Moscas invadem casas e comércios e levam moradores a cobrar solução em Itanhandu
Paredes, roupas, recipientes, lavanderias, veículos e mesas de restaurantes passaram a dividir espaço com uma quantidade incômoda de moscas em Itanhandu, no Sul de Minas. O problema se intensificou nas últimas semanas, atingiu diferentes pontos da cidade e agora será levado a uma audiência pública marcada para o dia 30 de setembro, na Câmara Municipal.
Moradores relatam que os insetos aparecem em grande quantidade dentro das residências e se acumulam em potes, panos, fios, escadas, pisos e até no capô de veículos. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram a dimensão do transtorno enfrentado pela população.
Nos estabelecimentos comerciais, a situação se torna ainda mais complicada nos horários das refeições. Proprietários afirmam que precisam reforçar constantemente a limpeza e encontrar maneiras de impedir a entrada dos insetos, principalmente em locais onde alimentos são preparados ou servidos.
O empresário Rafael Gomes contou que o problema não começou agora, mas apresenta períodos de melhora e piora. Segundo ele, a combinação de chuva e calor torna a presença das moscas praticamente insuportável.
Em um dos dias mais críticos, o comerciante precisou fechar o portão porque não havia condições de atender os clientes no interior do estabelecimento. O relato demonstra que a infestação já ultrapassou o desconforto cotidiano e começou a provocar impactos no funcionamento do comércio local.
A Prefeitura informou que Itanhandu possui 12 granjas de frango e considera que o aumento das moscas pode estar relacionado a falhas no manejo das aves e dos resíduos produzidos pela atividade. Ambientes com matéria orgânica e umidade podem favorecer a reprodução dos insetos, especialmente durante períodos de calor e chuva.
Apesar de apontar as granjas como uma possível origem, o município ainda não informou se conseguiu identificar um estabelecimento específico como foco da infestação. A administração também reconhece que existem produtores que cumprem corretamente suas obrigações e que a responsabilidade não pode ser atribuída de maneira generalizada sem uma apuração técnica.
Itanhandu possui legislação municipal relacionada ao tema e conta com quatro fiscais que acompanham semanalmente os procedimentos de manejo. A fiscalização sanitária das granjas, porém, também envolve o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), além da possibilidade de atuação do Ministério Público.
Em nota, o IMA apresentou uma posição diferente da suspeita levantada pela Prefeitura. O instituto afirmou que as granjas de aves são fiscalizadas e cumprem as medidas de higiene e biossegurança previstas pela legislação sanitária.
A divergência deverá estar no centro da audiência pública. De um lado, moradores, comerciantes e representantes municipais buscam descobrir se a proliferação está ligada às atividades das granjas. Do outro, o órgão estadual responsável pela fiscalização informa que os estabelecimentos estão adequados às exigências sanitárias.
A audiência foi anunciada pelo vereador Ellison Filadelfo Lopes (PP) e está marcada para 30 de setembro, na Câmara Municipal. O horário ainda não havia sido divulgado até a última atualização.
A proposta é reunir moradores, comerciantes, produtores rurais, representantes da Prefeitura e órgãos fiscalizadores para esclarecer as causas do problema e definir medidas capazes de reduzir a quantidade de insetos.
Segundo o vereador, toda a população enfrenta transtornos, principalmente durante as refeições. Ele reconheceu que parte dos avicultores cumpre as normas, mas defendeu a necessidade de localizar o foco e estabelecer responsabilidades.
A expectativa é que a audiência não termine apenas com explicações. Os organizadores pretendem construir uma meta ou um plano de trabalho com medidas de fiscalização, controle e acompanhamento dos possíveis focos.
Até o momento, não há informação sobre aplicação de multas, interdição de granjas ou conclusão de análises técnicas que apontem definitivamente a origem das moscas. Também não foi anunciada uma operação emergencial de controle em toda a cidade.
A população espera que a audiência represente o início de uma resposta concreta. Enquanto o foco não é identificado, moradores seguem recorrendo à limpeza constante, telas, recipientes fechados e outras medidas domésticas para tentar impedir que os insetos tomem conta dos ambientes.


