“MEU FILHO NÃO TEVE CHANCE”: FAMÍLIA COBRA JUSTIÇA ÀS VÉSPERAS DO JÚRI DO CASO CARLOS HENRIQUE
Mais de dois anos depois do assassinato de Carlos Henrique, de 16 anos, a família do adolescente se prepara para acompanhar um dos momentos mais aguardados desde o crime. O Tribunal do Júri está marcado para esta quarta-feira, dia 16 de setembro, a partir das 9h30, no Fórum de Pindamonhangaba. Os jurados deverão analisar a acusação relacionada à morte do jovem e ao ataque que também deixou outro adolescente ferido.
Carlos Henrique foi morto na noite de 5 de abril de 2024, na Avenida Quinze de Novembro, no bairro Cidade Nova, em Pindamonhangaba. Segundo as informações reunidas durante a investigação e divulgadas à época, ele caminhava pelo bairro acompanhado de três amigos quando o grupo foi surpreendido pelos envolvidos no ataque.
A Polícia Militar foi acionada por volta das 22h e encontrou Carlos Henrique caído na rua, com ferimentos provocados pelos disparos. O adolescente morreu no local. Outro jovem, também com 16 anos na época, foi atingido durante a ação, mas conseguiu sobreviver depois de ser socorrido e encaminhado ao pronto-socorro de Pindamonhangaba.
A acusação sustenta que o crime foi precedido por uma situação de ciúmes envolvendo uma mensagem enviada a Carlos Henrique pela ex-namorada de outro adolescente. O jovem enciumado teria procurado Kauan, que tinha 18 anos na época, e os dois teriam ido atrás da vítima para cobrar explicações.
De acordo com a apuração divulgada após o homicídio, Carlos Henrique e os amigos teriam sido perseguidos por aproximadamente 50 metros. Na sequência, Kauan teria sacado uma arma e efetuado diversos disparos contra o grupo. Um dos tiros atingiu Carlos Henrique no peito, sem que o adolescente tivesse oportunidade de se defender.
A investigação apontou que Kauan teria agido ao lado de um adolescente de 16 anos, identificado como o ex-namorado da jovem que havia trocado mensagens com Carlos Henrique. As circunstâncias descritas pelas autoridades deram origem à acusação de que o ataque foi planejado e executado como uma emboscada.
O caso ganhou ainda mais repercussão depois da divulgação de um áudio atribuído ao acusado. A gravação teria sido feita durante a fuga, logo após o ataque, e enviada a um amigo por meio de um aplicativo de mensagens. No conteúdo divulgado pela imprensa, Kauan admite ter atirado contra Carlos Henrique e contra o outro adolescente que ficou ferido.
Dias depois do crime, Kauan compareceu à Delegacia de Polícia de Pindamonhangaba acompanhado de um advogado. Ele prestou depoimento e teria confessado os disparos, mas foi liberado naquele momento para responder ao processo em liberdade. Segundo as informações publicadas na época, foram considerados fatores como a apresentação espontânea, a condição de réu primário, o endereço fixo e a ausência de flagrante.
A liberação causou indignação entre familiares e moradores de Pindamonhangaba. Para a família, a confissão atribuída ao acusado, o áudio gravado após o crime e a forma como Carlos Henrique foi surpreendido tornaram ainda mais difícil aceitar que o investigado deixasse a delegacia após prestar depoimento.
Desde então, Vanessa Moreira dos Santos, mãe de Carlos Henrique, passou a cobrar uma resposta do Poder Judiciário. Em entrevista concedida depois do assassinato, ela descreveu o impacto causado pela perda do filho e afirmou não saber como reconstruiria a própria vida sem ele.
Vanessa também questionou a diferença entre os direitos garantidos ao acusado e a oportunidade que foi retirada de Carlos Henrique. “Meu filho não teve direito de nada. Por que o assassino do meu filho tem que ter direito? Ele não tirou a vida de um inseto. Ele tirou a vida do meu filho”, declarou a mãe na ocasião.
Ao recordar o momento dos disparos, Vanessa afirmou que o filho não teve possibilidade de reação. Segundo o relato recebido por ela, o acusado teria sacado a arma durante a abordagem e efetuado o tiro que atingiu o peito do adolescente. “Meu filho não teve chance nenhuma”, disse.
As declarações expressam a dimensão da dor enfrentada pela família desde abril de 2024. Carlos Henrique tinha apenas 16 anos quando sua trajetória foi interrompida. A mãe passou a conviver não somente com a ausência do filho, mas também com a espera pelo avanço do processo e pela realização do julgamento.
Para os familiares, a sessão desta quarta-feira representa o momento em que as provas, os depoimentos e os demais elementos reunidos ao longo da investigação finalmente serão apresentados ao Conselho de Sentença. A família espera que o julgamento ofereça uma resposta proporcional à gravidade do crime e reconheça as circunstâncias em que Carlos Henrique foi morto.
Durante o Tribunal do Júri, a acusação e a defesa apresentarão suas teses diante dos jurados. Caberá aos integrantes do Conselho de Sentença decidir sobre os quesitos formulados a partir da denúncia e das provas admitidas no processo. Em caso de condenação, a definição da pena será feita pelo juiz que presidirá a sessão.
A realização do julgamento também mobiliza amigos, moradores e pessoas que acompanharam a repercussão do caso desde 2024. A cobrança por justiça cresceu principalmente depois que o conteúdo do áudio atribuído ao acusado se tornou público e a mãe relatou a forma como recebeu a notícia da morte do filho.
Embora a motivação apontada esteja relacionada a uma troca de mensagens e ao ciúme de um dos envolvidos, será no plenário do júri que as responsabilidades penais submetidas ao julgamento serão analisadas. Até que os jurados apresentem a decisão, Kauan deve ser tratado juridicamente como acusado, com direito à defesa e à presunção de inocência.
O julgamento não devolverá Carlos Henrique à família, mas representa, para a mãe e os demais parentes, a possibilidade de obter uma resposta judicial depois de mais de dois anos de espera. A sessão está prevista para começar às 9h30 desta quarta-feira, dia 16, no Fórum de Pindamonhangaba.


