Terça-feira, Setembro 8, 2026
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“MEU IRMÃO NÃO ERA BANDIDO”: FAMÍLIA DIZ QUE BRAYAN PEGOU CARONA E NÃO SABIA QUE MOTO ERA FURTADA ANTES DE MORRER EM SJC


A família de Brayan Willian dos Santos Ferreira da Silva, de 16 anos, que morreu após a colisão envolvendo uma motocicleta e uma viatura da Guarda Civil Municipal em São José dos Campos, decidiu se manifestar diante da repercussão do caso. A irmã do adolescente afirma que Brayan não tinha envolvimento com o furto da motocicleta, não sabia da procedência do veículo e estava apenas na garupa depois de aceitar uma carona de outro jovem.

Brayan morreu na tarde de segunda-feira, 7 de setembro, no Conjunto Residencial Dom Pedro I, na zona sul da cidade. Nesta terça-feira, 8, familiares e amigos se reuniram no Cemitério Colônia Paraíso para a despedida. O sepultamento estava previsto para as 14h30.

Segundo a família, Brayan cursava o ensino médio e também trabalhava fazendo serviços para conseguir seu próprio dinheiro. Ele realizava bicos como pedreiro, pintor e em lanchonetes. Poucos minutos antes de sair de casa, de acordo com a irmã Jenifer dos Santos Almeida, o adolescente havia separado a bolsa e os objetos que usaria no trabalho no dia seguinte.

Jenifer afirmou que o irmão estava em casa cerca de dez minutos antes de ser chamado por amigos. Segundo ela, Brayan saiu e acabou pegando carona na motocicleta que posteriormente se envolveu na perseguição com a GCM.

A irmã fez um desabafo durante a despedida e afirmou que a família está revoltada com a forma como o adolescente passou a ser associado ao episódio depois que foi confirmado que a motocicleta havia sido furtada.

“O meu irmão não era bandido, era uma criança de 16 anos. Ele tinha uma vida toda pela frente.”

A família sustenta que Brayan não sabia que a motocicleta era produto de furto e que ele não era o responsável pela condução do veículo. Até o momento, não há informação de que Brayan tenha sido apontado formalmente pela Polícia Civil como autor do furto da moto.

Quem conduzia a motocicleta era outro adolescente, também de 16 anos. Segundo o boletim de ocorrência, o veículo estava sem placa de identificação e os dois ocupantes estavam sem capacete quando foram avistados por agentes da Guarda Civil Municipal.

A equipe deu ordem de parada, mas, conforme a versão registrada pela GCM, o condutor não obedeceu e fugiu em alta velocidade. A partir daí começou um acompanhamento pelas ruas da zona sul de São José dos Campos.

A perseguição terminou na Rua Dionísio Alves da Silva, no Conjunto Residencial Dom Pedro I. A motocicleta e a viatura da GCM se envolveram em uma colisão em um trecho com curvas sucessivas.

Brayan estava na garupa e morreu no local. O adolescente que conduzia a motocicleta ficou ferido, foi socorrido e posteriormente apreendido. Conforme a atualização do caso, ele foi encaminhado à Fundação Casa por atos infracionais análogos aos crimes de receptação, adulteração de sinal identificador de veículo, desobediência e direção sem habilitação.

A motocicleta foi recuperada e apreendida. A Polícia Civil confirmou que o veículo havia sido furtado recentemente.

Mas a investigação não está limitada à situação da motocicleta e à fuga. A própria dinâmica da colisão que matou Brayan também está sendo analisada.

Uma câmera de segurança instalada em um imóvel próximo registrou o momento do acidente. As imagens foram entregues à Polícia Civil e passaram a integrar a investigação. O vídeo deverá ser confrontado com os depoimentos dos envolvidos, as marcas encontradas na via e os laudos produzidos pela perícia.

Outro ponto que ganhou importância é a declaração do guarda municipal que conduzia a viatura. Segundo o boletim de ocorrência, o agente relatou que os freios da viatura não teriam respondido no momento em que tentou evitar a colisão.

Essa informação, entretanto, ainda é uma versão apresentada no registro policial. A existência de uma eventual falha mecânica deverá ser confirmada ou descartada pelos exames realizados no veículo.

Os investigadores deverão analisar o sistema de frenagem, as condições da viatura e outros elementos técnicos para determinar se houve defeito e, caso seja confirmado, qual influência essa falha teria exercido na colisão.

Além disso, imagens divulgadas antes do acidente mostram os dois adolescentes circulando sem capacete. Em um dos registros, o passageiro aparece em pé sobre a motocicleta em movimento. Brayan era o adolescente que estava na garupa.

Essas imagens registram uma situação anterior, mas não estabelecem, por si só, a causa do acidente fatal. Ainda precisa ser esclarecido quanto tempo antes da colisão o vídeo foi gravado e qual relação, se alguma, aquele comportamento teve com a dinâmica do impacto ocorrido posteriormente.

A família agora pede que Brayan seja lembrado também pela vida que mantinha antes daquela tarde.

Segundo seus parentes, o adolescente estudava, trabalhava e havia preparado a própria bolsa para mais um dia de serviço antes de aceitar a carona que terminou em tragédia.

A irmã também demonstrou indignação com a forma como o episódio passou a ser interpretado após a divulgação de que a motocicleta era furtada. Em sua manifestação, Jenifer afirmou que a família não aceita que Brayan seja automaticamente tratado como criminoso apenas por estar na garupa do veículo.

A Polícia Civil deverá justamente esclarecer se Brayan tinha conhecimento sobre a procedência da motocicleta ou qualquer participação anterior relacionada ao veículo. Até que essa investigação seja concluída, não é possível atribuir ao adolescente participação no furto apenas pelo fato de ele estar como passageiro.

O caso ainda possui vários pontos que dependem de resposta: a velocidade dos veículos, toda a trajetória da perseguição, as circunstâncias da colisão, a eventual falha nos freios da viatura e o grau de conhecimento de cada adolescente sobre a procedência da motocicleta.

Enquanto a investigação busca essas respostas, a terça-feira foi marcada pela despedida de Brayan.

Aos 16 anos, o adolescente deixa familiares e amigos que agora tentam separar a imagem do jovem que conheciam da sequência de acontecimentos que terminou com sua morte no Dom Pedro I.

O Jornal A Notícia mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura de São José dos Campos, da Guarda Civil Municipal, da Polícia Civil, dos familiares dos adolescentes e de seus representantes legais, além de novas informações que possam esclarecer ou atualizar as circunstâncias da ocorrência.

Foto: Reprodução/TV Vanguarda

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