CORPO DENTRO DE CAIXA PLÁSTICA: CÂMERAS LEVAM POLÍCIA A CASAL PRESO POR MORTE BRUTAL EM UBATUBA
Imagens registradas por câmeras de segurança foram decisivas para a prisão de um casal suspeito de participar da morte de Manoel Francisco de Souza, de 53 anos, conhecido como “Mané Grilo”, em Ubatuba. Segundo a Polícia Civil, a vítima foi morta a golpes de faca, colocada dentro de uma caixa plástica e levada até uma área de vegetação no bairro Lázaro.
O corpo foi encontrado nesta quarta-feira, 16 de setembro, nas proximidades da Avenida Marginal, às margens da Rodovia Rio-Santos, a SP-55. Manoel estava deitado de costas e coberto por uma manta ou cobertor.
A Polícia Militar foi acionada e preservou a área para os trabalhos da Polícia Civil e da perícia. A posição do corpo, as marcas localizadas na vegetação e os demais vestígios fizeram os investigadores considerarem desde o início a possibilidade de que o homem tivesse sido morto em outro ponto e transportado até o local.
Durante a análise preliminar, os peritos identificaram diversas lesões com características de perfurações nas costas da vítima. Manoel também apresentava uma lesão na mão direita que, inicialmente, foi considerada compatível com uma tentativa de defesa durante o ataque.
Roupas foram encontradas a certa distância do corpo. Na vegetação, os policiais também perceberam uma possível marca de arrasto, elemento que reforçou a suspeita de movimentação do cadáver antes de ele ser coberto e abandonado.
Enquanto a perícia trabalhava, os investigadores receberam informações de que câmeras instaladas em estabelecimentos próximos poderiam ter registrado movimentações relacionadas ao homicídio. As equipes passaram então a procurar imagens que ajudassem a reconstruir as últimas horas de Manoel.
Em um mercado da região, funcionários relataram ter encontrado manchas de sangue na área externa. O local passou a ser tratado como um ponto importante para a investigação, e as imagens do sistema de segurança foram verificadas pelos policiais.
As gravações teriam mostrado um casal colocando um objeto de grande porte, aparentemente um corpo humano, dentro de uma caixa plástica. Em seguida, os dois teriam deixado o estabelecimento transportando o volume.
A partir das imagens e das informações fornecidas por testemunhas, as equipes iniciaram diligências pelos bairros Lázaro e Perequê-Mirim. A descrição do casal e os detalhes observados nas gravações ajudaram na tentativa de localização dos suspeitos.
Os dois foram encontrados na Rua João Lucas Messias, onde já estavam sendo contidos por moradores. Eles foram identificados no boletim de ocorrência pelos primeiros nomes, Samuel e Joyce.
Inicialmente, os suspeitos teriam reconhecido que estiveram com Manoel, mas negaram participação no assassinato. A versão começou a ser confrontada com as imagens obtidas no mercado e com os demais vestígios reunidos durante a investigação.
Segundo o registro policial, depois de serem questionados sobre as gravações, Samuel e Joyce admitiram envolvimento no caso. Os relatos atribuídos aos dois permitiram aos investigadores estabelecer uma versão inicial sobre a morte e o transporte do corpo.
Samuel teria assumido a autoria dos golpes de faca que mataram Manoel. A arma utilizada no crime e as circunstâncias exatas em que ocorreu o ataque ainda deverão ser esclarecidas durante a continuidade do inquérito.
Joyce teria confessado que ajudou a colocar o corpo dentro da caixa plástica. Ela também teria auxiliado no deslocamento até a Avenida Marginal, onde Manoel foi deixado em uma área de vegetação e coberto com um cobertor.
A Polícia Civil deu voz de prisão ao casal pelos crimes de homicídio doloso e ocultação de cadáver. A autoridade policial ratificou as prisões considerando o flagrante presumido em relação à morte e o caráter permanente atribuído ao crime de ocultação.
No flagrante presumido, a prisão pode ocorrer quando uma pessoa é encontrada logo após o crime em circunstâncias que indiquem sua possível participação. No caso da ocultação de cadáver, a situação criminosa permanece enquanto o corpo continua escondido, segundo o entendimento aplicado pela autoridade policial.
Após os procedimentos na delegacia, Samuel e Joyce foram encaminhados à Santa Casa de Ubatuba para a realização dos exames e cuidados cautelares previstos antes do recolhimento. Os dois permaneceram presos e à disposição da Justiça.
O boletim de ocorrência também registra que ambos possuem antecedentes policiais. Os nomes completos, as idades e os detalhes desses registros anteriores não foram divulgados nas informações disponíveis.
A vítima foi identificada oficialmente como Manoel Francisco de Souza. Uma irmã ouvida pela polícia informou que ele fazia uso de drogas e bebidas alcoólicas e havia sido visto na noite anterior acompanhado de um casal descrito como andarilho.
Esse relato passou a integrar a apuração, mas ainda não esclarece o que teria provocado o ataque. A Polícia Civil deverá verificar onde Manoel foi morto, em que momento ocorreu a agressão e qual relação ele mantinha com os dois presos.
Os investigadores também deverão confrontar as versões apresentadas pelo casal com os laudos periciais, as manchas de sangue, as imagens das câmeras e os depoimentos das testemunhas. A necropsia deverá determinar oficialmente a causa da morte e fornecer informações sobre a quantidade e a direção dos ferimentos.
A possível arma utilizada no homicídio, a caixa plástica mencionada nos relatos e outros objetos relacionados ao transporte do corpo também poderão ser procurados ou encaminhados para análise. Até a última atualização, a motivação do crime não havia sido informada.


