Quarta-feira, Agosto 26, 2026
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“99% DE CERTEZA QUE É MEU FILHO”: MÃE DE RUAN VIVE AS HORAS MAIS DOLOROSAS APÓS CORPO SER ENCONTRADO EM LAVRINHAS


Depois de mais de sete semanas acordando sem saber onde estava o filho, Elaine Duque enfrenta agora uma espera ainda mais dolorosa. Mãe de Ruan Franklin Duque Germano, de 31 anos, desaparecido desde o início de julho em Cruzeiro, ela afirmou nas redes sociais acreditar que o corpo encontrado no Rio Paraíba do Sul, em Lavrinhas, possa ser de Ruan. Em uma frase carregada de angústia, escreveu ter “99% de certeza” de que finalmente encontrou o filho que procura desde o dia em que ele saiu de casa e nunca mais voltou.

A suspeita ganhou força para a família principalmente por causa de uma peça de roupa encontrada junto ao corpo. Segundo Elaine, o moletom preto localizado na vítima é semelhante ao que Ruan utilizava quando desapareceu. O boletim de ocorrência confirma que o corpo vestia um casaco de moletom preto com a inscrição da marca Quiksilver. Apesar da coincidência apontada pela mãe, nenhuma identificação oficial foi concluída até o momento.

O corpo foi encontrado na segunda feira, 24 de agosto, no Rio Paraíba do Sul, próximo à barragem da Pequena Central Hidrelétrica, a PCH, em uma área rural de Lavrinhas. A Polícia Militar foi acionada pelo Copom depois que surgiu a informação sobre a presença de um cadáver nas águas. Quando os policiais chegaram ao ponto indicado, confirmaram a ocorrência e preservaram a área para os trabalhos da perícia.

O estado em que o corpo foi localizado tornou a identificação imediata impossível. A decomposição era tão avançada que, durante os primeiros procedimentos, não foi possível determinar sequer o sexo ou a cor da pele da vítima. Não havia documentos que permitissem saber quem era aquela pessoa encontrada no rio.

Segundo as informações relacionadas à ocorrência, o corpo estava próximo da margem, em uma região tomada por vegetação, resíduos e garrafas PET. O estado de decomposição também comprometeu características que normalmente poderiam auxiliar em um reconhecimento inicial. Por isso, a família agora depende dos exames periciais para saber se a suspeita que trouxe tanta dor nas últimas horas será ou não confirmada.

Depois dos trabalhos da Polícia Técnico Científica, o corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal de Cruzeiro. Fotografias do local, das vestimentas e do corpo foram anexadas ao procedimento policial. A identificação deverá depender dos exames realizados pelo IML, entre eles a comparação genética por DNA.

Um elemento registrado pela própria investigação aumentou ainda mais a expectativa em torno do caso. Conforme as informações divulgadas a partir do boletim, consultas aos sistemas policiais e dados repassados pelo delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais de Cruzeiro indicaram fortes indícios de que o corpo possa ter relação com uma ocorrência registrada anteriormente. O documento, contudo, não informa publicamente qual ocorrência seria essa e não afirma que se trata de Ruan.

A cautela é necessária justamente porque, para uma mãe que espera há semanas, qualquer semelhança pode significar ao mesmo tempo esperança por uma resposta e medo da confirmação mais dolorosa possível. Elaine passou os últimos meses procurando pistas do filho. Agora, a busca mudou de cenário. A pergunta que durante semanas foi “onde está Ruan?” passa a dividir espaço com outra, ainda mais difícil: seria dele o corpo retirado do Paraíba do Sul?

Ruan Franklin Duque Germano tinha 31 anos quando desapareceu. Ele foi visto pela última vez na noite de quinta feira, 2 de julho, depois de sair de casa na Rua Onésimo Ribeiro, no bairro Parque Primavera, em Cruzeiro. O desaparecimento foi comunicado pela mãe à Polícia Civil dois dias depois. Segundo o registro, a família informou que Ruan nunca havia desaparecido anteriormente, circunstância que desde o início aumentou a preocupação.

As investigações trouxeram pistas, mas também novos mistérios. A Polícia Civil consultou o sistema Muralha Paulista e descobriu que o Volkswagen Fox utilizado por Ruan continuou sendo registrado por câmeras de monitoramento em diferentes pontos de Cruzeiro depois do desaparecimento.

Posteriormente, o automóvel foi localizado na própria cidade. Até agora, porém, não houve divulgação pública detalhando onde exatamente o carro estava, em quais condições foi encontrado ou quem conduzia o veículo nas imagens registradas após o desaparecimento. Também não foi esclarecido publicamente se pertences pessoais de Ruan estavam dentro do Fox.

O carro encontrado não trouxe a resposta que Elaine precisava. A família continuou procurando Ruan, divulgando fotografias, pedindo informações e convivendo diariamente com uma ausência sem explicação. Em reportagem anterior do Jornal A Notícia, a mãe havia relatado à polícia que o filho nunca tinha desaparecido dessa maneira e Ruan foi descrito pela família como uma pessoa prestativa e próxima dos familiares.

Agora, um moletom preto encontrado junto a um corpo no Rio Paraíba do Sul colocou a família diante de um novo capítulo dessa procura. Para quem acompanhou o desaparecimento desde julho, a descoberta aproxima dois pontos geograficamente próximos do Vale Histórico: Cruzeiro, de onde Ruan desapareceu, e Lavrinhas, onde o corpo foi encontrado.

Mas, por mais fortes que sejam as suspeitas de Elaine e por mais semelhantes que possam parecer as roupas, a resposta oficial ainda não existe.

A Polícia Civil não confirmou que o corpo seja de Ruan Franklin Duque Germano. O avançado estado de decomposição impede qualquer conclusão apenas por características visuais ou pelas vestimentas. O exame de DNA será fundamental para estabelecer cientificamente a identidade.

Para Elaine, são horas que parecem intermináveis. Durante semanas ela esperou que alguém telefonasse dizendo que Ruan havia sido encontrado com vida. Agora espera o resultado de um exame capaz de entregar uma resposta definitiva, mas que também pode confirmar aquilo que nenhuma mãe gostaria de ouvir.

Até a conclusão dos exames, Ruan permanece oficialmente como desaparecido e o corpo encontrado em Lavrinhas permanece sem identificação. O Instituto Médico Legal e a Polícia Civil deverão concluir os procedimentos periciais antes que qualquer confirmação seja comunicada oficialmente à família.

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