Quarta-feira, Setembro 9, 2026
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“OS FREIOS FUNCIONAVAM NORMALMENTE”: PREFEITURA DIZ QUE VIATURA PASSOU POR VISTORIA ANTES DE ACIDENTE FATAL EM SJC


Uma nova declaração da Prefeitura de São José dos Campos colocou ainda mais atenção sobre um dos principais pontos da investigação da perseguição que terminou com a morte de um adolescente de 16 anos na zona sul da cidade. Segundo a administração municipal, a viatura da Guarda Civil Municipal envolvida na colisão havia passado por vistoria antes de sair para o patrulhamento e não apresentava qualquer registro de problema nos freios.

A informação ganha peso porque contrasta com aquilo que os próprios guardas relataram posteriormente no boletim de ocorrência. De acordo com o registro policial, o agente que conduzia a viatura afirmou que tentou frear quando a motocicleta reduziu a velocidade para realizar uma curva, mas o sistema de frenagem não teria respondido.

Agora, caberá à perícia esclarecer qual era realmente a condição mecânica da viatura no momento do acidente.

A posição da Prefeitura foi apresentada pelo secretário de Proteção ao Cidadão, Rafael Silva. Segundo ele, existe um procedimento obrigatório antes de cada veículo da GCM entrar em serviço. Os agentes responsáveis pela viatura precisam realizar um check list verificando suas condições.

No veículo envolvido na ocorrência de segunda-feira, 7 de setembro, segundo o secretário, esse procedimento foi realizado normalmente.

“Todo guarda que vai assumir uma viatura faz um check list dessa viatura antes de sair para atendimento nas ruas e todo esse procedimento foi feito pelos guardas antes de a viatura sair. Não existia nenhum relato anterior ao fato que aconteceu. [No check list, o freio] funcionava normalmente.”

A declaração acrescenta um elemento fundamental à investigação: se os freios estavam funcionando normalmente antes de a viatura deixar a base, o que teria acontecido até o momento da colisão?

É justamente essa pergunta que a Polícia Científica deverá tentar responder.

O fato de o veículo ter passado pelo check list não elimina, por si só, a possibilidade de uma falha mecânica posterior. Da mesma forma, o relato dos agentes de que os freios não responderam também não comprova sozinho que houve defeito no sistema.

Somente a análise técnica poderá confirmar ou descartar essa hipótese.

A perícia deverá examinar componentes do sistema de frenagem, possíveis danos provocados pelo impacto e demais elementos mecânicos capazes de indicar se existia alguma anormalidade antes da batida.

A colisão aconteceu na Rua Dionísio Alves da Silva, no Conjunto Residencial Dom Pedro I, depois de um acompanhamento iniciado na região do Campo dos Alemães.

Segundo o boletim de ocorrência, guardas municipais avistaram uma motocicleta sem placa ocupada por dois adolescentes de 16 anos. Os dois estavam sem capacete.

A equipe deu ordem de parada, mas o adolescente que conduzia a moto teria desobedecido e iniciado uma fuga.

A motocicleta havia sido furtada no fim de agosto, conforme as informações reunidas na investigação. A família do adolescente que estava na garupa e morreu, porém, afirma que ele não tinha conhecimento da procedência do veículo e havia apenas aceitado uma carona.

Entre o ponto onde o acompanhamento começou e o trecho onde ocorreu a colisão são aproximadamente 2,5 quilômetros.

Imagens de uma câmera de segurança instalada nas proximidades registraram o momento da batida. O vídeo mostra a viatura atingindo a motocicleta e os adolescentes sendo projetados contra a região de um muro.

O passageiro de 16 anos morreu no local. O adolescente que conduzia a motocicleta ficou ferido e foi encaminhado para atendimento médico.

Posteriormente, o condutor foi apreendido por atos infracionais análogos aos crimes de receptação, adulteração de sinal identificador de veículo, desobediência e direção sem habilitação.

Um guarda municipal também ficou ferido durante o acidente e precisou de atendimento.

A suposta falha nos freios passou a ocupar espaço central na investigação depois que o motorista da viatura relatou o problema no boletim de ocorrência.

Uma testemunha que estava nas proximidades também afirmou ter ouvido um guarda mencionar, logo depois da colisão, que a viatura teria perdido o freio.

Esse depoimento, entretanto, também será analisado juntamente com as demais provas.

Após o acidente, moradores se concentraram no local e houve momentos de tensão e discussão com integrantes da Guarda Civil Municipal. A Polícia Militar precisou reforçar a segurança na região.

A área permaneceu ocupada pelas equipes responsáveis pelos procedimentos de emergência e investigação até aproximadamente 15h, quando a motocicleta, a viatura e os demais materiais envolvidos já haviam sido retirados.

A Polícia Civil agora trabalha com diferentes elementos para reconstruir a ocorrência.

Além da perícia mecânica da viatura, deverão ser analisadas as imagens da câmera de segurança, os depoimentos dos guardas, do adolescente sobrevivente e das testemunhas, as condições da motocicleta e os vestígios encontrados na via.

A manifestação da Prefeitura, entretanto, acrescenta uma nova questão ao caso.

Antes de entrar em serviço, segundo o município, a viatura não apresentava problema nos freios. Depois do acidente, os agentes afirmaram que o sistema não respondeu.

Entre essas duas informações está justamente uma das respostas que a perícia terá de buscar.

Até que o laudo seja concluído, não é possível afirmar tecnicamente se houve falha mecânica ou qual influência eventual defeito teria exercido sobre a colisão.

Também não há conclusão definitiva sobre responsabilidades.

O Jornal A Notícia mantém espaço aberto para novas informações da Prefeitura de São José dos Campos, Guarda Civil Municipal, Polícia Civil, familiares dos adolescentes e seus representantes legais, além de eventuais resultados periciais que possam esclarecer a ocorrência.

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