Terça-feira, Setembro 15, 2026
Plantão Policial

PROMESSA DE VINGANÇA APÓS MORTE DE AMIGO LEVA POLÍCIA A ADOLESCENTE COM 1,4 QUILO DE DROGAS EM SÃO JOSÉ


Um adolescente de 17 anos foi apreendido pela Polícia Civil após ser apontado como possível integrante de uma disputa entre grupos de jovens no bairro Galo Branco, na região leste de São José dos Campos. Segundo as informações levantadas pelos investigadores, ele teria prometido vingar a morte do amigo Kauã Vinícius Silva Pereira, de 16 anos, assassinado a tiros no fim de agosto.

A possibilidade de uma vingança colocou a Delegacia de Homicídios em alerta diante do risco de novos confrontos. Durante o aprofundamento das investigações sobre a morte de Kauã, os policiais reuniram informações de que o adolescente estaria planejando uma reação contra pessoas supostamente ligadas ao assassinato.

Com base nos elementos apresentados pela Polícia Civil, a Vara da Infância e Juventude de São José dos Campos expediu um mandado de busca e apreensão. A ordem judicial foi cumprida na segunda-feira, 14 de setembro de 2026, em um imóvel ligado ao adolescente no Galo Branco.

No momento da chegada dos investigadores, o adolescente estava acompanhado de um jovem de 19 anos. Durante as buscas na residência, os agentes encontraram uma grande quantidade de entorpecentes, além de objetos que, segundo a polícia, seriam relacionados à comercialização de drogas.

Foram apreendidos 858,8 gramas de cocaína, 477,6 gramas de crack e 73,6 gramas de maconha. Somadas, as três substâncias totalizaram aproximadamente 1,41 quilo de drogas.

Os policiais também recolheram aparelhos celulares, dinheiro em espécie e anotações que seriam utilizadas para controlar a movimentação do tráfico. O valor encontrado no imóvel não foi informado.

Apesar da suspeita de que o adolescente teria prometido vingar a morte do amigo, nenhuma arma foi localizada durante a operação. Os aparelhos apreendidos deverão ser analisados para verificar se contêm conversas, ameaças, combinações de encontros ou outras informações que possam ajudar a esclarecer a possível disputa.

O adolescente foi apreendido e encaminhado à Fundação Casa, onde permanecerá à disposição da Justiça. Por ter menos de 18 anos, ele deverá responder por ato infracional análogo ao crime de tráfico de drogas.

O jovem de 19 anos que estava na residência também foi detido. Após os procedimentos policiais, ele foi encaminhado à Cadeia Pública de Sapopemba, na capital paulista, onde ficou à disposição do Poder Judiciário.

A Polícia Civil informou que o adolescente já havia sido apreendido no dia 18 de agosto por ato infracional análogo ao porte ilegal de arma de fogo. Ele também possuía outras duas apreensões anteriores por atos infracionais semelhantes ao tráfico de drogas.

A nova ocorrência passou a fazer parte de uma investigação mais ampla conduzida pela Delegacia de Homicídios. O objetivo é esclarecer se existe uma disputa entre grupos de adolescentes no Galo Branco e impedir que o assassinato de Kauã provoque uma sequência de atos violentos.

Segundo os investigadores, a origem da rivalidade estaria relacionada a uma briga ocorrida em ambiente escolar envolvendo uma garota. A Polícia Civil apura de que maneira esse desentendimento evoluiu e se possui ligação direta com a morte de Kauã.

As informações sobre uma possível vingança são tratadas como parte da linha de investigação e ainda deverão ser comprovadas. Até o momento, a polícia não informou quem seria o alvo da suposta retaliação nem divulgou detalhes sobre mensagens ou ameaças atribuídas ao adolescente apreendido.

Kauã Vinícius Silva Pereira foi morto por volta das 4h45 do dia 29 de agosto de 2026, na Rua Manoel Meneses Leal, em frente ao Conjunto Residencial Galo Branco. Moradores acionaram a Polícia Militar depois de ouvirem disparos durante a madrugada.

Quando as equipes chegaram, o adolescente estava caído na rua com ferimentos provocados por tiros na região da cabeça e do pescoço. Profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e agentes da Guarda Civil Municipal já estavam no local, mas Kauã não resistiu.

As primeiras informações recolhidas pela polícia indicaram que um Volkswagen Gol de cor prata passou pelo local pouco antes do ataque. Testemunhas relataram que os ocupantes do veículo efetuaram os disparos contra o adolescente e fugiram.

A área foi isolada para o trabalho da perícia e a ocorrência foi inicialmente registrada como homicídio de autoria desconhecida. A Delegacia de Homicídios iniciou diligências para identificar os ocupantes do automóvel e esclarecer o motivo do ataque.

O avanço das investigações levou à identificação de Luan Azevedo Lima, de 18 anos. A Justiça decretou a prisão temporária dele pelo prazo de 30 dias após um pedido da Delegacia de Homicídios e manifestação favorável do Ministério Público.

Luan apresentou-se à Polícia Civil na sexta-feira, 11 de setembro, e teve a ordem de prisão cumprida. Durante o depoimento, ele confessou ter efetuado os disparos que mataram Kauã, conforme informado pelos investigadores.

O jovem alegou que teria cometido o homicídio porque estaria sendo ameaçado pela vítima. Essa versão ainda será confrontada com depoimentos, imagens, laudos periciais e os demais elementos reunidos durante a investigação.

A confissão não encerrou as apurações. A Polícia Civil trabalha para esclarecer toda a dinâmica do ataque, descobrir como o carro utilizado chegou ao local e verificar se Luan recebeu ajuda antes, durante ou depois do crime.

Os investigadores também apuram a participação de uma segunda pessoa no homicídio. Até a última atualização, a identidade desse possível envolvido não havia sido divulgada e a arma usada no assassinato ainda não tinha sido localizada.

Luan também possuía passagem por ato infracional cometido quando era adolescente. Segundo a polícia, ele havia sido apreendido anteriormente em uma ocorrência envolvendo disparos contra uma companhia da Polícia Militar no Jardim Diamante, em São José dos Campos. Na época, respondeu ao caso por meio de medida socioeducativa e completou 18 anos no início de 2026.

Com a apreensão do adolescente de 17 anos e a localização de mais de 1,4 quilo de drogas, a Delegacia de Homicídios passou a analisar duas frentes relacionadas ao caso. Uma envolve a completa identificação dos participantes da morte de Kauã e a localização da arma. A outra busca verificar se havia um plano de vingança capaz de provocar novos ataques no Galo Branco.

O adolescente apreendido e o jovem de 19 anos permaneceram à disposição da Justiça. Os celulares e as anotações recolhidas no imóvel serão examinados, enquanto a Delegacia de Homicídios prossegue com as diligências para identificar todos os envolvidos na morte de Kauã e esclarecer se existem outros jovens ligados à disputa investigada.

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