“Não deixem meu filho ser esquecido”: mãe de Matheus faz apelo após soltura de acusado
Às vésperas de completar um ano sem o filho, Isabela Helfstein voltou às redes sociais com um pedido direto: que a história de Matheus Helfstein, morto aos 20 anos em um acidente na Rodovia Presidente Dutra, não seja esquecida. Emocionada, a mãe pediu apoio e compartilhamentos depois de saber que Heitor Rabelo Stettner, acusado de provocar a colisão, deixou novamente a prisão por determinação da Justiça.
“Não deixem a história do meu filho ser esquecida”, escreveu Isabela em uma das publicações. No vídeo divulgado, ela afirma que a espera pelo julgamento prolonga a dor da família e dificulta até mesmo o processo de luto pela morte do jovem.
“Vai fazer um ano que ele matou meu filho. Faz um ano que eu ainda não consegui viver o luto até que ele fosse julgado”, declarou a mãe. A fala ocorreu após a decisão da 10ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, que revogou a prisão preventiva de Heitor durante o julgamento de um habeas corpus.
Matheus morreu no dia 28 de setembro de 2025, após um grave acidente na altura do km 148 da Rodovia Presidente Dutra, no sentido São Paulo, em São José dos Campos. Segundo a acusação, Heitor conduzia uma BMW em alta velocidade e teria consumido bebida alcoólica antes da colisão.
A BMW atingiu a traseira do Honda Fit em que Matheus estava. Com a violência do impacto, o jovem foi lançado para fora do automóvel e acabou atropelado por outros dois veículos que passavam pela rodovia. Ele morreu ainda no local.
Desde o acidente, Isabela utiliza as redes sociais para preservar a memória do filho e acompanhar os desdobramentos do processo. Com a nova soltura do acusado, ela pediu que moradores de São José dos Campos e pessoas que acompanham o caso ajudem a manter a mobilização até a realização do julgamento.
“Eu quero que vocês continuem do meu lado e compartilhem para que a gente consiga reverter esse caso novamente”, afirmou.
A mãe declarou que sua cobrança não é motivada por vingança. Segundo Isabela, a família deseja que o processo avance, que o caso seja levado ao Tribunal do Júri e que as responsabilidades sejam definidas pela Justiça.
No vídeo, ela também mencionou informações atribuídas à investigação sobre as circunstâncias anteriores ao impacto. “Ele estava a 188 por hora. Ele tinha bebido. Então ele assumiu o risco de matar meu filho”, declarou Isabela. Esses elementos fazem parte da acusação e deverão ser debatidos durante o processo.
Heitor responde por homicídio doloso, modalidade em que a acusação sustenta que o condutor assumiu o risco de produzir o resultado. A Justiça já decidiu que ele deverá ser submetido a júri popular, mas o julgamento ainda não tem data marcada porque o processo permanece em fase de recursos.
A soltura foi determinada por maioria de votos pela 10ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP, durante sessão realizada em 10 de setembro. Os desembargadores que formaram a maioria entenderam que não havia fundamentação concreta suficiente para manter a prisão preventiva e consideraram que medidas cautelares seriam adequadas para assegurar o andamento do processo.
Com a decisão, Heitor deverá cumprir determinações judiciais enquanto responde em liberdade. Ele está proibido de manter contato com a vítima sobrevivente e com as testemunhas, não poderá permanecer fora da comarca onde mora por mais de oito dias sem autorização e terá de comparecer a todos os atos processuais.
Esta é a segunda vez que o acusado deixa a prisão por ordem judicial. Em 14 de abril, ele havia sido solto, mas a prisão foi restabelecida três dias depois. Na ocasião, policiais civis do 1º Distrito Policial de São José dos Campos voltaram a prendê-lo na residência dos pais.
A defesa de Heitor informou anteriormente que recebeu com respeito a decisão que revogou a prisão preventiva. Os advogados afirmaram que seguem confiantes de que, ao final do processo, será demonstrado que o acusado não teve a intenção de provocar o acidente nem assumiu o risco de causar a morte de Matheus.
A revogação da prisão não representa absolvição nem encerra o processo. Heitor continuará respondendo às acusações e poderá ser julgado pelo Tribunal do Júri caso a decisão de pronúncia seja mantida ao final da fase recursal.
Enquanto não há uma data definida para o julgamento, Isabela promete continuar falando sobre Matheus. Entre a saudade, a indignação e a expectativa por uma resposta definitiva, a mãe pede que o nome do filho permaneça vivo e que o caso não desapareça com o passar do tempo.
Para a família, a proximidade do primeiro aniversário da morte torna o momento ainda mais doloroso. Quase um ano depois da colisão que interrompeu a vida do jovem, a mãe segue esperando o dia em que poderá acompanhar o julgamento e, enfim, conhecer a decisão da Justiça.


