FALSO DELEGADO E “CONTA COFRE”: GOLPE DE R$ 58 MIL CONTRA IDOSA LEVA POLÍCIA A UBATUBA E AO RIO
Uma ligação de um suposto funcionário de banco, seguida pelo telefonema de um homem que dizia ser o delegado geral da Polícia do Estado de São Paulo, terminou com uma idosa de Assis perdendo R$ 58 mil e provocou uma operação policial que chegou a Ubatuba, no Litoral Norte paulista, e ao Rio de Janeiro. A Polícia Civil deflagrou na sexta feira, 21 de agosto, a Operação Duas Faces e cumpriu seis mandados de busca e apreensão em endereços relacionados aos investigados. O objetivo é identificar todos os integrantes do grupo suspeito de participar do esquema e esclarecer o caminho percorrido pelo dinheiro retirado da conta da vítima.
A investigação teve início depois de uma ocorrência registrada em 5 de março de 2026. Conforme a Polícia Civil, a idosa recebeu inicialmente uma ligação de um homem que se apresentou como funcionário de uma instituição financeira. Durante a conversa, ele afirmou que a conta bancária dela havia sido clonada e criou uma situação de urgência para convencê la de que precisava tomar providências para evitar a perda das economias. Pouco depois, entrou em cena um segundo personagem. Desta vez, o interlocutor teria se apresentado como delegado geral de Polícia do Estado de São Paulo, dando aparência de legitimidade à história contada na primeira ligação.
Segundo a investigação, o falso delegado orientou a vítima a transferir seu dinheiro para uma suposta “conta cofre”, afirmando que os valores permaneceriam protegidos enquanto a alegada clonagem bancária fosse investigada. A idosa acreditou na versão apresentada pelos criminosos e realizou as transferências. Quando percebeu que havia sido enganada, o prejuízo chegava a R$ 58 mil. A expressão “conta cofre”, porém, fazia parte da fraude. A Polícia Civil reforça que instituições bancárias e autoridades policiais não solicitam por telefone que clientes transfiram suas economias para contas de terceiros, “contas seguras” ou contas supostamente destinadas a proteger o dinheiro durante investigações.
Com o avanço do inquérito, policiais do 4º Distrito Policial de Assis, unidade subordinada à Delegacia Seccional de Assis e ao Deinter 8 de Presidente Prudente, passaram a acompanhar as movimentações financeiras e a buscar elementos capazes de identificar quem teria recebido ou movimentado os valores. De acordo com a Polícia Civil, o trabalho de inteligência permitiu rastrear a rota do dinheiro e chegar a pessoas investigadas em diferentes pontos do país. A partir das informações reunidas, a Justiça autorizou seis mandados de busca e apreensão, que foram cumpridos simultaneamente em Ubatuba e na cidade do Rio de Janeiro. A operação contou com policiais civis de São Paulo e do Rio.
Durante as buscas realizadas na capital fluminense, os investigadores apreenderam um telefone celular e um cartão bancário, materiais que deverão passar por análise e poderão ajudar a esclarecer contatos, movimentações financeiras e eventual participação de outras pessoas. Investigados também foram localizados e ouvidos tanto no Rio de Janeiro quanto em Ubatuba. Até a atualização mais recente, não havia informação sobre prisões realizadas durante a Operação Duas Faces, e também não foi divulgado que os R$ 58 mil tenham sido recuperados. Os nomes dos investigados não foram tornados públicos nas informações disponíveis.
O nome escolhido para a operação está relacionado justamente à estratégia investigada pela polícia. Os suspeitos teriam assumido diferentes identidades para aumentar a confiança da vítima. Primeiro apareceu o suposto funcionário do banco, responsável por apresentar o problema. Depois surgiu a falsa autoridade policial, que teria confirmado a história e apresentado a transferência como uma solução segura. A sequência é investigada como uma forma de manipulação destinada a fazer com que a própria vítima movimentasse voluntariamente o dinheiro para contas controladas pelo esquema.
A presença de endereços investigados em Ubatuba colocou o Litoral Norte dentro de uma apuração iniciada a centenas de quilômetros dali, em Assis. A Polícia Civil ainda não informou quantos dos seis mandados foram cumpridos especificamente no município, nem divulgou os bairros onde ocorreram as buscas. Também não foi detalhada publicamente a participação atribuída a cada pessoa ouvida durante a operação. Os investigadores continuam analisando o material recolhido para verificar a atuação de cada suspeito e descobrir se existem outros envolvidos ou possíveis vítimas relacionadas ao mesmo grupo.
A investigação permanece em andamento. Até este domingo, 23 de agosto, não havia divulgação de recuperação integral do dinheiro, prisão de suspeitos ou conclusão sobre a responsabilidade individual dos investigados. O caso segue sob apuração da Polícia Civil, que busca esclarecer quem recebeu os R$ 58 mil, como os valores foram movimentados e se o grupo utilizou a mesma estratégia contra outras pessoas.

