PIX DE R$ 600 ENTREGOU O CAMINHO: DUPLA É CONDENADA A MAIS DE 52 ANOS POR MORTE DE MOTORISTA DE APP EM JACAREÍ
Uma transferência de apenas R$ 600 feita a partir da conta de um motorista de aplicativo assassinado acabou se tornando uma das pistas decisivas para a Polícia Civil chegar aos envolvidos em um crime que chocou o Vale do Paraíba. Quase um ano depois da morte de Carlos Eduardo de Faria César, de 23 anos, a Justiça condenou dois homens pelo latrocínio ocorrido em Jacareí. Jonathan Eduardo Sousa Goulart recebeu pena de 30 anos de prisão e Clayton Luiz Moreira Junior foi condenado a 22 anos e 11 meses, totalizando 52 anos e 11 meses de reclusão. Ambos deverão cumprir inicialmente as penas em regime fechado.
Carlos Eduardo trabalhava como motorista de aplicativo quando foi abordado em São José dos Campos, em setembro de 2025. Segundo a sentença, os criminosos roubaram o carro, o celular e dinheiro da vítima e depois levaram o jovem até uma área de mata em Jacareí. Foi ali que o motorista acabou morto a tiros. O corpo foi encontrado no dia 7 de setembro de 2025, no bairro Pagador Andrade, a aproximadamente 25 quilômetros do ponto onde o veículo utilizado por ele havia sido localizado.
A decisão judicial apontou que a morte não aconteceu apenas durante o roubo. Segundo a juíza Fernanda Ambrogi, os autores decidiram matar Carlos Eduardo para evitar que posteriormente fossem reconhecidos e responsabilizados pelo crime. Na sentença, a magistrada afirmou que o motorista foi morto para impedir a identificação dos envolvidos e assegurar a impunidade do roubo, circunstância considerada de especial perversidade e maior reprovabilidade.
A investigação ganhou força justamente depois que os policiais passaram a analisar a movimentação financeira da vítima. Uma transferência de R$ 600 realizada a partir da conta de Carlos Eduardo chamou atenção e ajudou a polícia a reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro após o crime. O rastreamento levou os investigadores a pessoas relacionadas à movimentação e abriu caminho para a identificação dos suspeitos apontados como responsáveis pelo roubo e pela morte.
Clayton foi localizado e preso em uma adega no bairro Bosque dos Eucaliptos, em São José dos Campos. Segundo informações registradas durante a investigação, ele admitiu participação no crime e relatou que Carlos Eduardo havia sido morto depois do roubo. Jonathan se apresentou posteriormente à polícia, dois dias depois do crime, quando já existia ordem judicial de prisão contra ele.
Os dois homens permaneceram presos preventivamente durante o andamento do processo. Em abril deste ano, a Justiça já havia rejeitado pedidos que poderiam resultar na soltura dos acusados, entendendo que não havia mudança nas circunstâncias que justificasse a revogação das prisões. Agora, com a sentença, os dois receberam penas superiores a duas décadas de reclusão.
Jonathan Eduardo Sousa Goulart foi condenado a 30 anos de prisão por latrocínio, enquanto Clayton Luiz Moreira Junior recebeu 22 anos e 11 meses pelo mesmo crime. Embora a soma das condenações alcance 52 anos e 11 meses, cada um deverá cumprir individualmente a pena estabelecida em sua sentença.
As defesas anunciaram que irão recorrer. A defesa de Clayton afirmou que não concorda com a condenação e pretende questionar elementos das provas produzidas durante o processo. Já a defesa de Jonathan informou que também recorrerá e sustenta que ele não participou do crime. Dessa forma, a decisão ainda poderá ser analisada por instâncias superiores.
Um terceiro acusado no processo, Juan Pedro da Fonseca Marcondes, teve situação diferente. A Justiça o absolveu da acusação de latrocínio, mas o condenou pelo crime de receptação. Segundo a decisão, ele recebeu e repassou parte do dinheiro retirado da conta da vítima depois da morte.
O desaparecimento de Carlos Eduardo havia mobilizado familiares, amigos e outros motoristas de aplicativo. O jovem deixou de dar notícias enquanto trabalhava e seu carro acabou localizado antes do corpo. A descoberta do veículo, a movimentação bancária de R$ 600 e os demais elementos reunidos pela Polícia Civil foram fundamentais para reconstruir os últimos momentos da vítima e chegar aos acusados.
A localização do corpo encerrou as buscas pelo jovem, mas abriu uma investigação que levou meses até chegar à sentença. Carlos Eduardo havia sido levado para uma região isolada de Jacareí depois de ter seus pertences roubados. A Justiça concluiu que a morte foi utilizada pelos autores como forma de eliminar uma possível testemunha do roubo.
Com as condenações, Jonathan e Clayton permanecem presos, agora sentenciados pelo latrocínio. Os recursos anunciados pelas defesas ainda deverão ser analisados, enquanto a condenação de Juan por receptação também integra o desfecho de primeira instância do processo.


