Segunda-feira, Setembro 14, 2026
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TERCEIRO BLOQUEIO EM CINCO DIAS: ENTENDA POR QUE A SERRA ANTIGA DA TAMOIOS ABRE E FECHA QUANDO A CHUVA APERTA


A sucessão de interdições na Serra Antiga da Rodovia dos Tamoios voltou a preocupar os motoristas que utilizam a principal ligação entre o Vale do Paraíba e Caraguatatuba. Em apenas cinco dias, o trecho precisou ser fechado três vezes por causa do volume acumulado de chuva e das condições das encostas. Nesta segunda-feira (14), a situação deixou de representar somente um risco previsto pelos equipamentos de monitoramento: um deslizamento de terra e a queda de uma árvore foram registrados dentro da área interditada.

O terceiro bloqueio começou às 21h30 de domingo (13), poucas horas depois de a pista ter sido liberada após permanecer 37 horas fechada. Segundo a Concessionária Tamoios, voltou a chover na região de serra quando o solo já estava encharcado, cenário que aumentou novamente o risco de queda de barreiras e levou à interrupção preventiva do tráfego.

Na atualização divulgada às 9h desta segunda-feira, a Serra Antiga permanecia interditada e ainda não havia previsão de liberação. Durante o período de fechamento, ocorreu um deslizamento de terra na altura do km 73,4 e uma árvore caiu sobre a pista no km 77,9. Equipes da concessionária foram enviadas aos dois pontos para retirar os materiais e trabalhar na limpeza da rodovia.

Mas por que a Serra Antiga é fechada tantas vezes e, em alguns casos, volta a ser interditada poucas horas depois de sua reabertura? A resposta está no protocolo de segurança utilizado no trecho. A concessionária acompanha continuamente o volume de chuva e determina a interdição quando o acumulado chega a 100 milímetros dentro de um período de 72 horas.

Esse índice não funciona como uma contagem que termina imediatamente quando a chuva para. A água acumulada durante os três dias anteriores continua sendo considerada e o solo pode permanecer encharcado mesmo após algumas horas sem precipitação. Se voltar a chover, o volume aumenta novamente e as encostas podem apresentar condições consideradas inseguras para a circulação dos veículos.

A marca dos 100 milímetros é uma referência importante para o protocolo, mas não é o único elemento analisado. As equipes também avaliam a situação das encostas, as condições da pista, o estado do solo e a previsão meteorológica antes de decidir pela liberação. Por esse motivo, atingir um período de tempo seco não significa que a estrada poderá ser aberta imediatamente.

A Serra Antiga atravessa uma área de relevo acentuado, cercada por encostas e vegetação. Quando o terreno recebe muita água em um intervalo curto, cresce a possibilidade de movimentação de terra, queda de pedras, deslizamentos e tombamento de árvores. A interrupção preventiva busca impedir que veículos estejam passando pelo local caso uma dessas ocorrências atinja a pista.

Os episódios desta segunda-feira demonstraram a importância da medida. O deslizamento no km 73,4 e a queda da árvore no km 77,9 aconteceram quando o tráfego já estava interrompido. Não houve divulgação de veículos atingidos nem de pessoas feridas nesses dois pontos.

O primeiro fechamento desta sequência aconteceu na quinta-feira (10). A Serra Antiga permaneceu bloqueada por aproximadamente 22 horas e foi liberada na sexta-feira (11), depois da avaliação das condições de segurança.

A chuva continuou atingindo a região e provocou uma nova interdição às 2h de sábado (12). Esse segundo bloqueio durou aproximadamente 37 horas. A pista foi reaberta por volta das 15h de domingo (13), mas permaneceu liberada por pouco mais de seis horas.

Às 21h30 de domingo, a concessionária anunciou o terceiro fechamento em cinco dias. A nova chuva atingiu um trecho onde o solo ainda estava saturado pela precipitação acumulada anteriormente, obrigando as equipes a retomar o protocolo de interdição.

Durante o bloqueio da Serra Antiga, o tráfego entre o Vale do Paraíba e o Litoral Norte é direcionado para a Serra Nova. Como o trecho normalmente é utilizado para a subida em direção a São José dos Campos, a circulação nos dois sentidos passa a ser realizada por meio da Operação Comboio, com sistema de Pare e Siga.

Nesse modelo, os veículos são liberados em um sentido por vez, acompanhados por equipes da Polícia Militar Rodoviária e da Concessionária Tamoios. Enquanto um grupo atravessa o trecho, os motoristas que seguem na direção contrária precisam aguardar a próxima liberação.

No sentido São José dos Campos, todos os veículos sobem juntos. Já na direção do Litoral Norte, os comboios são separados por categoria por razões de segurança. Primeiro seguem os veículos de passeio e, depois, são liberados os caminhões e os veículos que transportam produtos perigosos. A concessionária ressalta que esse formato pode ser alterado conforme as condições operacionais.

Até as 9h desta segunda-feira, dez comboios haviam sido realizados pela Serra Nova. A concessionária mantém equipes de sinalização no trecho de planalto, no sentido litoral, e na área urbana de Caraguatatuba, perto do acesso à Serra Nova, para controlar a circulação.

Inaugurada para operação em março de 2022, a Serra Nova possui 22 quilômetros formados por túneis e viadutos. O complexo conta com monitoramento durante 24 horas, câmeras de detecção automática de incidentes, painéis eletrônicos, iluminação, ventilação, alto-falantes, telefones de emergência e cancelas que podem bloquear os acessos aos túneis.

Em condições normais, a Serra Nova é utilizada pelos veículos que sobem de Caraguatatuba para São José dos Campos, enquanto a Serra Antiga recebe o trânsito de descida. Quando a pista antiga é interditada, o sistema de comboios permite que a estrutura nova seja utilizada alternadamente nas duas direções.

A orientação para quem precisa viajar é consultar as condições da rodovia antes de sair, reduzir a velocidade, respeitar os bloqueios e aguardar as liberações feitas pelas equipes. As atualizações sobre os horários dos comboios são divulgadas pela Rádio Web Tamoios, pelo aplicativo da concessionária, pelo site oficial e pelos perfis da empresa nas redes sociais.

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