponde a 53,6% de todos os óbitos. Na prática, mais de uma em cada duas mortes registradas na região envolveu motociclistas.
Os pedestres aparecem na sequência, com 44 mortes, o equivalente a 17,6% do total. Ocupantes ou condutores de automóveis somaram 35 óbitos, enquanto 23 ciclistas perderam a vida. Outros nove mortos eram caminhoneiros. Os números reforçam a vulnerabilidade de quem circula sobre duas rodas ou sem a proteção da estrutura de um veículo.
São José dos Campos lidera o número absoluto de mortes no trânsito neste ano. Entre janeiro e agosto, foram registrados 48 óbitos no município, o equivalente a 19,2% de todas as mortes da região. Taubaté aparece na segunda posição, com 36, seguida por Pindamonhangaba, com 21; Jacareí, com 17; Caçapava, com 16; Guaratinguetá e Ubatuba, ambas com 14.
Somadas, essas sete cidades concentraram 166 das 250 mortes contabilizadas no período, ou 66,4% do total regional. Apenas São José dos Campos e Taubaté reuniram 84 óbitos, representando mais de um terço de todas as vidas perdidas no trânsito do Vale do Paraíba e Litoral Norte.
Embora São José tenha o maior número absoluto, Taubaté apresenta um indicador ainda mais preocupante quando a população é considerada. A cidade possui taxa de 16,24 mortes por 100 mil habitantes, a maior entre os municípios paulistas com mais de 300 mil moradores. Jacareí registra índice de 13,46 mortes por 100 mil habitantes, enquanto São José dos Campos apresenta taxa de 9,67.
Os dados incluem acidentes registrados em vias urbanas e rodovias que atravessam os municípios da região. O levantamento não estabelece, isoladamente, as causas do aumento observado em agosto, mas dimensiona o impacto da violência viária: mesmo com uma redução no acumulado do ano, centenas de famílias foram atingidas e a região continuou perdendo, em média, mais de uma pessoa por dia no trânsito.


