ADEUS, CARLOS: PAI É MORTO A TIROS E FILHA LUTA PELA VIDA APÓS ATAQUE DO EX EM JACAREÍ
Uma conversa que deveria servir para resolver a divisão de um imóvel terminou em uma noite de sangue, morte e desespero em Jacareí. Carlos Inácio da Silva, de 62 anos, morreu após ser atingido por disparos, enquanto a filha, Mônica Cristina da Silva, de 38 anos, foi baleada diversas vezes e permanece internada em estado grave. O crime aconteceu por volta das 20h de terça-feira, 18 de agosto, em uma residência na região da Vila Garcia. Anderson Saldanha Guedes, ex-companheiro de Mônica e ex-genro de Carlos, é apontado pela Polícia Civil como autor dos tiros e fugiu após o ataque.
Carlos acompanhava a filha em uma conversa sobre a partilha de um imóvel adquirido durante o relacionamento de Mônica com Anderson. O namoro havia terminado em 27 de julho e, segundo os relatos registrados no boletim de ocorrência, a casa comprada pelo casal havia sido colocada à venda. O valor obtido com o imóvel deveria ser dividido, mas essa partilha teria se transformado em motivo de conflito. A mãe do suspeito relatou à polícia que o filho não aceitava que Mônica recebesse metade do dinheiro.
Na noite do crime, Carlos e Mônica foram até a residência onde Anderson estava para discutir justamente essa questão. O encontro, porém, terminou de maneira brutal. De acordo com os depoimentos reunidos pela Polícia Civil, em determinado momento Anderson teria se afastado da conversa, entrado em um quarto e buscado uma arma de fogo.
Ao retornar, ele teria começado a atirar.
Segundo o relato do próprio pai do suspeito, Carlos foi o primeiro atingido. Na sequência, Anderson teria voltado a arma contra Mônica. A mulher tentou fugir para o interior da residência, mas teria sido perseguida durante o ataque.
A sequência de tiros transformou a casa em uma cena de crime. A mãe de Anderson também prestou depoimento e afirmou que tentou impedir o filho de pegar a arma. Segundo ela, foi empurrada e, logo depois, ouviu vários disparos. A testemunha estimou aproximadamente 15 tiros durante toda a ocorrência.
Carlos não resistiu aos ferimentos. Aos 62 anos, o pai que havia acompanhado a filha para uma conversa sobre o fim de um relacionamento teve a vida interrompida de forma violenta.
Mônica conseguiu sobreviver, mas foi atingida diversas vezes. O Samu foi acionado e realizou o socorro da mulher, que precisou ser encaminhada para atendimento hospitalar em estado grave. Por causa de sua condição clínica, ela sequer havia conseguido prestar depoimento quando a ocorrência foi formalizada durante a madrugada desta quarta-feira, 19 de agosto.
A quantidade exata de disparos que atingiram Mônica deverá ser estabelecida pelos registros médicos e pela investigação. As primeiras informações apontam múltiplos ferimentos provocados pelos tiros. O estado de saúde da mulher inspira cuidados.
A Polícia Civil registrou o caso como homicídio consumado e tentativa de feminicídio. Segundo o boletim de ocorrência, existem indícios de autoria e materialidade contra Anderson, mas a responsabilidade criminal definitiva dependerá do avanço das investigações e posteriormente da análise da Justiça.
Outro elemento importante relatado à polícia é que as ameaças não teriam começado naquela noite. A mãe do suspeito afirmou que Anderson já havia feito ameaças contra Mônica anteriormente. Esse histórico deverá agora ser analisado pelos investigadores para verificar a existência de episódios anteriores de intimidação e entender se o ataque desta terça-feira foi precedido por outras manifestações de violência.
Depois dos disparos, Anderson teria deixado a residência utilizando uma Honda NX-4 Falcon. A motocicleta passou a fazer parte das informações utilizadas pelas forças de segurança para tentar localizar o suspeito.
No local do crime, policiais encontraram cápsulas deflagradas e apreenderam um carregador de pistola calibre .380. O material foi recolhido para os trabalhos periciais e deverá auxiliar na reconstrução da dinâmica do ataque.
A arma utilizada no crime não havia sido localizada até as informações mais recentes divulgadas.
O corpo de Carlos foi encaminhado para os procedimentos periciais e a Polícia Civil requisitou exame necroscópico. Enquanto a perícia trabalha para esclarecer os detalhes técnicos da morte, os investigadores tentam localizar Anderson e reunir elementos sobre os acontecimentos anteriores ao ataque.
A tragédia também deixa uma criança no centro de uma família profundamente abalada. Mônica e Anderson têm uma filha de sete anos. Agora, a menina enfrenta as consequências de uma noite em que perdeu o avô, viu a mãe ser hospitalizada em estado grave e teve o pai apontado como suspeito dos disparos e procurado pela polícia.
O caso que começou com o fim de um relacionamento e a discussão sobre um imóvel terminou da maneira mais dolorosa possível. Uma família que buscava resolver uma questão patrimonial acabou marcada por tiros, uma morte e uma mulher lutando pela vida.
Para os familiares, permanece a despedida de Carlos Inácio da Silva, de 62 anos.
Para Mônica, permanece a batalha pela recuperação.
E para a Polícia Civil, permanece a busca pelo homem apontado como responsável por transformar uma conversa sobre partilha de bens em uma noite de violência em Jacareí.
Adeus, Carlos. Aos 62 anos, sua história termina de maneira inesperada e violenta, enquanto a filha permanece no hospital lutando para sobreviver.


