ALERTA NA REDE MUNICIPAL: DENÚNCIA CONTRA PROFESSOR REVELA QUE CASO ANTERIOR NÃO CHEGOU À SECRETARIA DE EDUCAÇÃO
Uma denúncia de possível assédio envolvendo estudantes da Escola Municipal Professora Maria Alice Rangel, em São Sebastião, abriu uma investigação administrativa e colocou sob análise não apenas a conduta atribuída a um professor de inglês, mas também a forma como relatos anteriores envolvendo alunos foram tratados dentro da própria unidade escolar. O caso ganhou ainda mais peso depois que a Prefeitura confirmou a existência de um registro anterior relacionado a outra estudante que não chegou à administração central da Secretaria Municipal da Educação.
Segundo a Prefeitura, a Secretaria da Educação tomou conhecimento da denúncia mais recente somente na sexta-feira, 4 de setembro. Naquela manhã, três supervisores foram enviados à Escola Municipal Professora Maria Alice Rangel, localizada no bairro Jaraguá, na Costa Norte do município. A administração informou que os profissionais acompanharam responsáveis e servidores até a delegacia para que os fatos fossem formalmente apresentados às autoridades policiais.
A Prefeitura também comunicou ter adotado uma medida preventiva para impedir o contato do professor investigado com as estudantes diretamente envolvidas nos relatos. A administração ressaltou que a providência não representa antecipação de culpa, mas uma medida de proteção enquanto as circunstâncias são apuradas. Até o momento, não há conclusão sobre eventual responsabilidade do docente.
O ponto mais delicado da apuração surgiu quando a própria Prefeitura reconheceu que já existia um registro anterior envolvendo outra estudante e que essa informação não havia sido encaminhada à administração central da Secretaria da Educação. Com isso, a investigação passou a abranger também os procedimentos internos da escola, as providências tomadas pela direção diante de relatos anteriores e os motivos pelos quais o caso não chegou aos níveis superiores da rede municipal.
Uma das mães envolvidas afirmou que a filha teria sido alvo de toques inadequados atribuídos ao professor. Segundo o relato apresentado, o episódio teria ocorrido na segunda-feira, 31 de agosto. Uma amiga da adolescente teria presenciado a situação e procurado a direção acompanhada por outras duas estudantes. A vítima, ainda conforme a mãe, não teria ido inicialmente à diretoria por medo.
A família afirma que só tomou conhecimento do episódio depois que uma das estudantes contou o que havia acontecido à própria mãe, que então entrou em contato com a responsável pela jovem. A partir daí, os familiares procuraram a escola em busca de esclarecimentos e cobraram providências.
Segundo o relato da mãe, durante essa conversa o diretor teria inicialmente negado que as estudantes tivessem procurado a direção. Ainda de acordo com a versão apresentada pela família, após a insistência dos responsáveis e diante das próprias alunas, o gestor teria reconhecido que elas haviam relatado o caso.
A mãe afirma ainda que, durante a mesma conversa, o diretor teria mencionado a existência de outro episódio envolvendo o mesmo professor e uma estudante. Posteriormente, a Prefeitura confirmou que realmente havia um registro anterior envolvendo outra aluna, mas ressaltou que essa informação não havia sido encaminhada à administração central da Secretaria Municipal da Educação.
Essa confirmação abriu uma nova frente de questionamentos. A apuração deverá esclarecer quem teve conhecimento do primeiro relato, quais medidas foram adotadas na época, se houve encaminhamento para algum órgão de proteção e por que a Secretaria da Educação não recebeu formalmente a informação naquele momento.
A família registrou boletim de ocorrência e procurou a delegacia para formalizar a denúncia. A Prefeitura também confirmou que supervisores da Educação acompanharam responsáveis e servidores até a unidade policial. As informações complementares deverão ser encaminhadas ao Ministério Público e à autoridade policial.
Por envolver menores de idade, o caso deverá ser tratado sob sigilo e com medidas de proteção às estudantes. A legislação brasileira prevê mecanismos específicos para situações envolvendo suspeitas de violência contra crianças e adolescentes, inclusive deveres de comunicação às autoridades competentes, mas caberá à investigação estabelecer se houve alguma falha concreta no fluxo de atendimento da unidade escolar.
Até a última atualização, não havia informação pública sobre afastamento definitivo do professor, demissão, punição administrativa ou conclusão da apuração preliminar. Também não haviam sido divulgados o número total de estudantes envolvidas, as idades das alunas, eventual manifestação do Conselho Tutelar ou posicionamento público da defesa do professor.
A Prefeitura informou que a família deverá ser novamente atendida na terça-feira, 8 de setembro, quando novas informações poderão ser reunidas e repassadas aos órgãos responsáveis. A investigação administrativa deverá caminhar paralelamente à apuração policial.
O caso permanece, portanto, em fase inicial. De um lado, há denúncias que precisam ser esclarecidas com rigor e proteção às estudantes. De outro, a própria rede municipal terá de explicar como um registro anterior relacionado a outra aluna não chegou à Secretaria da Educação e quais providências foram adotadas dentro da escola antes da denúncia mais recente ganhar conhecimento da administração central.


